Entenda como se tornar um caminhoneiro nos Estados Unidos

Os Estados Unidos estão sofrendo uma crise no setor de transportes sem precedentes. É o caso também de outros países, como Canadá, Japão e a maioria dos países da Europa. O problema é mais destacado nos EUA pelos números. De acordo com um estudo do Census Boreal, um órgão de censos do governo norte americano, faltam hoje cerca de 65 mil motoristas profissionais no país. O número para os próximos dez anos pode chegar às 180 mil vagas.

Por isso, custos de transporte tem subido, transportadoras não conseguem cumprir prazos para entregas e a maioria dos setores do país já sente reflexos dessa escassez de mão-de-obra.

E mesmo com salários em alta, muitos benefícios e bonificações, não há interesse pela profissão pelos jovens, e a idade média dos motoristas atualmente é alta, com muitos caminhoneiros se aposentando todos os anos.

Como muitos caminhoneiros brasileiros entram em contato querendo saber como ir trabalhar legalmente como motorista de caminhão nos Estados Unidos, mostramos abaixo algumas formas para entrar legalmente no país, para trabalho e residência fixa no país.

O primeiro ponto e mais importante: saiba falar inglês fluentemente, e o segundo, tenha dinheiro, bastante dinheiro.

Existe um visto de trabalho específico nos Estados Unidos, chamado de EB3, que custa caro, mas pode ser tirado por quase todo mundo. O valor dele varia de US$ 20 mil a US$ 50 mil, e demora cerca de um ano e meio para conseguir a documentação.

O segundo é um visto chamado de H2B, que é custeado por empresas que decidem levar profissionais para os EUA. Para o profissional não há custo. Para as empresas o valor pode chegar a US$ 30 mil, e o visto demora até um ano para ser conseguido. Por ser tão caro, na maioria das vezes não vale a pena para as empresas, que preferem profissionais do país.

Além disso, esse visto H2B é limitado a cerca de 30 mil pessoas por ano, de todas as profissões.

Para os dois vistos acima há empresas especializadas no Brasil, que dão assistência à empresas e imigrantes.

Outro modo, mais complicado, é a obtenção do Green Card, que é dado por sorteio a imigrantes ilegais que já estejam no país por algum tempo. Ele é conhecido oficialmente como US Permanent Resident Card, e dá cidadania completa, permanente e ilimitada a imigrantes de todas as regiões do mundo. Ele é dado anualmente, por sorteio, para cerca de 55 mil pessoas de todas as regiões do mundo que imigram para os EUA. Apesar de ser um número alto, são milhões de imigrantes ilegais nos EUA, e o risco de ser deportado é grande.

O Green Card também pode ser obtido por parentesco, caso o candidato tenha um parente próximo nascido nos Estados Unidos, por investimento, caso se deseje investir mais de US$ 500 mil no país, e por casamento, quando um imigrante casa com um cidadão norte-americano.

O imigrante pode perder o Green Card caso fique mais de um ano fora dos Estados Unidos após a obtenção do documento, ou caso se constate tentativa de golpe no sistema, como casamentos forjados.

Porém, depois de entrar nos Estados Unidos e se tornar um imigrante legal, com a documentação adequada nas mãos, há mais burocracia. Quase toda a experiência profissional fora dos Estados Unidos não é válida para o país. Por isso, é necessário que o candidato passe por todo o processo para obtenção da carteira de motorista para veículos de passeio, para posteriormente conseguir ter acesso a CDL Licence, que é a carteira de motorista profissional nos Estados Unidos. O custo desse documento pode varia de US$ 2 mil a US$ 8 mil.

Também é necessário ter a ficha criminal limpa, 21 anos ou mais, passar por um teste físico e antidrogas, entre outras exigências.

Ou seja, não é um processo rápido e nem barato, já que os Estados Unidos não tem nenhum programa para importação de mão-de-obra de outros países.

Mas não é impossível, e para comprovar isso existem muitos exemplos de profissionais brasileiros bem-sucedidos nos Estados Unidos, inclusive no setor de transportes. Do total de caminhoneiros nos Estados Unidos, quase metade é de fora do país. E cerca de 11% do total de caminhoneiros imigrantes são da América do Sul.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade

Leia mais