Falta de caminhoneiros exige caminhões maiores e planejamento de longo prazo

Imagem de UPS

O transporte de cargas por rodovias está enfrentando um problema global, que não para de crescer. Ao longo dos últimos anos, a escassez de motoristas profissionais está afetando diretamente milhares de empresas em todo o mundo, encarecendo fretes e atrasando entregas. Em empresas maiores, esse problema fica ainda mais evidente.

É o caso da UPS (United Parcel Service), uma gigante que atua em muitas regiões do planeta, especialmente nos Estados Unidos e Europa, e tem sentido que a falta de motoristas é o maior problema recente enfrentado em todas as regiões.

E essa escassez acontece mesmo com a UPS atuando com um sistema logístico diferenciado. Em entrevista recente para a Organização Mundial do Transporte (IRU), Chelsea Allison, vice-presidente de Recursos Humanos da UPS Europa, Oriente Médio e África, destaca que esse desafio é crescente.

A UPS atua com um sistema logístico que usa veículos pequenos para coletas até os centros de distribuição, e veículos grandes são usados para o transporte entre os centros de distribuição. Geralmente, as viagens não duram mais do que quatro horas para os motoristas das mais longas distâncias da empresa.

“A vantagem do nosso sistema é que nossos motoristas não percorrem longas distâncias e podem dormir em casa”, disse Chelsea Allison. “É por isso que é mais atraente para a maioria dos jovens motoristas.”

Graças a essa abordagem, a idade média dos motoristas da UPS é de 42 a 48 anos, abaixo da média europeia de cerca de 50 anos.

Apesar dessa vantagem, a empresa ainda enfrenta uma série de desafios. Isso porque as viagens com as carretas nas rotas mais longas acontecem quase sempre à noite. E esse não é o horário preferido de trabalho para os mais jovens.

“As pessoas estão cada vez mais buscando carreiras que lhes permitam ter um estilo de vida mais flexível e querem trabalhar apenas três ou quatro dias por semana, enquanto a UPS tem dias de trabalho fixos”, diz a vice-presidente.

Para reduzir o problema, outra solução encontrada pela empresa é o uso de caminhões maiores. Na Europa, a empresa aposta em carretas bitrens, chamadas por lá de EuroCombi.

Essas composições reduzem o número de caminhões e motoristas necessários em determinadas rotas. As ecocombis também diminuem o consumo de combustível e as emissões de CO₂.

“Assim que tivermos três caminhões regulares circulando entre os centros de distribuição, podemos facilmente mudar para duas ecocombis”, disse Chelsea Allison. “Com a crescente escassez de motoristas, a necessidade de ecocombis nunca foi tão grande.”

A UPS já utiliza essas combinações na Alemanha, nos países nórdicos e na Espanha, bem como em algumas rotas entre a Holanda e a Alemanha e entre a Alemanha e os países nórdicos. Uma adoção mais ampla em toda a Europa ajudaria operadoras como a UPS a gerenciar a capacidade de forma mais eficiente.

Além dos caminhões maiores, a empresa também investe nas pessoas. Há vários planos de carreira dentro da empresa. Por exemplo, quem começa a trabalhar em armazéns e depósitos, em cargos básicos, pode se tornar motorista depois de algum tempo.

“Por exemplo, um funcionário que entra na UPS para trabalhar no turno da noite e carregar caminhões pode crescer e se tornar motorista”, disse Chelsea Allison. “A vantagem é que eles já estão familiarizados com os procedimentos e regras da UPS.”

Na Europa, UPS utiliza centros de treinamento especializados, inclusive no Reino Unido e na Alemanha.

“Esses centros ‘Integrad’ preparam os motoristas para operações no mundo real e os conscientizam sobre segurança rodoviária, tecnologia veicular, ergonomia, manuseio de cargas e práticas de trabalho seguras”, disse Chelsea Allison. “Também oferecemos treinamento interno para a categoria 95 [uma qualificação obrigatória na UE e um Certificado de Qualificação Profissional (CPC) exigido para todos os motoristas de caminhão profissionais].”

A empresa também paga os custos de emissão da carteira de motorista profissional, mas atualmente o processo pode custar mais de 4 mil Euros, ou mais de R$ 23 mil, em conversão direta. Além disso, demora. São cerca de 9 meses, se o candidato estudar à noite e não houver atrasos.

Outro foco é a contratação de mulheres, especialmente em operações com horários mais previsíveis e sem necessidade de viagens longas.

“Realizamos campanhas direcionadas sobre mulheres na logística e promovemos programas de mentoria para apoiar mulheres em carreiras no setor de transportes”, disse Chelsea Allison. “Estamos vendo progresso, com a porcentagem de motoristas mulheres aumentando alguns pontos percentuais ano após ano.”

Apesar do trabalho duro para contratação, capacitação e retenção dos profissionais, a UPS destaca que o desafio da escassez de motoristas é extremamente complexo, e exige soluções conjuntas, saindo exclusivamente do âmbito das empresas e passando por políticas governamentais mais amplas.

 

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  • Trabalho com Rodotrem nunca vi tanto deslecho com o motorista quanto em várias transportadora do Brasil,quando não é o pessoal da programação e o pessoal do gerenciamento de risco enchendo o saco do motorista bloqueando em Sima da pista onde sinal não pega enchendo o saco do motorista no pátio do posto de madrugada com sirene e alerta até mandando policial ir até o local e bater na porta do caminhão as empresas com falta de respeito na descarga no carregamento os guaritas seguras das empresas onde vamos carregar descarregar uma falta de respeito total e aí vcs ainda querem motorista eu mesmo não quero mais caminhão bem Rodotrem nem nada que isso porque não muda ao em vez de faltar com respeito respeitar ao invés de atrapalhar ajudar o motorista ....e o salário do motorista ele ganha super bem 6 mil 5 mil e um super salário 30 dias fora de casa 60 dias fora de casa e aí marcando folga o cidadão 1300 km longe de casa e folga a folga e quando estou com minha família cidadão parou para descarregar está de folga está em tempo de descanso me poupe então não vamos atrás de deputado para nos defender não vejo venha perguntar para nós mesmos nas rodovias o que precisa mudar pergunta para o motorista de sua empresa o que está acontecendo e resolva o problema ....KRA Baldy conhecido pelas rodovias do Brasil aí

  • Bom dia. A falta de caminhoneiro não é tanto a carga orario nem muito ó salário. A meu ver que estou a 30 anos na estrada, é ó descaso com ó motorista, as empresas não comprem com ó combinado, os clientes fazem um descaso muito grande conosco, muito das vezes humilham a gente parecendo que não servimos pra nada, sendo que as empresas sobrevivem por nossas causas. Temos que resolver problema de descarga que não temos nada a ver com isso, temos que pagar descarga pra receber depois, resolver problema de vendedor as vezes. E ó descaso é muito grande.
    Não somos nada pra maioria das empresas. Difícil a situação.
    Esse é meu desabafo.
    Sou de Contagem MG.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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