Entrevista com Nelson Antônio Mello

por Blog do Caminhoneiro

Entrevista com Nelson Antônio Mello - Blog do CaminhoneiroO QRA Toyota tem 50 anos e há 20 anos trabalha como caminhoneiro. Morador de Chapecó-SC, trabalha com um Volvo FH 400 I-Shift, da Distribuidora de Frutas Real, e transporta frutas e verduras para regiões próximas, como Curitiba, na média de 500 km.

Sem influências familiares, é o único da família que é caminhoneiro. Iniciou na profissão de caminhoneiro pelo gosto que tem por caminhões. “Eu gosto de caminhão, não tem outra explicação. Se o cara não gostar de caminhão, pode fazer o que quiser, ter o salário alto, se não gostar não aguenta”, disse.

O início da carreira foi difícil, por não ter experiência não havia quem desse uma oportunidade. “Se não tiver um para dar o começo, te dar a oportunidade, não é fácil”. Para pegar experiência na estrada, depois de conseguir o primeiro emprego, Nelson disse que não foi difícil, pois o dia-a-dia na estrada ensina: “As vezes você faz umas besteiras, daí vê que aquilo ali não dá certo, assim você aprende na marra”.

Do tempo que está na estrada, uma das passagens que mais lhe marcou foi um acidente, onde ele tombou um caminhão. Por mais que dormiu bem aquela noite, quando saiu viajar acabou se acidentando. “Não sai da mente”, disse.

Já teve um caminhão próprio, trabalhou por certo tempo como autônomo, mas diz que não foi fácil. Por fim, decidiu vender o caminhão e voltar a ser empregado. Trabalhando hoje como motorista de um Volvo, diz que, se fosse comprar um caminhão novo, preferiria Volvo também, por ser um caminhão bom e confiável, apenas um pouco gastador.

Por vezes, Nelson viaja para locais mais retirados, como fazendas, onde é necessário fazer a própria comida na caixa de rancho, mas diz que na maioria da paradas que faz em restaurantes a comida é boa. Quanto ao descanso diário, diz que no mínimo, toda noite dorme 6 horas. Por mais que trabalhe com carga horária, diz que cumpre os horários do organismo, e não abusa da estrada. “Esse negócio de horário vai do motorista se programar. Não adianta sair correndo tudo e logo para num pátio de posto. Assim você passa dele, logo ele te passa de novo a mil por hora. Dali 50 km tá ele parado novamente.  Então é melhor rodar sem parar e descansar bem a noite”, completa, afirmando que é melhor manter um ritmo contínuo de viagem.

Quando perguntado sobre segurança, Nelson disse que é um assunto complicado, pois não há segurança nas estradas para os caminhoneiros. Vitima de quatro assaltos, diz que o caminhoneiro sofre muito a esse respeito.

Passando no máximo 3 dias fora de casa, por fazer viagens curtas, diz que a família faz falta, e agora aproveitou as férias escolares para trazer a filha junto.

Quanto às drogas na estrada, disse que quando era mais novo foi obrigado a usar rebites, por causa de horários. Mas hoje é contra o uso de drogas nas estradas. No trânsito há muita violência, por ter muita gente que não tem visão, não pensa nos outros, e que arriscam a própria vida e de outros motoristas em ultrapassagens perigosas e outras situações. “Hoje mesmo tive que sair para o acostamento para não dar de frente em outro”. Também falou que é necessário ter muita atenção pelos outros motoristas.

Sobre a solidariedade nas estradas, Nelson disse que só para quando conhece a empresa ou o motorista que está parado, e que no geral é assim também. “Como fui assaltado quatro vezes, eu tomo muito cuidado com essas coisas”.

As empresas hoje cobram muita experiência para dar uma vaga de trabalho, pois querem motoristas prontos para trabalhar, que já tenham formação e treinamento. Hoje, na empresa em que trabalha, que tem mais de 20 caminhões, diz que falta motoristas, pois tem muitos caminhões novos, e investe muito em veículos e equipamentos.

Para quem está começando na profissão, Nelson diz que é necessário atenção, pois não há segredo. Dirigir um caminhão é igual dirigir um carro. Mas a potência é muito maior. “Se o cara dirigir um caminhão pensando que é um carro não vai longe. Tem que ter cuidado, muito cuidado”, finaliza.

Nelson foi entrevistado pelo Blog do Caminhoneiro enquanto aguardava para carregar.

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2 comentários

Lucas Santos 12/01/2014 - 01:01

Ótima Entrevista !!!

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Nelson antonio mello 08/01/2014 - 13:37

eu mesmo nelson li a entrevista achei que era brincadeira mais é serio obrigado

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