Ser caminhoneiro na China é muito pior do que pode parecer

A China é uma das maiores economias do mundo hoje, com um crescimento muito acelerado. Para transportar tudo o que é produzido no país, são necessários cerca de 30 milhões de caminhoneiros, que fazem do frete rodoviário uma opção mais barata, rápida e flexível que o transporte por trens.

Para os caminhoneiros, apesar da abundância de fretes, os ganhos são baixos. Para compensar essa pouca rentabilidade, os caminhoneiros precisam trabalhar até 20 horas por dia, e ficam em viagens direto por até 30 dias.

As viagens são tão duras, com situações tão degradantes, que alguns motoristas chegam a morrer no caminhão. Foi o caso de Ni Wanhui e sua esposa Li Chan, que viajavam por uma das estradas mais difíceis do país. Ele seguiam pela rota de Chongqing, Qinghai para o Tibete, uma estrada perigosa de 3.800 quilômetros de extensão, que passa por áreas montanhosas.

Quando foram encontrados pela polícia, os dois estavam mortos, aparentemente por hipóxia aguda, uma falta de oxigênio nos tecidos do corpo, por causa da altitude, de 4.600 metros acima do nível do mar.

Eles eram bastante conhecidos na China por causa de uma série de vídeos em uma rede social chinesa, onde contavam sua rotina. Eles tinham cerca de 214 mil seguidores.

A morte dos dois acendeu um alerta nacional por causa das terríveis condições de trabalho dos caminhoneiros chineses. Os caminhoneiros são responsáveis por cerca de 76% de todo o frete na China. O restante se divide em trens, navios e aviões.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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