Os russos, em particular, são capazes de criar as soluções mais inusitadas para resolver seus problemas. Esse artigo demonstra uma delas: caminhões com motores a jato de caças militares acoplados na dianteira para remoção de neve. A fonte destas ideias pode ser encontrada no desenvolvimento das ferrovias. Já na década de 1930, o trem Schienenzeppelin foi projetado na Alemanha, movido por um motor de avião a pistão. Então, em 1966, a locomotiva M-497 Black Beetle foi construída nos EUA, usando dois motores a jato General Electric J47-19 do bombardeiro Convair B-36 Peacemaker. Os russos também criaram um protótipo de trem a jato.
Os trens a jato não vingaram, mas os motores ainda eram usados nas ferrovias russas, porém, para limpar a neve dos trilhos. Eles eram instalados em trens especiais construídos com cabines de caminhões tradicionais. Um exemplo foi o ônibus Ikarus 60, reconstruído e adaptado para circular em trilhos.
Apesar de parecer maluco, essa ideia para remoção de neve era simples e eficiente. Tanto que ela perdurou e foi evoluindo com o passar dos anos, chegando aos aeroportos e os trens foram substituídos por caminhões. Um dos primeiros registros de caminhões limpa-neves é de 1958.
Obviamente foram usados tradicionais caminhões off-road do mercado russo, como KrAZ, Ural ou Zil. O motor a jato é controlado pelo motorista, que controla a saída e temperatura dos gases (que podem chegar a 600 graus). O caminhão muitas vezes possui isolamento acústico especial na cabine que protege o operador contra o ruído extremo. A posição do motor variava conforme a construção do veículo: em alguns deles, a saída do motor a jato é montado na parte traseira ou nas laterais, em outros na dianteira. Esse tipo de caminhão, além de limpar a neve das pistas, também é utilizado para descongelar fuselagens de aeronaves. Nesse caso, a configuração é um pouco diferente, pois o motor a jato é colocado em uma plataforma elevada montada na carroceria do caminhão.
A ideia de usar um caminhão com motor a jato está ultrapassada, pois além do enorme consumo de combustível e ruído, há o risco de danificar a pista ou a fuselagem da aeronave. A evolução tecnológica também contribui par ao desuso, já que existem hoje produtos químicos próprio para essas tarefas, além de mais eficientes e baratos. Hoje poucos são encontrados em operação, havendo alguns exemplares trabalhando no extremo norte da Rússia.
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