Extinção do capô nos caminhões.

por Blog do Caminhoneiro

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O mercado de veículos passa por constantes mudanças, todo mês e todo ano, essas mudanças ocorrem por causa de vários motivos, legislação, segurança, praticidade, novas tendências, entre outros. Mudanças como a proteção lateral das carretas, exigência de cavalos-mecânicos traçados para puxar bitrem ou implementos com PTB maior ou igual a 57 Toneladas, muitas vezes passam despercebidos aos olhos dos menos atentos. Porém uma mudança que ocorreu no mundo dos caminhões há alguns anos, que não passou despercebida, foi a praticamente “extinção” dos caminhões com capô, mais conhecidos como “Bicudos”.

Patio da Scania em 1995, predominância de modelos com capô.

Patio da Scania em 1995, predominância de modelos com capô.

Me lembro quando viajava com meu pai e observava muito os caminhões na estrada (ainda observo) e era difícil de se ver um caminhão frontal, vulgo cara-chata, uma vez paramos na Casa Scania de Sumaré, Quinta Roda, para fazer revisão obrigatória do caminhão, e eu fui olhar os caminhões novos que estavam parados no pátio, em meio a cerca de uns 15 cavalos 113 que estavam lá apenas 1 era frontal, era um R113 azul teto baixo “perdido” no meio de todos os outros com capô. Imagem que hoje não se vê mais nas concessionárias brasileiras a cerca de mais ou menos 8 anos, que foi quando os modelos com capô foram perdendo mercado, e parando de ser fabricados. Começando pelo Volvo NH 12 em 2006, Scania T124 em meados de 2007, Mercedes 1938S,  entre outros.

Patio atual, predominância de caminhões frontais.

Patio atual, predominância de caminhões frontais.

Foram alguns motivos que ocasionaram a “extinção” desses modelos, mas na minha opinião o principal motivo foi uma lei que proíbe atrelar cavalos mecânicos com capô a bitrem ou semi reboque que ultrapassassem os 19,8 metros (combinados), então as empresas foram obrigadas a comprar cavalos mecânicos frontais, mais curtos, para poderem atrelar o veiculo a uma carreta maior e também tendo assim um conjunto com uma tara menor do que teria um conjunto com um veiculo com capô para poderem carregar mais produto. Muitos falam também na questão da segurança, que no modelo com capô o motor era empurrado para dentro da cabine nas batidas frontais, e também pelo caso das novas cabines frontais serem projetadas para se soltarem em caso de colisão, na espécie de uma capsula protetora, sendo assim mais segura.

Hoje em dia há apenas 2 modelos com capo produzidos no Brasil, são os Mercedes Atron 1620 e 1635, mas mesmo assim são modelos com um nicho de clientes muito específicos e dificilmente ocupam um lugar de destaque nos rankings de vendas.

Atron 1635
Atron 1620

Em outros países como Estados Unidos e Austrália os caminhões com capô ainda dominam as estradas, tanto que montadoras como a Volvo tem modelos específicos para esse mercado, a Daf fez um modelo especial com pouquíssimas unidades (duas) do seu modelo XT com capô, mas apenas para comemorar, nada com ambitos comerciais. E até existem conceitos como o Scania Stax que tem capô, mas também não passa de um conceito, e dificilmente o conceito do capô irá ser usado.

Uma das unidades do Daf XT bicudo.
Conceito Scania Stax

Eu particularmente sempre preferi os modelos frontais, sempre os achava mais atraentes e robustos do que os com capô, mas sei o quanto incomoda aquele capô interno quando é para passar do banco para a cama e o quanto é chato ficar basculhando a cabine toda vez que vai fazer algum reparo no motor, e o trabalho que da ficar no sobe e desce dessas cabines. É lógico que isso tudo tem sido melhorado, modelos de cabine como a R da Scania tem um capô interno praticamente desconsideravel, alguns com basculamento da cabine por controle remoto, entre outras melhorias. Mas já ouvi muitos motoristas e frotistas falando que preferiam muito mais um modelo com capô do que um frontal.

Na minha opinião o fim dos modelos com capô no mercado brasileiro esta cada vez mais próximo, e isso é muito triste, pois os primeiros caminhões eram com capô e tinham a hegemonia no mercado, porém depois de uma lei as coisas se inverteram, então isso me faz pensar em uma coisa. Nos temos um mercado de caminhões muito mais moldado pelas leis e conveniências financeiras do que pelo próprio gosto, ou paixão pelo modelo.

