O ASFALTO É ASSIM – Ford Cargo 6×2




Estrada, asfalto, tapete preto, pista.
Não importa qual o nome empregado.
Piso asfáltico, terra batida ou mista.
Nele, o carreteiro exerce seu reinado.

Espaço estreito em sua largura
mas sem limites em seu comprimento.
Sobre ele viagens tranquilas ou adrenalina pura.
Sempre há aventura sobre o pavimento.

Velozes picapes e carros de pequeno porte.
Ônibus levando grande número de passageiros.
Mas são os caminhões e carretas no transporte
que dominam e carregam a essência dos estradeiros.

Maurício era um desses heróis do trecho.
Corajoso e arrojado carreteiro.
Dirigindo cavalo mecânico com terceiro eixo.
Puxando semirreboque graneleiro.

Maurício traz no rosto sorriso largo.
Vidros abertos, sente o vento na face.
Ao volante, comanda bonito Ford Cargo.
Como anda, difícil quem o ultrapasse.




Quatrocentos e vinte cavalos domados
estão sob controle de Maurício.
Já rodou por quase todos os Estados.
Para ele, viver na estrada não é suplício.

Á beira do asfalto se vê de tudo um pouco.
Quiosques, barracas e caroneiros.
Na pista, caminhões truck e também toco.
Levando nas costas as necessidades dos brasileiros.

No semirreboque ou na carroceria
é levado todo tipo de carregamento.
Matérias-primas para o dia-a-dia.
Produtos acabados e alimento.

Havia naquele trecho ponto de ônibus
e o céu escuro se mostrava ameaçador.
Raios lançavam rápido brilho de luz.
Vento forte não dissipava o calor.

Os primeiros pingos molharam o pára-brisa
Maurício parou o bruto sem muito custo.
A jovem assustada pareceu indecisa.
Vendo aquela imensa carreta levou um susto.

O carreteiro abaixou o vidro lateral
e disse que a jovem não tivesse medo.
Parou pois se aproximava um temporal.
Para o alto ele apontou o dedo.

Disse que oferecia uma carona.
Aceitar, ficava a seu inteiro critério.
A jovem era encantadora, uma bela dona.
Corpo sedutor e um doce ar de mistério.

Apesar de estar meio desconfiada
a jovem tratou de entrar na boleia.
A chuva já caia e ficaria toda molhada.
De imensa beleza, Maurício teve ideia.

Perguntou qual era o destino da moça.
Iria a Jandaia do Sul cidade do interior.
Na pista surgiu enorme poça.
Na chuva, o Cargo mostrava seu valor.

Após fazer as apresentações,
Maurício soube que ela se chamava Luciana.
A sua vida não tivera muitas emoções.
Parecia uma menina bacana.

Conversavam animadamente aquele casal.
Seguia pela pista aquele cavalo robusto.
Luciana possua beleza acima do normal.
Maurício de relance olhava seu busto.

Luciana parecia levar uma vida pacata
e pelo que contou tivera boa criação.
Maurício ao volante d bruto cara chata
fazia suave e cuidadosa condução.

Pararam no restaurante para almoço
enquanto o Ford Cargo era abastecido.
Luciana simpatizara com aquele moço.
Homem honesto, trabalhador e comedido.

Após o almoço a moça saiu para fora
e Maurício foi pagar o abastecimento.
Ao olhar no pátio o que viu naquela hora,
Luciana assediada por homen violento.

A moça agarrada pelo braço
tentava se libertar do agressor.
De repente potente punho de aço
causou naquele homem muita dor.

Mas o que não esperava o Maurício
era que outros homens o acompanhavam.
Para o rapaz seria imenso suplício.
Quatro homens agora o cercavam.

Maurício se pôs na defensiva
mas não fugiria como um covarde.
Ao ser atacado, ação foi decisiva.
Para tentar escapar agora era tarde.

Contudo, disparo de arma de fogo
dissipou grupo de homens que estavam na mira.
Luciana com revólver virou o jogo.
Mirava naquele que covardemente a agredira.

Convidou Maurício a saírem daquele lugar.
O carreteiro aceitou prontamente.
Luciana se mantinha pronta para atirar.
O Ford Cargo partiu dali rapidamente.

