Governo espera que Ford compense efeito de fechamento de fábrica em São Paulo

por Blog do Caminhoneiro

O governo federal considera irreversível a decisão da Ford de fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Porém, segundo Carlos da Costa, secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, a expectativa é que a empresa apresente compensações que possam mitigar os efeitos negativos da decisão não apenas no mercado de trabalho, mas também para os fornecedores que dependem das atividades da montadora americana e para a própria prefeitura da cidade.

Em 19 de fevereiro último, a Ford anunciou sua saída do segmento de caminhões na América do Sul. A medida faz parte de um processo de reestruturação global da companhia que atingiu em cheio a fábrica de São Bernardo, que também produz o Fiesta.

— A Ford tem experiência, já fechou inúmeras fábricas. Eles já fizeram projetos de requalificação, estímulo para que as pessoas afetadas pudessem abrir seus próprios negócios e parcerias com governos locais para estimular o desenvolvimento de outros segmentos da economia — disse o secretário.

Ele frisou que o governo não pretende se envolver nas negociações entre a empresa e os sindicatos. Disse que, se procurado, o Ministério da Economia poderá ajudar em ações como o mapeamento de demandas e postos de trabalho que poderiam auxiliar no reaproveitamento de trabalhadores. E ressaltou que, como uma das empresas que no passado receberam incentivos fiscais do setor público, a Ford precisa resolver essas questões.

— Até porque eles (a Ford) têm uma marca a zelar. O impacto sobre a marca pode ser muito ruim, se eles simplesmente deixarem, abandonarem a região. De maneira nenhuma nos furtamos de nossa responsabilidade como governo. Mas queríamos que eles também assumissem a responsabilidade como empresa que sempre foi apoiada pelo governo brasileiro, pela população e pela sociedade brasileira.

Carlos da Costa afirmou que, até o momento, não recebeu qualquer tipo de sinalização sobre o que a Ford fará para mitigar os efeitos negativos que afetarão cerca de 2.800 empregos, além da cadeia de fornecedores e a prefeitura de São Bernardo. Disse que não há informações, por exemplo, sobre como e quando será feita a desativação da planta.

— Em primeiro lugar, precisamos entender o que exatamente eles vão fazer, e isso ainda não está definido. Existe um cenário no qual a empresa pode ser comprada, total ou parcialmente, porque tem caminhões e automóveis. Ela pode ser fechada e a estrutura administrativa pode ser mantida ou não. Há diferentes cenários com impactos bem diversos em cada um deles — disse ele.

Queda nas exportações

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mostram que, em 2018, as vendas de caminhões registraram 76 mil unidades, uma expansão de 46,3% diante das 52 mil unidades do ano anterior. A produção encerrou o ano com alta de 27,1%: foram 105,5 mil unidades em 2018 ante 83 mil em 2017. Para a entidade, o crescimento das vendas de caminhões e máquinas agrícolas indica a recuperação da economia brasileira.

No entanto, houve um recuo de 12,7% nas exportações, como reflexo do que está acontecendo nas vendas globais do setor automotivo ao exterior. O principal fator é a Argentina, grande comprador de veículos do Brasil cuja economia ainda não se recuperou. Em quantidade, os embarques caíram 16,8%, de de 766 mil, em 2017, 629,2 mil, no ano passado.

Fonte: O Globo

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