A REVOLTA DOS CAMINHONEIROS – Mercedes Benz LS 1941 6×2

por Blog do Caminhoneiro

Essa é a história de Basílio,
Homem de personalidade forte.
No transporte de grãos, soja e milho
Viajando do sul até o norte.

Basílio, um bravo carreteiro.
Como seu cavalo não há nenhum.
Veloz e potente estradeiro.
Mercedes Benz dezenove quarenta e um.

Homem de endurecida face
calejado pelas dificuldades da estrada.
Defensor dos caminhoneiros, sua classe.
Considerava a categoria desprestigiada.

Qualquer notícia na televisão
com algum caminhoneiro envolvido
era só pra falar de acidente com caminhão
tratando o profissional como bandido.

Leis mais duras e restritivas
eram impostas aos profissionais do volante.
As autoridades policiais eram abusivas.
Tentando prejudicá-los a todo instante.

Basílio fez parte do sindicato
mas lá só teve decepção.
Não defendiam a classe, era uma fato.
Em vez do caminhoneiro, ficavam ao lado do patrão.

Mas na estrada além do transporte
mostrava personalidade e liderança.
Pelos caminhoneiros lutaria até a morte.
Ganhou dos estradeiros a confiança.

Mas os políticos em Brasília
preparavam mais uma carga de tributos.
Pedágio, combustivel, tudo aumentaria.
Isso geraria para todos, amargos frutos.

Os sindicatos não mobilizavam ninguém
pois seus líderes não tinham moral.
Não queriam se indispor também.
Recebiam dinheiro do Governo Federal.

Sem conseguir mobilização
os caminhoneiros estavam sós.
Mas em meio a desorganização
ergueu-se uma alta e respeitada voz.

Basílio organizou a greve
e certamente o Brasil pararia.
União conseguida de maneira breve.
Caminhoneiros marchariam para Brasília.

Convenceu os transportadores
a ficarem ao lado dos caminhoneiros.
Também eles sofriam os dessabores
das decisões de políticos interesseiros.

A Capital Federal foi sitiada.
Ninguém entrava e ninguém saia.
Não iria se transportar nada.
Combustível logo faltaria.

Os senadores e os deputados
não podiam voar em seus jatos.
Querosene para aviões não foi levado.
Permaneciam arrogantes sobre seus sapatos.

Todas as avenidas fechadas
impediam o tráfego de fluir.
Máquinas estradeiras ali deixadas
Não haviam meios de sair.

Exército e polícia tentaram intervir
mas não sabiam como proceder.
Os caminhoneiros iriam agir.
A mudança tinha de acontecer.

Foram ao Palácio do Planalto.
Queriam falar com o Presidente.
Eles, dignos profissionais do asfalto
mereciam ser tratados como gente.

Basílio ia à frente dos caminhoneiros
que seguiam em uma lenta caminhada.
Lutavam por todos os brasileiros
que não acreditavam na política e em mais nada.

Basílio e um grupo de heróis da estrada
foram recebidos pelo Ministro dos Transportes.
O político falou falou e não disse nada.
Intimidado com aquele grupo de fortes.

Basílio foi direto ao ponto.
Sem caminhão o País não anda.
O objetivo daquele encontro
Discutir o problema com quem manda.

Diminuir impostos e valor do pedágio
Aumentar o valor do frete e a segurança.
O transporte rodoviário em momento frágil.
Nos políticos não havia mais confiança.

Não sairiam da Capital da Nação
sem resolverem o problema.
Não queriam promessas, e sim solução.
“Asfalto sem caminhão” era o lema.

Ninguém os obrigaria a trabalhar
e quando tivesse faltando tudo
a população com o governo iria se revoltar.
O ministro ouvia assustado e mudo.

Garantiu que levaria ao Presidente
as reivindicações e as necessidades.
Pedia a Basilio uma coisa somente:
Que liberasse as ruas da cidade.

Basílio disse ao Ministro ali presente
que levariam os caminhões á periferia.
Mostraria atitude de homem decente.
Se não cumprisse o prometido ele voltaria.

Quando deixaram aquele salão
o Ministro correu até o presidente.
Disse que o líder daquela rebelião
deveria ser eliminado urgente.

Basílio não era de nenhum sindicato
mas era a cabeça pensante da categoria.
Era o líder e articulador de fato.
Sem ele, tudo ao normal voltaria.

Basilio e um grupo de caminhoneiros
conversavam em volta de uma fogueira.
Ao fundo, repousavam os estradeiros.
Entre eles havia uma cobra traiçoeira.

Era um matador de aluguel
se passando por caminhoneiro.
Homem a serviço do mau, cruel.
Contratado do governo brasileiro.

Mistura-se com o grupo ali perto
e disfarçando, puxa a pistola.
Média distância mas o tiro parte certo.
Um zunido e um corpo caído que rola.

