As informações foram publicadas recentemente pelo jornal norte-americano New York Post, que diz que algumas empresas já criaram divisões de “aluguel” de caminhoneiros. Esse tipo de empresa fornece mão de obra temporária, principalmente para grandes redes varejistas, garantindo aos motoristas salários melhores do que receberiam se trabalhassem diretamente para a empresa.
Como a maioria desses caminhoneiros trabalham fora do seu estado de origem, as empresas pagam até bons hotéis para eles ficarem no tempo que estão trabalhando para elas.
“Nunca em nossos sonhos mais loucos imaginamos que faríamos isso – colocar pessoas em hotéis para trabalhar para nós”, disse Christopher Pappas, executivo-chefe da Chefs’ Warehouse, uma fornecedora de alimentos para restaurantes e hotéis.
A Chefs’ Warehouse recorreu à empresa Regional Supplemental Services, que, por sua vez, contratou motoristas de caminhão do Alabama para trabalharem na região de Nova York.
O salário pago é de US$ 20 por hora, e os caminhoneiros chegam a trabalhar até 12 horas diariamente, podendo receber salários na casa dos US$ 3 mil por semana.
O dono da empresa de recrutamento de caminhoneiros Regional Supplemental Services, disse que o telefone dele não para. Todos os dias, ele recebe ligações de algumas das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, pedindo motoristas urgentemente, principalmente para o transporte de itens perecíveis. A indústria de alimentos é a que mais tem enfrentado a escassez de motoristas, já que os caminhoneiros, além da longa jornada e tempo fora de casa, muitas vezes precisam descarregar os veículos.
Sistemas de emprego online oferecem vagas com salários de US$ 2 mil por semana, alguns muito acima disso, além de um bônus de contratação. Uma empresa, por exemplo, oferecia US$ 15 mil de bônus para motoristas com experiência e sem histórico de acidentes, pagos no ato da contratação. Nesses casos, geralmente o contrato mínimo é de um ano.
Essa falta de motoristas está fazendo os produtos nos mercados subirem de preço, com uma alta média de 7%. Geralmente, de um ano para o outro, o preço dos produtos sobe menos de 3% nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, o preço da carne já subiu mais de 20%, azeite 30%, e itens como óleo de canola até 54%.
Além da falta de motoristas, os preços estão sendo impactados por atrasos no transporte marítimo, queda na produção de alimentos e outros fatores.
Um antigo motorista da empresa FreshDirect, que pediu para não ser identificado, disse que permaneceu no cargo por um ano antes de encontrar uma vaga como zelador no hospital Memorial Sloan Kettering.
“Foi a minha primeira vez como motorista e provavelmente a última. É um trabalho fisicamente muito exigente, levantar caixotes, galões de água e areia para gatos”, disse ele.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade
Leia mais