CCKW – O pau para toda obra que ajudou os aliados a vencerem a Segunda Guerra Mundial

Quando um conflito armado se inicia, um dos pontos cruciais para vitória ou derrota de um dos lados é a logística. O transporte de tropas, suprimentos, munições, armamentos e combustíveis, precisam ser feitos de forma eficiente, para que o avanço no combate seja significativo. E isso não é um trabalho simples, exigindo muita preparação e caminhões que sejam adequados a esse propósito. E quando se fala em caminhões, não se pode esquecer o GMC CCKW 6×6, que foi a espinha dorsal da logística dos aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando os Estados Unidos foram atacados pelos japoneses em Pearl Harbor, em 1941, a guerra realmente começou para os norte-americanos. Com o estado de guerra, a fabricação de itens civis parou, e todo o esforço industrial do país se voltou ao conflito.

Uma das necessidades do Exército norte-americano era um caminhão com capacidade de carga de 2,5 toneladas, que fosse versátil o suficiente para ser usado no transporte de qualquer necessidade da guerra, independente de ser um caminhão rígido ou cavalo mecânico.

Em 1941, a GMC já tinha bastante experiência com o desenvolvimento de caminhões militares, e apenas dois anos antes, em 1939, havia desenvolvido o caminhão ACKWX para as forças armadas da França.

Com esse projeto pronto e testado, usou a base do modelo francês para desenvolver um caminhão maior, com tração 6×6, que resultou no simples e prático caminhão CCKW 6×6.

A sigla da nomenclatura do caminhão é um sistema de identificação interno da GMC na época, que destacava o ano de desenvolvimento, a configuração, e a função pretendida para o modelo.

O projeto foi criado com base nos princípios de simplicidade, confiabilidade e adaptabilidade, permitindo que pudesse ser produzido rapidamente, e operar em qualquer tipo de ambiente.

Diversas variantes do caminhão foram desenvolvidas, para diversos fins, mas sempre com duas distâncias de entre-eixos, sendo a longa (LWB) e curta (SWB).

O chassi do tipo escada tinha cabine convencional, com um capô longo e estreito, amplo espaço para cargas e três eixos.

O motor era um GMC 270 a gasolina, com seis cilindros em linha e 4,4 litros de cilindrada, com 91 cavalos de potência. Apesar de ser um motor de pouca potência, era extremamente confiável e bastante conhecido, já que era usado em veículos civis antes da guerra, o que facilitava a manutenção.

A transmissão tinha cinco marchas, com um sistema de reduzidas na caixa de transferência, com tração integral (AWD).

Com 4,4 toneladas vazio, o caminhão tinha 6,8 metros de comprimento, e a velocidade máxima era de 60 km/h.

Com essa configuração, o caminhão rodava extremamente bem na areia do norte da África, ou mesmo na lama e neve do inverno europeu, podendo atravessar cursos de água profundos, graças a suspensão elevada.

Inicialmente, toda a produção era de caminhões com cabine fechada feita de metal, mas posteriormente a produção avançou para modelos de cabine aberta coberta por lona ou mesmo sem cobertura, que eram mais fáceis de fabricar e transportar.

Depois do início da produção, em 1941, diversas fábricas norte-americanas foram adaptadas para fabricar o caminhão em suas muitas variantes, e, em todos os teatros da Segunda Guerra Mundial, o caminhão aparecia, tendo um papel crucial.

Uma das contribuições mais notáveis do caminhão ocorreu durante o desembarque massivo da Normandia e a subsequente campanha europeia, onde foi absolutamente crítico no estabelecimento e manutenção das linhas de abastecimento vitais que permitiram o rápido avanço das forças aliadas.

O CCKW foi em grande parte responsável pelo sucesso do famoso Red Ball Express, com os caminhões aliados mantendo uma cadeia de abastecimento contínua para as forças na Europa após os desembarques na Normandia. A maior parte dos caminhões envolvidos na operação eram CCKWs.

Até o final de 1945, cerca de 600 mil caminhões GMC CCKW foram produzidos nos Estados Unidos. A maioria sobreviveu à guerra, sendo enviados como doação a países aliados, usados no esforço de recuperação da Europa, ou mesmo retornando aos EUA para uso das Forças Armadas.

A produção seguiu até o ano de 1950, quando o projeto foi substituído pelo M35, produzido pela REO. O CCKW seguiu em operação até o ano de 1960.

Ainda hoje, o caminhão é muito comum em diversos países, com milhares de unidades restauradas em todo o mundo, já que é barato, tem uma história muito interessante, e também é simples de dirigir e manter.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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