Roberto Dias Alvares é o novo colunista do Blog do Caminhoneiro, e vai nos presentear com seus ótimos versos, escritos sobre o asfalto, com muito amor pela estrada. Leia mais abaixo:
A velha carreta corta a noite fria;
puxando, imponente seu reboque.
Seus vinte dois pneus sobre a rodovia.
Leva combustível, um grande estoque.
Mercedes Benz LPS, este caminhão-trator.
Seus três eixos sustenta-o sobre o asfalto.
Potência de trezentos cavalos no motor.
Dois escapamentos apontando para o alto.
Serpenteando pela estrada,
segue ligeira a velha jamanta.
Levando sua carga pesada.
Sua passagem, aos pássaros espanta.
O experiente motorista,
sua carreta vai conduzindo.
Seguindo firme pela pista,
Em um contínuo indo e vindo.
Seu cavalo mecânico trucado
chama a atenção por onde passa.
Levando carga pra todo lado.
Não importa o tempo que faça.
O seu sonho de menino
tornou-se enfim realidade.
Antes o caminhão era pequenino
agora ele é de verdade.
Entrega sua pesada carga,
para novamente carregar.
Sua vida, doce, ás vezes amarga.
Não pode pensar em parar.
Tempo chuvoso ou ensolarado.
Cerração, frio ou calor.
Puxando seu reboque carregado.
Confiando na força do motor.
Subindo ou descendo serra,
vai o valente carreteiro.
Asfalto ou estrada de terra.
Segue rodando o Brasil inteiro.
Dia claro, noite escura,
qualquer carga ele transporta.
Guiando de maneira segura.
Chegar ao destino, o que importa.
Quando a saudade aperta,
para casa correndo, vai.
Seguindo a direção certa.
Volta, pra ser marido e pai.
A noite fria e o vento cortante,
o caminhoneiro muda a marcha e acelera.
O motor responde num instante.
Corre para os braços de quem o espera.
A música romântica tocando.
Vinte dois pneus cantam no asfalto.
Corre ao encontro de alguém, esperando.
A paixão pela amada fala mais alto.
Cavalgando seu cavalo de aço,
o caminho certo trilha.
Chega em casa, une-se num abraço:
Ele, a mulher e a filha.
Leva a família passear,
a bordo do seu caminhão.
Sem destino sai por aí a rodar,
Rodando na cidade e no sertão.
Após ficar com a família,
chega a hora esperada.
O coração aperta, mas o olhar brilha,
atendendo o chamado da estrada.
Novos caminhões e seus caminhoneiros
abrem passagem ao velho caminhão.
Reverenciam o antigo estradeiro,
transportando o progresso da nação.
Muda a marcha e acelera,
pra fazer a ultrapassagem,
a família está longe a sua espera,
mas é preciso seguir viagem.
Na estrada os caminhoneiros,
se ajudam e se dão apoio.
Todos são amigos, companheiros.
Andando só ou em comboio.
Chega à noite, liga o farol.
A música mistura-se ao barulho do motor.
Dirige até o nascer do sol.
Fazendo o transporte seja pra onde for.
Dá uma olhada no retrovisor,
Na sua traseira um grande bi trem.
Acelera e dá mais força ao motor.
Faz seu caminhão chegar até cem.
Poema de Roberto Dias Alvares
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