Desde muito jovem já era um homem do trabalho. Cinco anos depois de iniciar sua vida profissional, aos 14 anos, assumiu a área comercial da empresa onde não era apenas o filho do dono. “Eu sou oriundo do aftermarket para implementos rodoviários e costumo dizer que nasci em baixo de uma carreta”, brinca.
Em 2001, fundou sua empresa própria, a Ibero, visando atender ao mercado de terceiro eixo para caminhões, contudo, no mesmo ano, deparou-se com um problema: justamente naquele período os caminhões começaram a sair das montadoras já com o terceiro eixo, acabando com o mercado da Ibero.
Ronaldo decidiu, então, mudar o foco: “Decidimos migrar nosso mercado para as carretas, porém teríamos alguns problemas a serem lidados”. Seus clientes, até o momento, utilizavam eixos tubulares quadrados e soldados, enquanto a Ibero propunha o uso dos eixos redondos e sem solda. De acordo com o CEO, tecnicamente, os eixos redondos e sem solda eram superiores a de seus clientes, no entanto sua empresa teria de enfrentar o desafio de mudar uma cultura mercadológica. E assim o fez.
Aos poucos, o objetivo da empresa vinha se concretizando: o de mudar o mindset de seus clientes, propondo inovações e alternativas para seus caminhões. “Após muito trabalho árduo, conseguimos consolidar o nome da Ibero no mercado. Com 22 anos de vida, a empresa já é reconhecida como referência e solução para o mercado de implementos rodoviários”, comenta orgulhoso.
De acordo com dados apurados pelo Relatório Executivo do Plano Nacional de Logística 2025, aproximadamente 65% do transporte de cargas brasileiro utiliza de rodovias para locomoção. O TRC (Transporte Rodoviário de Cargas) representa, para a economia brasileira, 6% do PIB, representando, também, 60% da matriz nacional.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR) revelou, em 2018, que o setor teve alta registrada de 49% no volume de emplacamento de novos produtos, com 79% na linha de cargas pesadas e 28% nas leves. “O mercado de implementos rodoviários no Brasil se torna cada vez mais importante pois é através desses implementos que transportamos nossa economia: grãos, celulose, carnes, construção civil etc. A que mais vem ganhando destaque é a agroindústria, e, como modal rodoviário, enxergamos um mercado rico e fértil”, afirma Ronaldo.
Apesar de tudo, a partir de 2014, a Ibero começava a rumar à falência. “O mercado começou a sentir o efeito Dilma Rousseff. De 2011 a 2014, as taxas deflacionárias e os financiamentos sem limites se tornaram um problema. Por conta do fácil financiamento dos automóveis, era possível comprar um caminhão para ser pago em 5 anos com juros de 3% ao ano. Era o dinheiro mais barato que havia no mercado”, relata.
Com isto, vendeu-se muito. Empresas tinham seus pátios repletos de caminhões e implementos, porém não havia serviço o suficiente para tanto maquinário. De acordo com o empresário, o mercado começou a se deteriorar, registrando, até 2019, queda de 70% de volume de vendas. “Três grandes clientes que atendíamos pediram recuperação judicial. Nosso faturamento caiu em 70% e perdemos R$ 16,5 milhões na época, nos obrigando a dispensar cerca de 200 de nossos funcionários. Total colapso”, admite.
No entanto, desistir nunca esteve nos planos de Ronaldo. Depois de reunir seus fornecedores e expor a real situação pela qual a Ibero estava tendo de enfrentar, retirou que não deviam por conta de má gestão, evidenciando as causas que levaram a empresa àquela intempérie. “Não tínhamos mais dinheiro e não teríamos como pagá-los. Sugeri, então, para que a dívida fosse congelada até o momento em que a empresa voltasse a gerar caixa”.
“Após vendermos um imóvel que pertencia a mim e a meu sócio, emprestamos à empresa e começamos a comprar à vista de nossos fornecedores”, continua, “E a mesma coisa fizemos com nossas dívidas com os bancos: congelamos e acertamos logo em seguida os pagamentos”, completa. Ao final do ano de 2019, a Ibero havia pago 100% de todas as suas dívidas.
O empresário, entretanto, não se manteve estagnado. Entre os anos de 2016 e 2018, Ronaldo percebeu uma oportunidade: adquiriu outras empresas que estavam passando pela mesma situação que a dele, de recuperação fiscal. “Eu havia passado por um processo de turn-around na Ibero e acabei tendo expertise para tocar empresas com dificuldades financeiras, desta forma, quando assumi essas empresas, iniciamos de imediato o processo de recuperação e, quando o mercado começou a voltar, em 2019, já estávamos prontos para assumir o crescimento”, relata Linero.
Num período de 2 anos, Ronaldo fez a compra de 4 empresas. Mesmo que buscasse empresas que dialogassem com os produtos da Ibero, aumentar o portfólio da empresa foi inevitável: o mercado estava tão ruim que a única solução plausível para a Ibero aumentar seu faturamento era aumentar seu catálogo de produtos. “Foi neste momento em que comecei a agregar novos produtos e novas empresas ao grupo, formando, por conseguinte, a Ibero Group”, finaliza.
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