Basílio amparado pelos colegas.
Marca de sangue perto do coração.
Caminhoneiros procuravam as cegas.
Aquele atentado causou grande comoção.

O corpo de Basílio imóvel no chão.
Entre os caminhoneiros correu o boato.
O líder daquela grande mobilização
morrera assassinado, isso era fato.

Após fugir do local do assassinato
onde matara o carreteiro Basílio,
o pistoleiro foi cercado como um rato.
Um policial a sua frente puxou o gatilho.

Tombou morto aquele pistoeiro.
Afinal não o deixariam ficar vivo.
Não iria se arriscar o governo brasileiro.
Morte dele era queima de arquivo.

Quando vieram buscar o corpo de Basílio,
os caminhoneiros já o haviam removido.
Para legistas e policia criaram empecilho.
O caminhoneiro morto havia sumido.

Tentando mostrar alguma solidariedade
áquele homem de grande coragem
em seu funeral presença de autoridade.
Fariam discurso em sua homenagem.

Naquela semana em todo o Brasil
nenhum caminhão rodou pela rodovia.
A maior mobilização espontânea que se viu.
Outra também estava ocorrendo em Brasília.

Em frente ao Palácio do Planalto
sobre uma carreta havia um caixão.
Nele o corpo de um herói do asfalto
morto por lutar contra a escravidão.

Em um imenso e alto palanque
políticos discursavam empolgados.
Carretas e bitrens, carga seca e tanque.
Infinidade de caminhões enfileirados.

Os caminhoneiros já de saco cheio
não aguentavam aquela conversa fiada.
Uma carreta saiu ali do meio
e na frente do palanque ficou atravessada.

Era o Mercedes Benz do Basílio
mas quem estaria ao volante?
O espanto se espalhou como rastilho.
Era o caminhoneiro que surgia triunfante.

Um braço suspenso por tipoia
mas conseguia dirigir naturalmente.
Basílio planejou engenhosa tramoia.
Enganou deputados, ministros e Presidente.

O tiro disparado pelo assassino
o atingiu no ombro direito.
Plano arquitetado por político cretino
transformado por Basílio em plano perfeito.

Pediu que o tirassem do local
e que espalhassem boato de sua morte.
Se pensassem que o disparo fora mortal
a mobilização dos carreteiros seria mais forte.

A televisão que fazia a cobertura
da greve, negociações e do funeral,
repórter se aproximou da carreta aquela altura
e aproveitou aquela situação fora do normal.

Perguntou gaguejando a Basílio
qual seria a atitude dos motoristas de caminhão.
Ele disse: “Desse País sou honesto filho,
e luto para a melhoria dessa grande nação”.

“Mas os políticos que aí estão
vivem bem do sofrimento alheio”.
“Estão contaminados pela corrupção
e mereciam apanhar de relho”.

Dito isso com naturalidade,
partiu sendo seguido pelos demais.
Políticos corruptos dizendo ser autoridades
Sacrificar esse povo ordeiro não poderiam mais.

Desmoralizados por aquele carreteiro
que lutou bravamente por seus direitos,
teve resposta nas urnas do povo brasileiro
e nenhum daqueles foram mais eleitos.

Os caminhoneiros foram parcialmente atendidos
mas para o Brasil foi muito maior o ganho.
Mostrou que essas mulheres e homens oprimidos
juntos tem uma força sem tamanho.

ROBERTO DIAS ALVARES

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7 comentários

vagner 06/03/2017 - 22:40

Essa e otima roberto

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Alexandre Thomazetti 23/01/2017 - 14:14

Olha aiRafael SaracenoEduardo Araujo

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José Ribeiro 22/01/2017 - 16:59

Precisamos de outro Basílio nesse momento,para liderar uma paralisação ente nós, irmãos da estrada!

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Roberto Dias alvares 23/01/2017 - 05:31

José Ribeiro, concordo com você. O governo só entendeu-me linguagem: Pressão. Se os caminhoneiros, autônomos e transportadores unidos pararem o colapso no transporte afetará esses bandidos que comandam o país e eles vão se coçar. Espero que tenha gostado da história. Grande abraço.

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Roberto Dias Alvares 20/01/2017 - 17:13

Uma história que mistura a vida dura dos caminhoneiros e as tramas sujas dos políticos. Pelo menos na história os caminhoneiros saíram vencedores

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Gustavo Fumes 20/01/2017 - 19:39

Não entendi revolta???um belo cavalo mecânico muito forte q não fica quebrando

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roberto Dias Alvares 20/01/2017 - 20:27

Gustavo Fumes, boa noite.
A revolta dos caminhoneiros e em especial do carreteiro Basilio não é com seu belo estradeiro Mercedes Benz LS 1941 mas com a atitude das autoridades brasileiras que criam impostos e dificultam a vida dos heróis da estrada.

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