O primeiro ponto, que é o fundamental, é o preparo do candidato a migrante para viver em outro país, com uma língua completamente diferente, além de diferenças culturais e sociais muito grandes em relação com o Brasil. É necessário falar o inglês fluentemente, e estar preparado para todas as adversidades que esse choque cultural possa causar. Além de passar a se inteirar das leis, regras e direitos civis, que são muito diferentes do que temos aqui.
Nos Estados Unidos, a CNH brasileira só é válida para turismo, onde é permitido o aluguel e direção de veículos durante o período em que a pessoa esteja visitando no país a passeio. Também, toda a bagagem profissional, como cursos e experiências em empresas são zerados. Inicialmente o migrante teria que trabalhar em outras áreas, iniciando uma nova vida profisional nos EUA, fazendo a carteira de motorista normal, para só depois conseguir a carteira profissional, que o deixa apto para trabalhar com caminhões. Em alguns estados norte-americanos essa troca de carteira leva de 6 a 24 meses. Outro ponto, é que a carteira de motorista nos Estados Unidos só é fornecida para quem possua visto de permanência no país para trabalho ou o Green Card, que é a cidadania americana dada a estrangeiros, e que pode demorar muito para ser fornecida. Quem entra clandestinamente no país, muitas vezes via México, usando o trabalho de Coiotes (que levam pessoas para atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos, cobrando milhares de dólares normalmente), dificilmente consegue receber o visto permanente em pouco tempo, e precisa trabalhar na clandestinidade, se escondendo da Polícia de Imigração, que pode deportar o estrangeiro que é descoberto.
A profissão de caminhoneiro, diferente de outras, não é reconhecida para receber o Green Card imediatamente, por isso todos os passos citados acima são necessários.
No Canadá, devido à queda no preço do petróleo, muitas empresas não estão contratando e muitos estrangeiros estão tendo dificuldades em renovar os vistos de permanência.
Muitos brasileiros tem enviado currículos para empresas americanas e canadenses, na esperança de serem contratados para trabalhar naqueles países. Porém esses currículos não chegam nem a serem olhados, são deletados imediatamente. Outro ponto é que o envio de documentos via correios pode virar um grande problema, pois existem quadrilhas especializadas em roubos de identidades, que podem usar os dados dos currículos para gerar novos documentos e fazer todo tipo de crime usando a identidade falsa. Mesmo com o risco, muitos tem enviado os currículos para as empresas. E se essas empresas resolverem lhe chamar para uma entrevista nos Estados Unidos, você estaria preparado para deixar tudo aqui, viajar em poucos dias, tendo o passaporte em mãos, e dinheiro para deixar o país e voltar se necessário?
Trabalhar nos Estados Unidos como caminhoneiro e poder ter salários bem acima do que se recebe no Brasil é possível, mas é um sonho que leva tempo para ser concretizado, onde é necessária muita força de vontade.
Veja os vídeos do Marcos, que fala sobre ser caminhoneiro no Estados Unidos e a dificuldade de se chegar lá.
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