Startup quer movimentar R$ 540 mi em cargas oferecendo “uber” de caminhoneiros




Carga parada no pátio e caminhão voltando vazio para casa. Essa situação está prestes a acabar se depender dos esforços realizados pela Fretefy, uma startup curitibana que colocou no mercado um aplicativo que vem chamando de “uber” do transporte de cargas. A empresa pretende, até o final deste ano, movimentar R$ 540 milhões em fretes usando esse sistema.

A lógica é a mesma do transporte de passageiros. Empresas interessadas em enviar seus produtos selecionam, através do app, a transportadora que melhor se adequa a seus objetivos.  Usando algoritmos que filtram a localização das cargas, dos motoristas e o tipo de produto a ser transportado – refrigerado, carga viva, entre outros – o aplicativo consegue conectar as partes interessadas e aperfeiçoar a logística.

As semelhanças com o Uber, no entanto, param por aí. Isso porque, a partir dessa seleção, as transportadoras passam a usar o Fretefy também como uma ferramenta administrativa. “Muitas transportadoras, quando recebem um pedido, sequer conseguem analisar quais os caminhões que estarão disponíveis em seu pátio, em determinada data”, explica o diretor executivo, Gilmar Pertile.

“Com o aplicativo damos essa ferramenta de gestão, com inteligência para selecionar o perfil do que será transportado, aumentando a eficiência logística e reduzindo custos para toda cadeia”, ponta Pertile.

Com o Fretefy , as transportadoras também têm à sua disposição o mesmo mecanismo de procura para motoristas terceirizados – autônomos que podem realizar serviços de cargas específicas e reforçar a equipe, para demandas que exigem uma frota maior.

Em entrevista, o diretor executivo da Fretefy explicou como pretende expandir suas operações para todo o território nacional, mesmo estando de porta abertas apenas há sete meses.

Se a ideia é simplificação, por que não conectar empresas direto aos caminhoneiros autônomos?

Sabemos que o mundo adoraria ter essa ligação direta, entre empresa e motoristas. No Brasil, ainda mais, pois representaria uma importante redução de custos. Acredito que estamos caminhando para desenvolver esse caminho e a Fretefy tem a tecnologia para isso. Mas não é apenas uma questão de desenvolvimento tecnológico. Na área de fretes existe uma legislação, documentos e exigências, inclusive com o seguro das cargas, que tornam essa cadeia complexa e o papel das transportadoras como intermediadoras, necessário.

O aplicativo está disponível para todo território nacional?

Estamos trabalhando em uma expansão no modelo de espiral. Não basta ter o aplicativo na região, temos que aumentar a área de atuação junto com o número de embarcadores, autônomos e as transportadoras. Precisa ser um crescimento proporcional e trabalhado com equilíbrio. Então esse é o motivo porque hoje operamos basicamente na região Sul e São Paulo. Mas, para os próximos meses, a ideia é fortalecer a nossa presença no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Hoje contamos com 70 empresas operando em nossa base e nossa previsão de crescimento está em torno de 20% ao mês.

É uma projeção alta, somada aos R$ 540 milhões a serem transportados até o final do ano.

Sim, mas nosso modelo permite isso. Hoje trabalhamos totalmente online, vendendo licenciamentos do aplicativo por mês, com taxas que variam de acordo com o volume de carga. Estamos preenchendo uma lacuna no mercado, que até então não tinha um aplicativo que usasse inteligência de forma eficaz. Hoje o caminhoneiro já consegue sair de Curitiba e ir para Porto Alegre, sabendo qual vai ser sua carga na volta. Antes era preciso chegar na cidade de destino e tentar arranjar alguma coisa. Nosso interesse e capacidade é juntar toda a cadeia logística e oferecer outras soluções, como por exemplo, os pagamentos digitais, entrando no mercado de fintechs – os bancos digitais – e dando soluções financeiras principalmente para os caminhoneiros autônomos.

Como vocês estão se preparando para esse crescimento?

Hoje a empresa conta com três acionistas e a projeção de investimentos para esse ano é da ordem de R$ 4 milhões.  Para se ter ideia, estamos com 15 vagas de emprego abertas com salários que vão até R$ 10 mil, em áreas de desenvolvimento, vendas, comercial, entre outros. Os contatos podem ser feitos através do site oficial da empresa. A ideia é dobrar nosso time de de 16 para 40 colaboradores e montar em São Paulo, até o final de 2019, uma grande operação de vendas.

Fonte: Gazeta do Povo




2 comentários em “Startup quer movimentar R$ 540 mi em cargas oferecendo “uber” de caminhoneiros

  • 06/07/2019 em 15:05
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    Agora temos frete ruim pra ir e frete retorno só pra livrar o óleo, se o aplicativo der certo só terá frete retorno! Não tem medo de se chamar o ‘Uber das cargas ‘ aplicativo que escraviza o coitados de grandes cidades ( vender pano de chão no semáforo é mais digno e lucrativo)

  • 06/07/2019 em 10:25
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    Redução de custos para o transportador o autônomo continua na mesma mesmice e ainda pior . A reportagem em si já diz o caminhoneiro voltando pra casa vazio . Aí vamos pagar qualquer esmola que o infeliz vai aceitar . Aí fica tudo lindo o fretefy ganha créditos a transportadora lucra mais ainda . E o pobre coitado faz um serviço quase de graça pra quem já é gigante. Daqui uns dias os anúncios de frete serão assim . TEMOS CARGAS PRA QUEM TA VOLTANDO PRA CASA .A reportagem diz o cara sai de Curitiba pra Porto Alegre e já sabe o frete vindo logicamente mais barato pois ele tá voltando pra casa .e o caminhoneiro de Porto Alegre o que faz pra ir pra Curitiba?

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