Consumo de ARLA abaixo das estimativas preocupa o mercado

O aditivo ARLA 32, introduzido em 2012 para motorizações Proconve P7/Euro 5 em caminhões e ônibus, está 45% abaixo do consumo esperado. As informações são da Afeevas (Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissores Veiculares da América do Sul). Boa parte desse deficit se deve ao uso de sistemas que fraudam o sistema eletrônico do Arla 32, conhecido como Chip Paraguaio, e que tem o uso proibido no Brasil.

O Arla 32 é um aditivo baseado em Ureia, e é injetado no sistema de escapamento dos caminhões equipados com a tecnologia SCR, reduzindo a emissão de óxidos de nitrogênio, extremamente danoso à saúde humana.

Além das fraudes do sistema, há empresas que vendem o aditivo com qualidade duvidosa, sem certificação do Inmetro, o que compromete a redução dos poluentes e também causa desgaste prematuro no sistema do caminhão, pois pode conter contaminantes.

O resultado disso, segundo o diretor adjunto da Afeevas, Elcio Farah, são perda de potência, danos ao sistema mecânico do veículo e aumento da poluição. “É questão de tempo para o veículo ter problemas no sistema, até ficar inoperante. Um produto de má qualidade ou diluído começa a criar cristais no catalisador até bloquear totalmente o sistema”, explica.

A preocupação da entidade, é que com o atual deficit, o Proconve P7/Euro 5 deixa de ser eficaz. O número ideal dessa defasagem seria abaixo dos 20%. As fraudes do sistema, se constatadas por agentes de trânsito, como a PRF ou Ibama, podem resultar em multa e apreensão do veículo até a regularização. O Ibama também alerta que a instalação de sistemas que burlem os sensores do caminhão caracterizam crime ambiental. A multa pode chegar a até R$ 50 milhões.

O Projeto de Lei 6057/16, do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), prevê punições ainda maiores a quem utilizar qualquer artificio para burlar o sistema de Arla de caminhões e ônibus. O projeto está em analise na Câmara dos Deputados.

“É uma fraude praticada por motoristas, transportadoras e oficinas mecânicas, com o objetivo de economizar, mas que coloca em risco o meio ambiente e a saúde de milhões de brasileiros, o que demanda punição condizente com a gravidade do ato praticado”, observa Jerônimo Goergen.

Já os caminhoneiros alegam que o valor do litro de Arla 32 está muito acima do que a categoria tem condições de pagar, o que acaba aumentando demais o custo do frete, e os caminhoneiros acabam isolando o sistema para evitar prejuízos. Não há nenhum tipo de incentivo ou subsídio sobre o preço do Arla 32.

Blog do Caminhoneiro

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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