Nova proposta para tabela de fretes sofre críticas de caminhoneiros e empresários




A nova metodologia para cálculo de fretes mínimos apresentada em audiência pública nesta terça-feira atraiu críticas de caminhoneiros e empresários, em uma sessão lotada e tensa, na qual ficou claro que há ainda muitos pontos a serem equacionados antes que o setor de transporte do país possa afastar ameaças como greve de motoristas.

A metodologia foi desenvolvida pela Esalq-Log, da USP, e recebeu inscrições para manifestação oral de mais de 50 pessoas na audiência pública realizada na cidade de São Paulo. A reunião foi a segunda de uma série de quatro, antes que a nova tabela de pisos mínimos de frete entre em vigor em 20 de julho. As audiências têm como objetivo recolher sugestões para eventual inclusão na metodologia pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). As próximas serão em Porto Alegre, na quinta-feira, e Brasília, em 23 de maio.

Caminhoneiros autônomos, sindicalistas, empresários de transporte, representantes de entidades de agronegócio e do setor industrial participaram do evento. Enquanto os motoristas citaram questões como dificuldades geradas pela ação de atravessadores de carga e os constantes reajustes no preço do diesel pela Petrobras, o setor privado mencionou ilegalidade do tabelamento, problemas para a produtividade e imposição de custos indevidos.

Em sua fala, o economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan, afirmou que os valores de frete calculados pela tabela da Esalq são menores do que os tabela atual, o que comprovaria que as empresas estão sendo obrigadas a pagar mais pelo frete desde a implementação do tabelamento, em meados do ano passado.

Por conta disso, Furlan defendeu anistia de multas para empresas que desrespeitaram a regra vigente. “Foi imposto custo real, inaplicável, e por isso não faz sentido punir as empresas”, disse Furlan, recebendo uma sonora salva de vaias de representantes de caminhoneiros.

O vice-presidente da Associação dos Caminhoneiros do Sul Fluminense (Acasulf), Nelson de Carvalho Jr., também entendeu que a metodologia proposta pela Esalq-Log resulta em preços mínimos de frete abaixo dos estabelecidos pela regra atual.

“É pior que antes da greve”, disse ele, referindo-se à paralisação dos caminhoneiros de maio do ano passado. “E com o diesel sendo reajustado várias vezes, fica inviável”, acrescentou. Ele citou que a entidade representa cerca de 1.000 motoristas autônomos e não está defendendo declaração de greve de caminhoneiros antes do fim das audiências e da definição final da tabela. “Estamos segurando porque tem as audiências, mas tem muito caminhoneiro que não aguenta esperar até julho”, disse ele.

Os reajustes da Petrobras, contudo, estão mais espaçados. Neste mês, foi realizado apenas um, de 2,57%, e em abril também o combustível foi reajustado uma única vez, em 4,8%, uma prática diferente do que motivou os protestos de maio do ano passado, quando as atualizações eram feitas quase que diárias.

Desafios

As dificuldades para tabelar o frete são inúmeras, segundo as manifestações na audiência. Enquanto a equipe da Esalq montou uma matriz com 11 tipos de carga, incluindo granéis sólidos e líquidos, frigorificadas e perigosas, representante da Câmara Técnica de Granéis e Sólidos (CTGS) lembrou de cargas que são descarregadas pressurizadas, uma atividade que roda 1 bilhão de quilômetros por ano e consome anualmente 50 milhões de litros de diesel.

“Estamos tentando trazer uma contribuição para este segmento, para se definir estruturas de custo… É um trabalho de natureza incremental, não vai se resolver até 20 de julho”, disse o coordenador da Esalq-Log, José Vicente Caixeta, que apresentou a metodologia nesta terça-feira.

Ele se referiu a outros dois ciclos de revisão da metodologia, com os próximos no início e meados do ano que vem.

Caixeta afirmou que a proposta não considera lucro dos transportes e despesas como pedágio e tributos. “Existe abertura para negociação entre ofertantes e demandantes de carga”, disse ele.

A metodologia considera caminhões com dois a nove eixos e define valor mínimo de frete de acordo com o tipo de carga por meio de uma equação que tem como variáveis a distância a ser percorrida pela carga e custos fixos e variáveis do deslocamento.

Mas houve pedidos para consideração do peso da carga no cálculo, mencionado por empresário do setor de asfalto do sul do país, e reclamações como a do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), que citou que a tarefa de atravessar a Serra do Mar saindo de Santos eleva o consumo de combustível dos veículos que carregam contêineres.

