Em fevereiro publicamos um artigo sobre o DAF Super CityTrain, um veículo que opera na República Democrática do Congo desde 1989 e detém o recorde do ônibus mais longo do mundo, além de transportar centenas de passageiros de uma só vez. Consiste basicamente em um caminhão acoplado em um semirreboque para passageiros e esse tipo de veículo é mais comum do que pensamos ao redor do mundo, tendo exemplares em vários países incluindo o Brasil. Mas no artigo de hoje vamos apresentar o “Camello”, um tipo de transporte de Cuba.
Cuba é um país conhecido pelos veículos diferentes, geralmente bastante antigos que ainda rodam. No caso dos ônibus, o sistema da capital é conhecido por Metrobús e foi criado no período crítico de sua crise econômica na década de 1990. Consistia em ônibus soviéticos unidos entre si formando uma carreta tracionada por caminhões, transportando até 300 pessoas.
O apelido “Camello” (camelo em português) vem da característica da carreta possuir uma parte rebaixada no centro, formando duas partes mais altas como se fossem corcovas. Esses conjuntos são famosos em Havana há décadas. O que mais aparece nas pesquisas do Camello são caminhões International, porém outros caminhões americanos e soviéticos também fizeram esse trabalho, como Freightliner e Kamaz. O Volkswagen Titan brasileiro também passou por lá, como pode ser visto na imagem que abre esse artigo.
Com o crescente turismo em Cuba e consequente aumento de carros no país, os “camelos” puderam se modernizar. Uma prova disso é o registro de um Mercedes-Benz Actros 1835 da segunda geração. E curiosamente, a Mercedes-Benz é uma das poucas marcas de origem europeia que possui representação oficial em Cuba, e provavelmente é por isso que o Actros está substituindo os velhos caminhões.
Durante a década de 2000 o sistema de transporte coletivo da capital cubana começou a ser renovado e ônibus começaram a substituir os camelos. O projeto do governo incluiu a aquisição de 600 ônibus articulados da chinesa Yutong e os camelos começaram a ser transferidos para outras regiões do país que ainda apresentavam problemas no sistema de transporte público. Contudo, no ano passado houveram algumas unidades circulando novamente em Havana devido à crise no transporte que a cidade enfrenta gerando uma angústia aos moradores de que os camelos voltassem a circular.
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