HISTÓRIA DA ESTRADA – HISTÓRIA DE UM MENINO

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Vou contar a história desde o princípio.
Um choro marcou o nascimento daquele menino.
Aquele casal morava em um lindo sítio.
Aquela criança construiria seu próprio destino.

Desde pequeno ia para a roça.
No colo do pai, que dirigia o trator.
Pequena plantação de cana que ao paladar adoça.
Arando a terra, aprendeu ao trabalho dar valor.

Quando a terra estava pronta.
Ajudava seu pai a fazer o plantio.
Quantas sementes, perdeu a conta.
Sua diversão, pescar e tomar banho de rio.

A terra recompensa e dá seus frutos.
As mãos de DEUS produzem obra perfeita.
Alegria daquela criança e felicidade dos adultos.
É chegada a esperada hora da colheita.

A colheitadeira, faminta devora.
O campo dourado, com apetite.
Na cabine da máquina naquela hora.
Está o menino com o operador, acredite!

Sendo amigo de todos daquele lugar.
A colheitadeira despeja a semente no graneleiro.
Imenso cavalo mecânico para puxar.
O menino ia junto na cabine com o carreteiro.

Ano após ano assim procedendo.
Aprendeu a dirigir, trator, colheitadeira e caminhão.
Já não era criança, foi crescendo.
Tornou-se homem polivalente na profissão.

Seu pai já com a idade avançada.
Ele pegava o trator e arava a terra.
Alugava a colheitadeira e a operava.
Comprou uma carreta e rasgava a serra.

Do plantio ao transporte da colheita
Ele aprendeu e para ele era brincadeira.
De profissional do campo, combinação perfeita.
Tratorista, carreteiro e operador de colheitadeira.

De tudo que fazia, a sua preferência.
Era dirigir a carreta carregada.
Acelerava e despejava a potência.
Com que alegria pegava a estrada.

Tinha um Scania cento e onze branco.
Cavalo mecânico de grande tradição.
Tinha seu dinheiro guardado no banco.
Na rodovia ele chamava a atenção.

Havia no sítio vizinho.
Uma menina que gostava do rapaz.
Ele sempre esteve sozinho.
Ela queria ele e ninguém mais.

Certo dia, finalmente ele a notou.
Aquela menina tão bonita.
Naquele salão, dela se aproximou.
Nos cabelos usava colorida fita.

Começaram a namorar.
Fizeram planos para o casamento.
Por ela, tinha agora motivo para trabalhar.
Para fazer o enxoval ela sentia alento.

Dinheiro guardado, comprou outro sítio.
O jovem casal já tinha um plano.
Da vida conjugal dar início.
Casamento seria no início do próximo ano.

O casamento foi um momento lindo.
Quando disseram sim mutuamente.
Era maravilhoso vê-los sorrindo.
O amor triunfava finalmente.

Na casa linda que ele construiu.
Viveram linda noites de amor.
Amor mais lindo nunca se viu.
Contudo, o futuro reservava a dor.

Enquanto levava a carga de trigo.
Dor lancinante correu do peito para a mão.
Parou a carreta, sentiu o perigo.
Perdeu os sentidos, parou seu coração.

O infarto foi devastador.
Aquela noite, tristeza e choro.
Ela perdeu seu grande amor.
Prantos e lamentações fizeram coro.

Ela mostrou que por traz da fragilidade.
Existia uma mulher corajosa de fibra.
Administrou as contas, teve dignidade.
Com DEUS, as dificuldades dribla.

O Senhor não a deixou desamparada.
Apesar da dor, havia nos olhos um brilho.
Dois meses depois no seu ventre era levada.
Uma nova vida, de seu amor esperava um filho.

Ela não quis saber de mais ninguém.
Viveu para o filho e para cuidar da propriedade.
Viajava e aproveitava a vida também.
Mas honrou seu amor de verdade.

O menino cresceu, um homem se tornou.
A exemplo do pai, fazia de tudo no sítio.
Dirigir o Scania se empolgou.
Daquela saga era um novo início.

AUTOR: ROBERTO DIAS ALVARES

Publicado por
Roberto Dias Alvares

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