H. David

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Erick Antônio 13/12/2018 - 20:02

Andar de caminhão o que era para ser paixão .virou escravos. Com tanta lesgilegis o máximo de prazer que os motoristas tem é poder escolher a cor. Graça ao sistema socialista do governo onde dita as regras de que como devemos viver. Sem liberdade econômica indivídual. Apenas trabalhar para não passar necessidade. Enquanto não mudar a constituição Sócialista de 88 do sarney bosta. O trabalho será isso . Trabalhar sem paixão . Apenas por necessidade mesmo. Talvez um dia tenhamos o gostinho de sentir uma liberdade econômica indivídual mais liberal . Com certeza esses caminhoes mostrosm irão voltar a reinar com beleza e robutez como antes….

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Matheus 29/05/2018 - 20:17

Acredito ser um equívoco usarmos o modelo europeu e não o americano. Deveria ser levado em conta que o Brasil é bem maior do que a Europa e Estados Unidos continental. Privilegiar o conforto em longas jornadas deveria ser a prioridade.

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Marcos 04/02/2017 - 16:30

Eu ainda prefiro o caminhão com capô, bicudo, fico imaginando se os automóveis fossem frontais tipo Kombi seia horrível

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Guilherme 10/11/2016 - 20:06

Minha dúvida o 1938S em relação a mecânica é a mesma do 1938LS?

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Estácio Quevedo 08/11/2016 - 08:49

Isso de cabine recuada é cópia dos projetos europeus, haja visto que não temos no Brasil nenhum dos grandes montadores americanos, exceção da Mercedes (Lá é Freight Liner). Não tem comparação o sistema americano com o brasileiro! Nós, imbecilmente, previlegiamos peso e estragamos as estradas além de quebrarmos o caminhão! Eles levam mercadorias de alto valor agregado, a qualquer distância, com rapidez e pontualidade em carretas para 50.000 libras de no máximo! E usam motores de até 700 cavalos possibilitando que uma viagem de NY a LA (costa a costa) seja feita em 52/56 horas com 2 motoristas. Como? Porque o caminhão é dotado de conforto extraordinário, é rápido e as estradas são boas e roubos são raros! Ah! outra coisa! Motoristas ganham por milhas rodadas (ZIP to ZIP) en longas distancias e por hora em curtas distancias, com jornadas ao volante (on dure) de 11 horas e não mais que 14 de jornada total, quer dizer tem que ter descanso de 10 horas no mínimo. Temos muito que evoluir, começar eliminando esses lixos de cabines recuada!

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Adenilson S Barbosa 24/10/2016 - 01:11

Isso aí amigo esse país nosso tem hora que dá nojo

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Arimateia Gonçalves 23/10/2016 - 15:24

Nos EUA o cliente monta o caminhao ao seu gosto e agrado ja no Brasil o governo e quem dita a regra no maximo que podemos escolher ea cor

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Lucas Roberto 08/09/2013 - 22:27

devia considerar apenas o comprimento da carreta, como nos EUA. maldita lei européia….

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Sergio Fonseca 08/09/2013 - 00:06

Depois de longos anos de reinado, as cabinas convencionais deixaram de ser as preferidas dos transportadores e perderam lugar para as avançadas, mais conhecidas como cara-chata, porque carregar mais carga por viagem tornou-se uma regra do mercado do transporte rodoviário de cargas.

Cabina Frontal
Partindo do conceito que o chassi dura mais que a cabina, nos anos oitenta era possível substituir a cabina original de diversos modelos de caminhão pela Frontal em fibra de vidro.
Danificada em acidente, corroida ou simplesmente em fim de vida útil, a cabina Frontal dava um ar renovado para o velho caminhão. Seja Fiat, Chevrolet, Dodge, Ford, Scania ou Mercedes-Benz. Havia diversos modelos à escolha. Hoje ainda é possível de se avistar cabinas Frontal rodando por aí, em plena atividade.

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André Junior Maria 07/09/2013 - 21:20

Nao podemos esquecer tambem do modelo da INTERNATIONAL DURASTAR 4400 q hoje e fabricado em CANOAS RS BRASIL …..

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William 07/09/2013 - 18:22

o 1938S é frontal, bicudo é LS-1938. Na verdade são três modelos bicudos do Atron, 1319, 2324 e 1635. O 1620 não existe mais.

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Daniel 07/09/2013 - 18:04

os bicudos sempre foram e sao os mais bonitos e passa maior sensaçao de segurança só nao sei por que acabar com isso

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leocoe 07/09/2013 - 17:57

Com certeza este modelo de caminhões ira tomar conta do mercado, já esta quase consumado o fato.Apenas a Mercedes Benz resiste ainda. Mas de longe ao meu ver os com capos eram mais bonitos e mesmo contradizendo a muitos, mais seguros ( ou davam maior sensação de segurança).

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