O carreteiro olhou para a jovem assustado.
Suas ações não correspondiam ao que disse.
Sabia atirar a jovem com jeito doce e delicado.
Não acreditaria se pessoalmente não visse.

Luciana disse que nãos estavam seguros
enquanto não fizessem a uma boa distância.
Desculpou-se por colocar Maurício em apuros.
Aquele homem era antigo namorado de infância.

Por ela tinha verdadeira obsessão
mas escolhera caminho errado a seguir.
Por roubo e assassinado já estivera na prisão.
Mas pelo jeito, de lá conseguira fugir.

No cavalo mecânico mandou a bota
mas no semirreboque, pesado fardo.
Seguindo o trajeto mantinha a rota.
Como andava seu Ford Cargo.

Mas um carro em velocidade alta
que Maurício identificou sendo um Opala
aproximava-se e de potência não tinha falta.
Homens a bordo com armas mandando bala.

Os homens atiravam sem dó
atingindo o semirreboque graneleiro.
Naquela pista o Ford Cargo rodava só.
o que poderia fazer o carreteiro?

Na tentativa de ultrapassagem
Maurício não deixa e fechou a porta.
Não dar ao Opala a passagem
naquele momento é o que importa.

Mas os criminosos, homens astutos
acostumados a assaltar caminhoneiros
Tentariam parar Maurício a todo custo.
Não tinham hábito de deixar prisioneiros.

Conseguiram ludibriar o carreteiro
e se colocaram na dianteira.
Um deles fez disparo certeiro.
Atingiu o ombro da passageira.

Ela soltou um grito de dor.
Aquilo parecia cena de bang-bang.
Mauricio acelerava seu caminhão-trator.
Ela tinha a manga da blusa banhada em sangue.

Outro disparo pegou a camisa em uma dobra
e Maurício sentiu o calor do projétil.
O carreteiro ziguezagueava feito uma cobra.
A carreta parecia nervoso réptil.

Luciana entregou o revólver a Maurício
que o segurava tendo uma mão no volante.
Era uma loucura, parecia um hospício.
Do revólver disparo saiu naquele instante.

Fragmentou-se vidro traseiro do Opala
e um dos bandidos atingido por estilhaço.
Criminosos assustados perderam a fala,
vendo rápida aproximação do cavalo de aço.

O trinta e oito na mão de Maurício
no carro fez mais um estrago.
O carreteiro enfrentava aquele suplício.
Com aqueles homens não teria afago.

O carro rodou e saiu da pista
capotando de maneira espetacular.
Explosão por Maurício nunca vista
com aqueles criminosos acabou por matar.

Livre daquela louca perseguição
Maurício olhou a jovem ensanguentada.
A ela teria de dar toda a atenção.
No hospital, bem rápido ser levada.

Adentrou a primeira cidade que viu
e preocupado ainda olhava o espelho.
Por uma larga avenida seguiu.
Buzinando, furou um sinal vermelho.

Chegou ao pequeno hospital
e Luciana ali foi bem recebida.
No centro cirúrgico levada afinal.
Corria algum risco a sua vida.

O carreteiro deu todo o amparo
e ficou até ser levada ao leito.
Aquele incidente lhe custaria caro.
Mas Maurício sabia que agira direito.

A polícia chegou ao hospital
pois ferimento à bala era notificado.
Maurício contou do acidente fatal
e que por homens maus fora atacado.

Após todas as explicações
Disse a Luciana que teria de ir embora.
Com ela tivera muitas emoções.
Mas para chegar, a carga tinha hora.

Luciana perguntou dando um sorriso
se voltaria a ver aquele carreteiro corajoso.
Maurício disse que faria o que fosse preciso
e de revê-lá também estava desejoso.

Após dois meses desses fatos ocorridos
Luciana estava praticamente recuperada.
Maurício defendeu-a daqueles bandidos
Agira com coragem e se mostrara pessoa honrada.

Dessa história esse foi o desfecho
e o final foi feliz no fim.
Luciana foi com Maurício para o trecho.
O asfalto é assim.

Texto de Roberto Dias Alvares