O motorista de carro pequeno
naquela manhã parecia contente.
Pela rodovia dirigia sereno.
Não via nenhum caminhão a sua frente.
Estacionados à beira do acostamento
amontoavam-se caminhões parados.
Naquela manhã o trafego não estava lento.
Carros e motos andavam apressados.
O homem sorria de contentamento.
Afinal os caminhões só atrapalhavam.
Com eles, o tráfego virava um tormento.
Filas e filas de carros se formavam.
Chegaria até adiantado ao serviço.
Teria que parar para abastecer.
“Sem caminhão é melhor”, pensava isso.
Em breve não sabia o quanto iria se arrepender.
Ao parar no posto para o abastecimento
sentiu uma frustração imensa e terrível.
Não tinha álcool ou gasolina naquele momento.
Caminhão não fez entrega de combustível.
Chegou para trabalhar na empresa.
Era funcionário de uma grande siderúrgica.
Ali não havia nenhuma chama acesa.
Não fabricariam peças para metalúrgica.
O transporte de gás ou de carvão,
Naquele dia também não foi feito.
Lembrou-se que tudo chegava de caminhão.
Sem matéria prima, de produzir não havia jeito.
Não tinha como voltar de automóvel.
Combustível do tanque estava na reserva.
O espanto o deixa assustado e imóvel.
Situação difícil que a qualquer um enerva.
No ponto de ônibus não havia ninguém.
Após algum tempo veio a decepção.
Os ônibus não circulavam também.
Sem diesel não havia meios de locomoção.
Andando a pé foi ao mercado.
Precisava comprar suprimentos.
Mas ao chegar ficou decepcionado.
Não havia mercadorias e nem mantimentos.
Viu em uma televisão o telejornal.
Hortifrutigranjeiros estragavam na roça.
Todo o transporte de produto essencial
sem caminhão, fazê-lo não há quem possa.
Lojas de eletrodomésticos vazias.
No caminhão é que tudo se carrega.
Para vender não haviam mercadorias.
Naquela manhã nenhum deles fez entrega.
Chegou em casa desanimado e exausto.
Ouviu da esposa muita reclamação.
A cidade era uma mistura de caos e holocausto.
Nada funcionava naquela situação.
Os caminhoneiros não suportaram mais.
Pagando para transportar por este solo brasileiro.
Combustível e o pedágio, caros demais.
Eles lutando sozinhos para tirar o Brasil do atoleiro.
Para aquele homem serviu de alento
Ao ver políticos sem poderem se locomover.
Para eles era um verdadeiro tormento.
Seus jatinhos inertes na pista podiam ver.
Veio a ordem judicial
Exigindo liberarem a pista de rolamento.
O caminhoneiro posto como vilão, culpado de todo mau.
Pela mídia, marginalizado naquele momento.
Mas sabendo da força que tinham agora,
Ninguém arredou pé ou desistiu.
Afinal, de mostrar insatisfação é chegada a hora.
Colocar nos trilhos da decência nosso Brasil.
Economistas só pensando na economia,
Dizendo que o governo não deve abrir mão.
Baixar impostos, segundo eles, não poderia.
A greve prejudicaria a cadeia de produção.
Cortar impostos então não pode.
Mas massacrar o trabalhador sim.
Como está, que nenhum caminhão rode.
Ou o governo cede ou a greve não terá fim.
Essa luta não é só deles, acredite.
Afinal sofre toda a população.
Uma minoria quer se manter na elite.
Ás custas do sofrimento e da exploração.
Este povo brasileiro que sofre
Não aguenta mais e o momento é crítico.
O governo que trate de abrir o cofre.
Se tiver de cortar que seja o salário do político.
Roberto Dias Alvares
Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade
Leia mais