ARTIGO – O caminhoneiro que não controla o dinheiro trabalha mais e lucra menos

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Já foi o tempo que para ser um profissional da estrada bastava saber dirigir e ser apaixonado pela profissão!

Hoje ter uma noção de financias, de contabilidade e de gestão tornou-se uma ferramenta de trabalho, além, logico, do acesso a informação.

O caminhoneiro pode rodar milhares de quilômetros por mês, cumprir prazos, entregar a carga no horário e ainda terminar o mês com a sensação de que trabalhou muito e ganhou pouco.

Essa é uma realidade vivida por muitos caminhoneiros.

Na maioria das vezes, o problema não está na quantidade de fretes realizados, mas na falta de organização financeira. Sem conhecer exatamente quanto custa manter o caminhão rodando, fica praticamente impossível saber se determinado frete realmente gera lucro.

A boa notícia é que pequenas mudanças na gestão financeira podem fazer uma grande diferença no resultado ao final do mês.

Por onde começar?

Primeiro a mudança deve ser na sua forma de pensar. Tenha a visão de empresário que você é!

Um dos erros mais comuns é acreditar que todo o valor recebido pelo frete representa ganho. Na prática, antes que esse dinheiro chegue ao bolso do caminhoneiro, diversas despesas já consumiram parte significativa da receita.

Entre elas estão: combustível; pedágios; alimentação; manutenção preventiva; troca de pneus; óleo e lubrificantes; parcelas de financiamento; seguros; impostos; comissões e taxas.

Quando esses custos não são registrados, cria-se a falsa impressão de que o trabalho está sendo lucrativo.

Quanto maior a utilização, maior será o desgaste dos pneus, da suspensão, dos freios, da embreagem e do motor. Muitos profissionais só lembram desses gastos quando a manutenção se torna inevitável.

O ideal é separar mensalmente um valor destinado exclusivamente à manutenção futura. Assim, quando surgir a necessidade de substituir pneus ou realizar uma revisão mais cara, o dinheiro já estará reservado.

Essa prática evita empréstimos, financiamentos e prejuízos inesperados.

Outro hábito bastante comum é utilizar o dinheiro recebido do frete para pagar imediatamente despesas da família. Embora pareça natural, isso dificulta completamente o controle financeiro.

O recomendado é que exista uma separação entre: despesas do caminhão; despesas da atividade profissional; despesas pessoais e despesas da família.

Quando tudo é misturado, fica impossível identificar quanto realmente sobra da atividade de transporte.

E, o que todo mundo sabe. Receber uma proposta de frete nem sempre significa que será vantajoso. Antes de decidir, vale a pena responder algumas perguntas:

  • O combustível consumido compensa o valor pago?
  • Existe pedágio no trajeto?
  • Haverá risco de permanecer muitas horas aguardando carga ou descarga?
  • O retorno possui carga ou será necessário voltar vazio?
  • Os custos de manutenção já foram considerados?

Muitas vezes, um frete aparentemente vantajoso acaba gerando pouco ou nenhum lucro.

O caminhoneiro sabe que imprevistos fazem parte da rotina. Um pneu estourado, uma pane mecânica, uma queda no volume de fretes podem comprometer toda a renda.

Construir uma reserva financeira, ainda que aos poucos, proporciona tranquilidade para enfrentar esses momentos sem recorrer a empréstimos com juros elevados e evita humilhações.

Além de controlar as finanças, o caminhoneiro precisa conhecer seus direitos. Todos os anos, muitos profissionais deixam de receber valores que poderiam melhorar significativamente sua renda.

Entre eles estão:

  • pagamento da estadia quando a carga ou descarga ultrapassa o prazo legal – você tem 05 anos para cobrar;
  • fornecimento correto do vale-pedágio, você tem 12 meses para cobrar a contar da data do frete;
  • cobrança de fretes não pagos, você tem o prazo de 05 anos para cobrar;
  • contestação de descontos indevidos;
  • bloqueios abusivos em gerenciadoras de risco.

Conhecer esses direitos também faz parte da organização financeira, pois evita que dinheiro pertencente ao profissional permaneça nas mãos de terceiros.

Controlar receitas e despesas não significa apenas preencher planilhas. Significa tomar decisões mais inteligentes, escolher melhores fretes, reduzir desperdícios e proteger o patrimônio construído com tanto esforço.

Quem conhece seus números trabalha com mais segurança, negocia melhor e consegue planejar o crescimento da própria atividade. A estrada sempre apresentará desafios. Mas administrar bem o dinheiro é uma decisão que depende apenas do profissional.

Porque, no final das contas, não basta trabalhar muito.

É preciso fazer com que cada quilômetro rodado realmente gere resultado.

A advogada Miriam Ranalli criou em seu site algumas calculadoras que auxiliam o caminhoneiro no dia a dia a calcular se aquele frete vale a pena e quais serão os custos, além da calculadora de estadia e de comparação da melhor forma de tributação do TAC e ETC.

Miriam Ranalli – Advogada especializada em Direito do Transporte Rodoviário de Cargas.
Atuação em todo o Brasil | OAB/PR nº 68.139
WhatsApp: (41) 98802-1745
Email: adv@ranalliadvocacia.com.br
Instagram / tiktok: @miriamranalli.adv

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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