Novos caminhões FNM elétricos estão em fase de homologação

por Blog do Caminhoneiro

A Fábrica Nacional de Mobilidades, a nova FNM, que trabalha no desenvolvimento de uma linha completa de caminhões elétricos, desde modelos leves até os semipesados, com autonomia entre 100 a 700 km, dependendo da faixa de utilização do veículo, anuncia que os modelos estão em fase de homologação junto ao Denatran.

Esse processo de homologação, após o nascimento de um novo veículo, pode levar vários meses, e é feito pelo Denatran, Ibama e Inmetro, por exemplo, conforme a categoria que o veículo se enquadra.

São realizados diversos testes, e também uma série de avaliações dos componentes isolados do veículo, para que os órgãos tenham certeza que o veículo cumpre todas as determinações das leis de trânsito, leis ambientais, entre outros.

De acordo com a empresa, os caminhões em fase de homologação estão passando em todas as exigências dos órgãos competentes, na série de avaliações que é realizada no Centro Tecnológico da Randon, em Caxias do Sul.

Produção e vendas

Os caminhões devem começar a ser produzidos a partir do final deste ano, ou no início de 2022, e várias empresas já realizaram encomendas expressivas dos modelos produzidos pela FNM elétricos, em parceria com a Agrale.

No começo deste ano, como noticiado com exclusividade pelo Blog do Caminhoneiro, os novos caminhões FNM elétricos já tinham cerca de 7 mil unidades em fase avançada de negociação, sendo mil unidades vendidas, em negócio já confirmado, para a Ambev. Além dos caminhões, a Ambev também adquiriu vans elétricas, modelos ainda em desenvolvimento pela FNM.

Novos modelos

A nova FNM anunciou, inicialmente, a produção de dois modelos de caminhões elétricos, que fazem parte de uma gama que está sendo expandida gradativamente. Além dos modelos 832 e 833, com Peso Bruto Total de 14 e 18 toneladas, respectivamente, em versões 4×2, a empresa já havia anunciado a produção de vans elétricas, com PBT de 3,5 e 6,5 toneladas, batizadas de 837 e 838.

Agora, conforme adiantado ao Blog do Caminhoneiro, a linha também vai contar com o modelo 831, sendo um caminhão leve, com 10 toneladas de PBT, e com o modelo 836, com PBT de 23 toneladas, sendo esse em versão 6×2, derivado do caminhão semi-pesado 14000 S, produzido pela Agrale.

Parceria com a Agrale

Para acelerar o desenvolvimento dos veículos, a FNM Elétricos fechou um contrato com a Agrale de junção tecnológica, onde a tecnologia de propulsão elétrica FNM é inserida na tecnologia dos caminhões Agrale, que fornece chassi, cabine e outros componentes para a FNM.

A Agrale é uma empresa com mais de 60 anos de história na produção de caminhões, ônibus, tratores e motores, e irá fabricar os caminhões FNM Elétricos em sua Unidade 2, em Caxias do Sul-RS.

Potência elétrica

As versões 832 e 833 são equipadas com com um motor elétrico de 350 cavalos de potência e 3.500 Nm de torque, que é acoplado à uma caixa de câmbio de duas marchas, que funciona como uma redução. Do câmbio para trás, o modelo usa cardã e diferencial iguais ao de caminhões diesel.

Todo o torque do modelo é entregue já na primeira rotação do motor, o que garante uma aceleração muito forte, mesmo com o caminhão carregado.

Todos os sistemas do caminhão são gerenciados por uma tecnologia chamada de Avionics, que também é usada em aviões, satélites e até foguetes espaciais, e que garante o melhor aproveitamento do veículo durante a operação, analisando a todo instante as informações de carga, tipo do trajeto, topografia e etc. Como a carga na carroceria do veículo vai sendo reduzida no decorrer do dia, o sistema faz o gerenciamento para que a potência não seja entregue em excesso, garantindo maior autonomia e evitando desperdício de eletricidade.

