Caminhões com mais de mil cavalos de potência mudaram a paisagem da cidade, que ficou lotada de público em todos os dias do evento.
“Estamos muito satisfeitos com o evento. Recebemos um público de mais de 150 mil pessoas, além de bater o recorde de participação de pilotos. Neste ano tivemos 152 inscrições”, registrou o organizador José Felisberto Pereira.
O arrancadão, que é supervisionado pela Federação de Automobilismo de Santa Catarina (FAUESC), é um sucesso maior a cada ano que passa, mas ainda precisa de evolução.
Esta edição do evento foi marcado pelo assustador acidente com o piloto Plínio Junior, de 34 anos, que perdeu o controle no final da reta de arrancada e acabou capotando.
Com a força do acidente, a cabine do caminhão foi arrancada, e o piloto arremessado para fora do veículo. Ele está internado com ferimentos graves na UTI do Hospital São José, em Criciúma-SC, com uma lesão no tórax, e está estável.
No final da reta de arrancada, de mais de 250 metros, os caminhões passam dos 110 km/h. É um esporte a motor, de alta velocidade, com veículos de alta potência e muito peso, com um agravante: É realizado numa praia, com uma pista de areia, que nunca fica sem ondulações, apesar de todo o trabalho da secretaria de obras da prefeitura da cidade.
Por isso, visando a segurança, os organizadores e a FAUESC deveriam exigir a instalação, em todos os veículos, de uma gaiola de proteção homologada dentro de todas as cabines, independente do ano de fabricação do veículo, para evitar mais acidentes com lesões aos pilotos. Vale lembrar que, há cinco anos, o piloto Edson Beber morreu na pista, em um acidente semelhante, onde a cabine do caminhão foi esmagada em um capotamento.
O Scania 111S pilotado por Plinio Junior tem cerca de 40 anos de uso, e a cabine apresenta bastante ferrugem, pontos com massa plástica, e uma estrutura comprometida pelas quatro décadas de uso.
Dentro do veículo, o piloto usava o banco original do veículo, e o cinto de segurança também original. Quando o caminhão capotou e o teto, as laterais e a parte traseira da cabine foram arrancadas, o cinto, que é preso na coluna B do veículo, atrás da porta, também foi arrancado, e por isso o piloto foi arremessado da cabine. O piloto deveria estar usando banco concha de competição e cinto de segurança de cinco pontas, presos ao chassi do veículo, com macacão de competição e capacete de alta resistência.
Além das mudanças nos veículos, a segurança no final da pista também deveria aumentar. Em todos os 250 metros da arrancada, os caminhões correm dentro de pistas com guard-rails, com barricadas de madeira e areia para evitar sair da pista e atingir o público. Porém, o final da pista é aberto, e o público se amontoa para ver os caminhões na pista. A organização deveria rever a segurança da pista como um todo.
Outras mudanças também deveriam ser adotadas, como regulamento de medidas de entre-eixos (o caminhão de Plínio Junior tem o entre-eixos encurtado em quase um metro), regulamentação de peso mínimo e máximo e outros.
Outra mudança simples a ser adotada, como o evento ocorre em uma praia, seria a adoção de uma manta anti-vazamento de óleo instalada em baixo dos motores dos caminhões. Em vários locais era possível ver a areia da praia manchada com óleo de motor.
Na questão do público, os organizadores deveriam instalar estruturas de arquibancadas, melhorando a visibilidade da pista, o conforto dos espectadores e a segurança de todos.
O evento é o maior e mais divertido, mas precisa evoluir para evitar acidentes, garantir a segurança dos pilotos, do público e do meio-ambiente.
Confira os ganhadores de cada categoria:
Toco e Truck até 320cv (injeção mecânica e eletrônica)
Cavalo Mecânico Eletrônico até 560cv (Injeção Eletrônica)
Cavalo Mecânico Toco e Truck até 560cv
Categoria Especial (Protótipos)
Força Livre
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