Essas empresas contratam caminhoneiros com vistos de trabalho B-1. Esse tipo de visto é destinado para pessoas que irão realizar negócios nos Estados Unidos, como participar de feiras, ou visitar empresas, além de caminhoneiros que precisem cruzar a fronteira, por exemplo, mas não permite que esses estrangeiros concorram com cidadãos dos EUA.
Mesmo com a proibição, os caminhoneiros mexicanos são contratados, com salários bem mais baixos, e fazem entregas em várias regiões dos Estados Unidos. Para conseguir isso, basta a empresa de transportes abrir uma filial no México, mesmo que seja apenas uma filial de papel, sem nada físico no país.
O visto B-1 permite que o motorista mexicano pegue uma carga em seu país, e atravesse a fronteira, entrando nos Estados Unidos e fazendo as entregas em cidades do Sul do Texas, por exemplo. Ele não pode carregar para outras regiões dos EUA, e obrigatoriamente deveria regressar ao México, com uma carga para o país, ou mesmo com o caminhão vazio.
Porém, as empresas fazem os motoristas transportarem outras cargas dentro dos Estados Unidos, incluindo viagens longas para o centro do país, e pagam salários menores a eles, o que é duplamente ilegal.
A principal região onde acontece o esquema é Nuevo Laredo, no México, que fica na fronteira com Laredo, no Texas. Não se sabe ao certo o número de empresas envolvidas nisso, mas é estimado que o sistema funcione há pelo menos 20 anos!
Para os motoristas mexicanos, a prática gera salários maiores do que ganhariam no México, apesar de ainda serem valores menores do que os recebidos por motoristas dos Estados Unidos. E isso tem causado um impacto nas empresas mexicanas, que já enfrentam escassez de mão de obra para transporte para longe da fronteira com o EUA.
E a diferença salarial é brutal. Dados de 2022 mostram que o salário de um caminhoneiro os Estados Unidos que viaja pela fronteira com o México chegava a US$ 69 mil por ano. Enquanto isso, um motorista mexicano que viaja para os Estados Unidos recebe uma média salarial anual de US$ 4.400, cerca de 15,6 vezes menos que um estadunidense.
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