Um caminhão elétrico MAN eTGX, movido com baterias de 480 kWh de energia utilizável, foi utilizado com um imenso powerbank em uma demonstração na Alemanha. Essa foi a primeira vez que um caminhão foi usado para demonstração do sistema de carregamento bidirecional em condições reais. A ação foi realizada nas instalações da empresa de logística Spedition Schmid, em Obertraubling, perto de Regensburg, na Alemanha.
O projeto se chama SPIRIT‑E, e tem o potencial de se tornar um facilitador fundamental para soluções energéticas intersetoriais, transformando caminhões elétricos em sistemas flexíveis de armazenamento de energia. Em vez de apenas consumir eletricidade, eles podem armazenar energia e devolvê-la a outros sistemas conforme necessário, melhorando a economia da frota e, ao mesmo tempo, contribuindo para a estabilidade do sistema energético.
“O carregamento bidirecional está transformando o papel do caminhão elétrico. Nossos eTrucks se tornam, efetivamente, bancos de energia sobre rodas, que podem ajudar a reduzir os custos de energia e, ao mesmo tempo, fortalecer o sistema energético como um todo. O SPIRIT-E demonstrou o grande potencial dessa tecnologia e como os caminhões elétricos podem contribuir ativamente para a transição energética no futuro”, afirmou Georg Grüneißl, Diretor de Estratégia de Produto da MAN Truck & Bus.
Há três tipos de aplicações de uso prático. A energia do caminhão pode ser usada na tecnologia Veículo-para-Local (V2S), que permite usar a energia diretamente nas instalações da empresa, e também o sistema Veículo-para-Veículo (V2V), que faz o caminhão enviar energia para outro caminhão com menos bateria.
Esses dois tipos servem para evitar picos de demanda, aumentar o autoconsumo de energia fotovoltaica ou alimentar a infraestrutura predial, se traduzindo em uma economia de até 20% no custo da energia.
Com uma quilometragem anual de 100.000 km, isso corresponde a até 20.000 quilômetros percorridos efetivamente “gratuitamente”. O carregamento bidirecional pode, portanto, contribuir significativamente para a redução do custo total de propriedade de caminhões elétricos em comparação com veículos a diesel.
Já a terceira aplicação é a tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), onde a energia armazenada nas baterias do caminhão é injetada novamente na rede pública, especialmente durante momentos em que o custo da eletricidade é mais alto.
Com isso, os operadores de frotas poderiam gerar fluxos de receita adicionais no futuro. Até o final desta década, espera-se que o V2G se torne um modelo de negócios cada vez mais atraente, à medida que os mercados de energia, os serviços de rede e os processos logísticos se integrem mais estreitamente.
A MAN se destaca nesse segmento por ser a primeira fabricante do setor de veículos comerciais a demonstrar funcionalmente a tecnologia de carregamento bidirecional em veículos dentro de um projeto de pesquisa.
Como parte do SPIRIT-E, fluxos de energia reais já foram implementados, incluindo o fornecimento de eletricidade a um edifício durante a noite usando caminhões elétricos ou o carregamento de carros elétricos a partir da bateria de um caminhão. No entanto, o carregamento bidirecional não é adequado para todas as aplicações de caminhões – por exemplo, em operações que não permitem longos períodos de permanência em um depósito.
O projeto SPIRIT‑E conta com o apoio de um amplo consórcio que abrange toda a cadeia de valor, desde a tecnologia veicular e a indústria de energia até a integração de sistemas. Os parceiros incluem a Universidade Técnica de Munique (TUM), líder do consórcio, o Instituto Fraunhofer de Energia (Fraunhofer IEE), o Centro de Pesquisa em Economia de Energia (FfE), a SBRS (Shell), a TenneT, a Hubject, a Consolinno Energy e a MAN Truck & Bus. Juntos, eles desenvolveram soluções que estão sendo testadas em um laboratório real em um centro de logística.
A MAN destaca que o projeto Spriti-E demonstra como os caminhões elétricos podem evoluir além de sua função de transporte para se tornarem parte ativa da infraestrutura energética do futuro – economicamente viáveis, conectados digitalmente e prontos para a próxima etapa da eletrificação.
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