Poema – Caminhoneiro – “Fé em Deus e pé na tábua”

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Antonio Carlos A. Quaesner: Quero divulgar aqui um poema que escrevi ao mundo dos caminhoneiros, principalmente porque que são pouco lembrados pela história, mas trabalharam muito pelo desenvolvimento deste pais..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAMINHONEIRO
“Fé em Deus e pé na tábua”
Coladas num álbum, sempre esquecidas
quando relembradas, com emoção
Fotos antigas, histórias contadas
do caminhoneiro e seu caminhão.
Uma época difícil, viagens demoradas
Onde a coragem era habilitação.

Tal qual um lápis, colorindo uma história
Acelerando o tempo, virando a direção
Faz com a solidão uma parceria
Poucas estradas, carreadores, picadas, sertão!
Uma olhada ao seu redor, conforto, alegria
E quanto mais ele trouxe as suas mãos.

Saudades, lembranças, angustias
Sem fone, computador, televisão.
Uma conversa com a família;
Horas de espera por uma ligação.
No painel grudado, via
São Cristovão: companheirão!

Queixo duro, caixa seca, reduzida,
Na boleia um homem com disposição.
A palmos medindo a subida
Viagem uma aventura; paciência e lentidão
Freio, cheiro de lona, marcha engrenada
Curvas, descidas com muito perigo; tensão!

Na carroceria; erva mate, caixas ou sacaria
Contra-feixe, molejo e jumelo em ação.
Barro, solavanco, atoleiro quando chovia
Preparado com corrente na tração,
Amigos ajudando a vencer a travessia.

Água, linguiça defumada e pão: a alimentação.
Na madrugada aproveitando
Poucos movimento, o poeirão vencendo
Subindo ou descendo, os faróis oscilando
Barrancos, cercas, árvores aparecendo
A luz “procurando” as borboletas gracejando
Pneus lentamente se movendo.

Ao longe escutando,
Em alta rotação o motor gemendo,
E um caminhão;…indo…indo…indo…indo…indo

No acelerador pisando,
e o Fênêmê no toco roncando.
Na segunda reduzida; firme tracionando,
E o Fordão F600 topando,
para traz o barreiro ficando.
Buracos desviando, pirambeira contornando
O Chevrolet Brasil andando.
Nas costelas trepidando, encerado empoeirando
Um Mercedinho cara-chata encarando.
Ao longe escutando a primeira pedindo
E um caminhão;…indo…indo…indo…indo…indo

O rádio chiando:
Bola para Pelé e é Goooooooool da seleção!
Cantando e assoviando aquela canção,
Parada na gruta, rezando
A Santinha pedindo: benção e proteção.

Depois de descarregado
Sua partida já é comemoração
Uma noite na hospedaria, o tão esperado
Banho quente, boa janta e colchão.
O descanso conquistado!
Frete de retorno, revisando o caminhão,
Um pé no para–choque cromado
Pose na foto para recordação.

N madrugada,carregado de fé e confiança
Os faróis iluminam, o olhar alcança
Em primeira o caminhão avança
Na carroceria, a carga balança
Ontem, ficou na lembrança.
Destino nova esperança!

Autor: Antonio Carlos A. Quaesner