Você pode ser ressarcido por danos ao veículo causados por buracos, pedras soltas ou má conservação da via. No Brasil, todos os motoristas, especialmente caminhoneiros que rodam diariamente por milhares de quilômetros, têm direito a indenização quando o veículo sofre danos em função da precariedade das estradas.
Buracos, pedras soltas, desníveis ou qualquer defeito que a administração pública ou concessionária deveria ter corrigido podem gerar responsabilidade civil. O importante é agir com rapidez e documentar tudo, pois o ressarcimento não é automático e depende de comprovação.
A responsabilidade é da concessionária em rodovias pedagiadas ou do órgão público responsável pela via. Se você trafegava em uma estrada com pedágio, a concessionária que administra o trecho é a principal responsável pela manutenção.
Já em vias municipais, estaduais ou federais sem pedágio, a responsabilidade recai sobre a prefeitura, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) estadual ou o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), conforme o caso. O Código de Trânsito Brasileiro e o Código Civil fundamentam essa obrigação de reparar danos causados por omissão na conservação das vias.
O ressarcimento exige a comprovação do incidente e dos gastos. Para ter sucesso na solicitação, é fundamental reunir o máximo de evidências. Fotos e vídeos do local do dano, do buraco ou do obstáculo, boletim de ocorrência (quando possível), nota fiscal dos reparos realizados, orçamento da oficina e, se houver, laudo pericial.
Sem essa documentação sólida, o pedido dificilmente prospera, seja na esfera administrativa ou judicial. Quanto mais completa a prova, maiores são as chances de acordo ou ganho de causa.
O primeiro passo é registrar o fato o mais breve possível. Após a ocorrência, ao notar o dano ao veículo, pare em local seguro, sinalize o local, fotografe detalhadamente o dano no veículo e o defeito na pista, anotando data, hora, quilômetro exato e coordenadas GPS. Se houver testemunhas, anote nome e contato.
Em rodovias com concessionária, ligue imediatamente para o número de atendimento da via e registre a ocorrência oficial. Esse registro inicial é a base de todo o processo de ressarcimento.
Você pode tentar a via administrativa antes de acionar a Justiça. Muitas concessionárias possuem canais específicos para pedidos de indenização e, em alguns casos, fazem o reembolso sem necessidade de processo. Para órgãos públicos, envie ofício ou protocolo eletrônico com toda a documentação.
Caso a resposta seja negativa ou demorada, o próximo passo é ingressar com ação judicial, geralmente nos Juizados Especiais Cíveis, onde o processo é mais rápido e dispensa advogado para valores até 20 salários mínimos.
Manter o veículo em dia e dirigir com cautela não o isenta de responsabilidade da via, mas ajuda na defesa. Mesmo tomando todos os cuidados, o estado ruim de muitas estradas brasileiras causa prejuízos constantes aos caminhoneiros. Conhecer seus direitos e agir com organização transforma um problema comum em possibilidade real de ressarcimento. Guarde todos os comprovantes e, se necessário, busque assessoria especializada para aumentar as chances de sucesso.
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