De acordo com a Daimler, o caminhão diesel da Benz, que posteriormente se fundiria com a Daimler, fundando a Daimler-Benz, era movido por um modelo OB 2, a diesel, de quatro cilindros, e potência de 45 cavalos a 1.000 RPM.
Na comparação com os modelos a gasolina da época, o ganho em eficiência foi impressionante. De acordo com documentos da época, o caminhão alcançava uma economia de 86% na comparação com um modelo semelhante movido a gasolina.
O motor diesel OB 2 começou a ser desenvolvido em 1922. A apresentação oficial aconteceu em setembro de 1922, com dez motores construídos para os testes.
Os primeiros testes em estradas foram realizados em setembro de 1922, na região montanhosa próxima à cidade de Gaggenau, na Alemanha.
De acordo com um engenheiro da época, o consumo de combustível era impressionante, sendo 25% mais barato quando abastecido com óleo de alcatrão. Na época, o custo do óleo era bem menor que o da gasolina. Além disso, o caminhão poderia ser abastecido com diesel, querosene, óleo do Texas ou óleo de parafina.
O caminhão equipado com o novo motor ciclo diesel era um Benz 5K3, que podia transportar até 5 toneladas de carga. Devido aos resultados promissores dos testes, os novos motores OB 2 foram colocados em produção a partir de 14 de abril de 1923. Com a instalação de uma pré-câmara de combustão, o motor chegava a produzir 50 cv de potência.
Já a Daimler iniciou a produção de um motor diesel para operações comerciais e agrícolas em 1911. O produto final da Daimler era um motor diesel de quatro cilindros, com 40 cavalos de potência, que foi testado em setembro de 1923, em viagens de longas distâncias.
Em 1926, as duas empresas se fundiram, formando a Daimler-Benz AG, e o motor da Benz prevaleceu. Dele, foi originado o primeiro motor OM, chamado de OM 5, com seis cilindros, 8,6 litros de cilindrada e 75 cavalos de potência, sendo apresentado em 1927. A sigla OM significa Ölmotor, uma palavra que significa motor a óleo.
O primeiro caminhão equipado com esse motor foi o Mercedes-Benz L-5, que saia de fábrica com o OM 5, com 70 cavalos de potência, ou com um motor a gasolina, o M 36, com 100 cavalos de potência. Com esse modelo, a Mercedes-Benz começou a quebrar o ceticismo dos clientes em relação ao uso do diesel em caminhões.
Como toda novidade tecnológica, o uso de motores a diesel enfrentou muitas críticas no início. Principalmente, porque esse tipo de motor era mais barulhento e também mais forte, com um funcionamento mais “arisco” que o de motores a gasolina.
No final de 1928, o Royal English Automobile Club concedeu à Daimler-Benz AG o Troféu Dewar, que era concedido anualmente para empresas que se destacavam no campo da construção de veículos motorizados.
Para ampliar a divulgação, o novo caminhão diesel foi levado em uma viagem promocional por toda a Alemanha, passando por diversas regiões do país, e os concessionários e vendedores da Daimler-Benz receberam informações sobre os benefícios dos novos modelos.
Caminhões diesel também foram cedidos a transportadores da época e outros interessados, para test-drives. Com a crescente divulgação realizada pela empresa, jornais e revistas, até de fora da Alemanha, passaram a divulgar os detalhes da inovadora tecnologia de acionamento de motores, o diesel.
Se não fosse esses esforço da Daimler-Benz naquela época, como seria o transporte rodoviário de cargas hoje em dia?
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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