O EMBLEMÁTICO CHEVROLET SPARTAN

por Blog do Caminhoneiro

Naquela grande madeireira
que usava madeira de reflorestamento
conseguia manter-se dessa maneira
em avançado desenvolvimento.

O proprietário do empreendimento
chamava-se senhor Alan.
Para ele trouxe carregamento.
Cheguei um dia de manhã.

Trazia no lombo do meu bruto
um moderno trator de esteira.
Tenho pouco estudo mas sou astuto.
Cumpro a missão nessa terra brasileira.

Senhor Alan ficou milionário
graças a sua empresa, isso era notório.
Foi um empreendedor extraordinário.
Para receber fui a seu escritório.

Ao entrar e cumprimentá-lo,
na parede uma foto de seu clã.
Vi ali dentro um antigo cavalo.
Era um lendário Chevrolet Spartan.

Perguntei por curiosidade
O que fazia ali o antigo caminhão?
Respondeu-me dando suspiro de saudade:
“Tenho por esse bruto respeito e gratidão”.

“Nestas terras fui um dos pioneiros
e ajudei a desbravar o sertão.
A chegar no Estado, um dos primeiros.
Fiquei rico graças a este caminhão”.

“Comprei este cavalo importado
de uma empresa americana no Brasil”.
“Cabine dupla e também trucado.
Para meus objetivos ele serviu”.

“Quando cheguei ao Paraná
o desmatamento era liberado”.
Araucária, cedro e jacarandá.
O machado não ficava parado.

“No cavalo mecânico Chevrolet Spartan
puxei muitas toneladas de toras”.
“Eixos traseiros traspassados por um cardã.
Trabalhava e nem via passar as horas”.

Levava aquelas toras gigantescas
No lombo do semirreboque madeireiro.
Cruzando aquelas matas pitorescas.
O Chevrolet Spartan era um guerreiro.

Sol, chuva, frio e calor,
cortando estrada de terra, poeira e lama.
Chamava o bruto no acelerador.
“Logo meu caminhão ganhou fama”.

Em atoleiros não ficava preso.
Em estrada de terra ia com desenvoltura.
À noite em meio a mata com farol aceso
encarava mais uma viagem dura.

Onde não havia pontes, mostrava rudeza.
disposição do Chevrolet Spartan era a mesma.
Riacho ou rio, encarava a correnteza.
Acima do peso não era lento como uma lesma.

“Acabei comprando a madeireira
e assim fui fazendo minha fortuna”.
“Comprei caminhões e trator de esteira.
Casei com minha esposa Luna”.

Concluiu essa narrativa
com emoção estampada no rosto.
O Chevrolet Spartan continuou na ativa.
Vê-lo ainda trabalhando dava gosto.

Depois de trabalhar anos a fio
naquelas estradas rodando manso
senhor Alan então decidiu
dar ao Chevrolet Spartan um descanso.

Ele só saia do local coberto
dirigido pelo senhor Alan.
Rodava somente ali por perto.
Matava a saudade do Chevrolet Spartan.

Depois de me contar essa epopeia
vivida por ele e por aquele caminhão.
De tanto sacrifício tive uma ideia.
Trabalhar com prazer dá satisfação.

Roberto Dias Alvares

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