Do lado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Betancourt, diretor da área de agronegócio da entidade, afirmou que a “história mostra que tabelamento nunca deu resultado. O trabalho da Esalq-Log é excelente, mas não existe como controle de preços dar certo. São mais de 10 tabelas, 38 variáveis, isso dá conflito”.

“Defendemos que vocês (caminhoneiros) se unam a nós no apoio às reformas econômicas, porque não adianta tabela com preço bom e não ter frete”, disse Betancourt. “Para caminhoneiro ganhar dinheiro, precisamos voltar a crescer.”

E, para além da tabela, o diretor da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) Markenson Marques cobrou a aprovação do marco regulatório do transporte rodoviário, que está no Senado desde meados do ano passado.

“A tabela não resolve… O que resolverá é o marco regulatório, como é que existem no país 145 mil empresas transportadoras? O marco vai combater a concorrência desleal”, disse ele, citando transportadoras de fachada, que agem mais como intermediárias contratando autônomos a preços irrisórios para transporte de cargas de grandes companhias.

Fonte: Época Negócios




9 comentários em “Nova proposta para tabela de fretes sofre críticas de caminhoneiros e empresários

  • 18/05/2019 em 14:14
    Permalink

    Quando se trata de resolver para nós ,vejo que é muito blá blá blá e não se chega a lugar nenhum,ficam colocando obstáculos para nos enganar. Já chega de história.

  • 18/05/2019 em 12:53
    Permalink

    Meus companheiros autônomos o governo tem que acabar com as empresas fantasmas que são os atravessadores de fretes, quanto a tabela mínima de fretes é política vergonhosa do governo sou autônomo a mais de 40 anos e nunca tivemos está palhaçada minha opinião deixe os autônomos negociarem os fretes com os donos da carga só estão nos enrolando já faz um ano e não se vê resultados vamos nos abracar vamos a greve sem patrão e sindicatos um forte abraço do bode meu apelido ok

    • 18/05/2019 em 17:17
      Permalink

      caminhoneiro que nao lutam por seus direitos e carregam abaixo da tabela de preços mínimo e defende este governo fdp tem mais é que sifu para deixarem de serem analfabetos politicos e servirem de massa de manobra.

  • 18/05/2019 em 08:55
    Permalink

    Eles falam que a tabela de frete, tira o direito de negociação, negativo, pelo contrário ela apenas defende a exploração práticas de frete MENORES, que o suficiente pra pagar os custos e despesas de uma viagem. Entretanto ainda está ocorrendo, fretes que não estam sendo pago conforme a tabela, e esse sim, o caminhoneiro autônomo não está podendo negociar, pois o tomador do serviço alega FRETE RETORNO, e outro ponto ainda muito grave é que o valor recebido, o caminhoneiro não consegue ao menos pagar todas as despesas da viagem.

  • 18/05/2019 em 08:29
    Permalink

    O dia que motorista OTÁRIO deixar a carga barata parada o preço aumenta.
    Parar de pegar frete retorno ( dar carona pra carga ).
    A culpa é só dos motoristas , de mais ninguem , a maioria e frouxo fica pegando carga barata

  • 18/05/2019 em 07:08
    Permalink

    Fecha essas transportadoras que nem tem caminhão (só usa o nome pra roubar dia autonomos) E cria um mecanismo para que o autônomo possa retirar a carga direto com o embarcador que acaba esse problema.
    Ah ja ia esquecendo. Fecha esses pedágios de São Paulo que são um assalto com mais desarmadas. Vergonha esses valores.
    Pronto falei.

  • 18/05/2019 em 06:21
    Permalink

    Bom dia tem deixar de balela com tabela de frete vai fica so na briga e so o diesel almentando valor,segredo e abaixa o dieselgoverno tem svirar pra abaixar tabela e so barrigada pra ganhar tempo

  • 17/05/2019 em 19:52
    Permalink

    Caminhoneiros! Vocês estão sendo enganados, isso tudo só vai ser resolvido com outra greve, e n uma simples greve de 11 dias, vamos parar o país por 30 dias! Sei que o prejuízo de muitos motorista será alto nesse mês parado, mas o prejuízo dessas empresas exploradoras será bem maior, temos que dar prejuízo para que eles vejam o nosso também. “Estamos tentando trazer uma contribuição para este segmento, para se definir estruturas de custo… É um trabalho de natureza incremental, não vai se resolver até 20 de julho”, disse o coordenador da Esalq-Log, José Vicente Caixeta. Esse Caixeta já deixou claro que o plano é continuar enrolando a classe que carrega o Brasil nas costas. A HORA DE PARAR É AGORA!

    • 18/05/2019 em 11:18
      Permalink

      Parabéns amigo pelo seu comentário
      Falou tudo é isso que está acontecendo

Fechado para comentários.