A participação feminina no transporte rodoviário de cargas avançou nos últimos anos, mas ainda apresenta diferenças importantes entre as áreas de atuação. O Índice de Equidade no Transporte Rodoviário de Cargas 2026, realizado pelo Movimento Vez & Voz, mostra que as mulheres representam 18% da força de trabalho das 83 empresas participantes, que reúnem mais de 35 mil profissionais. O levantamento também aponta menor presença feminina em posições de liderança e entre motoristas.
O estudo chegou a 46 pontos em uma escala de zero a 100 e considera indicadores relacionados à presença feminina nas empresas, processos de recrutamento e retenção, capacitação, benefícios e medidas de enfrentamento ao assédio e à violência doméstica. Os resultados ajudam a dimensionar como a participação das mulheres se distribui dentro das empresas e quais são os principais desafios para ampliar sua presença no setor.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) é parceiro do Movimento Vez & Voz e participa das discussões sobre equidade no transporte. Para o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior, a discussão passa pela construção de trajetórias profissionais dentro do transporte, com oportunidades em diferentes áreas e funções. “Quando falamos sobre a presença das mulheres no transporte, precisamos considerar toda a trajetória profissional, desde a entrada no setor até as condições para permanecer, se desenvolver e ocupar novas funções. A ampliação dessa participação depende de oportunidades concretas de formação, crescimento e acesso a diferentes áreas dentro das empresas”, afirma.
Os dados do Vez & Voz mostram que o desafio não se resume à entrada das mulheres nas empresas. A diferença de participação entre funções operacionais, administrativas e de liderança indica que a discussão envolve também desenvolvimento profissional e possibilidades de ascensão na carreira. Para um setor que reúne atividades de gestão, logística, tecnologia, manutenção, operação e condução de veículos, a ampliação do acesso feminino passa por diferentes frentes de formação e recrutamento. “O transporte rodoviário de cargas reúne oportunidades em áreas muito diferentes, mas ainda existe uma distância entre a participação feminina na força de trabalho e a presença das mulheres em determinadas funções. As empresas e as entidades representativas têm um papel importante na criação de caminhos para que essas profissionais possam desenvolver suas competências e construir suas carreiras no setor”, acrescenta Antonio Luis da Silva Junior.
O levantamento também aponta resultados em iniciativas de capacitação e medidas de enfrentamento ao assédio, mostrando que a discussão sobre equidade envolve práticas de gestão que vão além dos processos de contratação. Os indicadores do Vez & Voz oferecem, nesse sentido, uma referência para que empresas do transporte acompanhem a evolução da participação feminina e identifiquem áreas que ainda apresentam espaço para mudança.
A presença das mulheres no transporte passa, assim, a integrar uma discussão mais ampla sobre formação profissional, gestão de pessoas e renovação da mão de obra em uma atividade essencial para o funcionamento da economia brasileira.
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