O mercado de veículos passa por constantes mudanças, todo mês e todo ano, essas mudanças ocorrem por causa de vários motivos, legislação, segurança, praticidade, novas tendências, entre outros. Mudanças como a proteção lateral das carretas, exigência de cavalos-mecânicos traçados para puxar bitrem ou implementos com PTB maior ou igual a 57 Toneladas, muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos menos atentos. Porém uma mudança que ocorreu no mundo dos caminhões há alguns anos, que não passou despercebida, foi a praticamente “extinção” dos caminhões com capô, mais conhecidos como “Bicudos”.
Me lembro quando viajava com meu pai e observava muito os caminhões na estrada (ainda observo) e era difícil de se ver um caminhão frontal, vulgo cara-chata, uma vez paramos na Casa Scania de Sumaré, Quinta Roda, para fazer revisão obrigatória do caminhão, e eu fui olhar os caminhões novos que estavam parados no pátio, em meio a cerca de uns 15 cavalos 113 que estavam lá apenas 1 era frontal, era um R113 azul teto baixo “perdido” no meio de todos os outros com capô. Imagem que hoje não se vê mais nas concessionárias brasileiras a cerca de mais ou menos 8 anos, que foi quando os modelos com capô foram perdendo mercado, e parando de ser fabricados. Começando pelo Volvo NH 12 em 2006, Scania T124 em meados de 2007, Mercedes 1938S, entre outros.
Foram alguns motivos que ocasionaram a “extinção” desses modelos, mas na minha opinião o principal motivo foi uma lei que proíbe atrelar cavalos mecânicos com capô a bitrem ou semi reboque que ultrapassassem os 19,8 metros (combinados), então as empresas foram obrigadas a comprar cavalos mecânicos frontais, mais curtos, para poderem atrelar o veiculo a uma carreta maior e também tendo assim um conjunto com uma tara menor do que teria um conjunto com um veiculo com capô para poderem carregar mais produto. Muitos falam também na questão da segurança, que no modelo com capô o motor era empurrado para dentro da cabine nas batidas frontais, e também pelo caso das novas cabines frontais serem projetadas para se soltarem em caso de colisão, na espécie de uma capsula protetora, sendo assim mais segura.
Hoje em dia há apenas 2 modelos com capo produzidos no Brasil, são os Mercedes Atron 1620 e 1635, mas mesmo assim são modelos com um nicho de clientes muito específicos e dificilmente ocupam um lugar de destaque nos rankings de vendas.
Em outros países como Estados Unidos e Austrália os caminhões com capô ainda dominam as estradas, tanto que montadoras como a Volvo tem modelos específicos para esse mercado, a Daf fez um modelo especial com pouquíssimas unidades (duas) do seu modelo XT com capô, mas apenas para comemorar, nada com ambitos comerciais. E até existem conceitos como o Scania Stax que tem capô, mas também não passa de um conceito, e dificilmente o conceito do capô irá ser usado.
Eu particularmente sempre preferi os modelos frontais, sempre os achava mais atraentes e robustos do que os com capô, mas sei o quanto incomoda aquele capô interno quando é para passar do banco para a cama e o quanto é chato ficar basculhando a cabine toda vez que vai fazer algum reparo no motor, e o trabalho que da ficar no sobe e desce dessas cabines. É lógico que isso tudo tem sido melhorado, modelos de cabine como a R da Scania tem um capô interno praticamente desconsideravel, alguns com basculamento da cabine por controle remoto, entre outras melhorias. Mas já ouvi muitos motoristas e frotistas falando que preferiam muito mais um modelo com capô do que um frontal.
Na minha opinião o fim dos modelos com capô no mercado brasileiro esta cada vez mais próximo, e isso é muito triste, pois os primeiros caminhões eram com capô e tinham a hegemonia no mercado, porém depois de uma lei as coisas se inverteram, então isso me faz pensar em uma coisa. Nos temos um mercado de caminhões muito mais moldado pelas leis e conveniências financeiras do que pelo próprio gosto, ou paixão pelo modelo.
H. David
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