Preço

O valor do caminhão não é uma constante. Para vender os veículos, a FNM Elétricos realiza um estudo completo da operação dos clientes, construindo os veículos de acordo com as necessidades de cada um. Isso garante o melhor preço para o veículo e também que o Custo Total de Propriedade (Total Cost of Ownership ou TCO) seja positivo para a operação.

Dirigindo

A primeira diferença para um caminhão diesel é o barulho. Praticamente não existe nenhum som emitido pelo veículo. Apenas um leve zunido se ouve com a aceleração.

Ao embarcar no caminhão, o painel tradicional foi substituído por uma tela, que mostra todas as informações necessárias do veículo e também destaca a carga da bateria, que estava em 90% no teste que realizamos.

A autonomia do caminhão desenvolvido para a Ambev é de 100 quilômetros, mas a FNM Elétricos pode construir modelos com até 700 km de autonomia. O que define isso é o tipo de operação que o caminhão irá realizar. Como os caminhões da Ambev tem rotas diárias de 60 quilômetros em média, os 100 km de autonomia das baterias é mais que suficiente para um dia inteiro de operação normal.

O caminhão é equipado com um motor elétrico de 350 cavalos de potência e 3.500 Nm de torque, que é acoplado à uma caixa de câmbio de duas marchas, que funciona como uma redução. Do câmbio para trás, o modelo usa cardã e diferencial iguais ao de caminhões diesel.

O acionamento da marcha é simples. Com o pé no freio, o motorista muda o seletor para a posição Drive, e já pode dirigir, a seleção da marcha no câmbio é feita de forma automática. Há também a posição Neutro e Ré, que também são selecionadas facilmente.

Ao pisar no acelerador, um leve toque é suficiente para movimentar o caminhão, mas a aceleração é mais forte que a de um caminhão diesel, já que todo o torque do motor é entregue logo na primeira rotação do motor. Se o motorista pisar fundo, o caminhão consegue acelerar mais que muitos carros populares, mesmo carregado.

Apesar da força do motor, o sistema é gerenciado por uma tecnologia chamada de Avionics, que também é usada em aviões, satélites e até foguetes espaciais, e que garante o melhor aproveitamento do veículo durante a operação, analisando sem parar as informações de carga, tipo do trajeto, topografia e etc. Como a carga na carroceria do veículo vai sendo reduzida no decorrer do dia, o sistema faz o gerenciamento para que a potência não seja entregue em excesso, garantindo maior autonomia e evitando desperdício de eletricidade.

O freio do caminhão é a ar e a direção é hidráulica, como em outros caminhões, e garantem segurança ao veículo. Uma diferença é que o compressor de ar trabalha de forma muito silenciosa, e não se houve nada de dentro da cabine.

Apesar do freio a ar ser muito eficiente nos caminhões, o FNM Elétrico conta ainda com o freio regenerativo, que recarrega as baterias e segura o caminhão apenas com o motor elétrico. Com o caminhão sem carga, como no teste que o Blog do Caminhoneiro efetuou, é possível parar o caminhão sem tocar no freio de serviço.

O caminhão ainda recebe uma tela multimídia no console central, que pode ser usada para acessar a internet, GPS e outros, e, no caso da Ambev, receberá outra tela que será conectada à operação da empresa, e será instalada na parte superior do para-brisa.

Como o FNM 833 usa a base da cabine dos caminhões Agrale, a visibilidade da cabine é muito boa, e os bancos oferecem conforto para a operação de distribuição urbana. Por ser simples e para operação urbana, não existe cama na cabine.

A tara do caminhão, com as baterias e carroceria, é de cerca de 7,5 toneladas, garantindo capacidade de 10,5 toneladas de carga.

O carregamento das baterias pode ser feito com 380 volts industrial, com um carregador até 10 vezes mais barato que um modelo dedicado de alta voltagem.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

1 comentário

Carlos Patrezi 26/06/2021 - 17:24

Qual a velocidade que esse caminhão pode alcançar?
Está sendo desenvolvido para a cidade ou para uso misto, cidade / estrada e caso de zona rural??

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