A CURVA DA APARIÇÃO – Caminhão Dodge D 60 6×2

Aquele trecho era um drama
para quem vivia na estrada.
Ali havia curva que tinha fama
de ser mal assombrada.

Já havia morrido muita gente
que não conhecia aquele traçado.
Mesmo motorista competente
ali tinha se acidentado.

Carros, ônibus e caminhões
e até mesmo envolvendo motocicleta,
Passaram difíceis situações.
Naquela curva teve acidente com bicicleta.

Ali haviam muitas cruzes
para lembrar quem ali perdeu a vida.
De madrugada pessoas viam luzes.
e a origem era desconhecida.

Quem seguia por aquela rodovia
era o caminhoneiro Jorge.
Já cansado por rodar todo o dia
ao volante do seu caminhão Dodge.

Era um bonito caminhão
Detalhes verdes na cabine amarela.
Ia acompanhado pela solidão.
O pensamento na noiva Isabela.

Naquela noite bastante escura
viu uma mulher de branco vestida.
Não sabia por que faria tal loucura.
Parou e uma carona foi oferecida.

Jorge a cumprimentou.
Ela nada lhe respondeu.
Seu caminhão acelerou
e o seu motor logo atendeu.

Aquela mulher de repente
pôs-se a dizer desesperada,
para diminuir a velocidade urgente.
Pedia com veemência, implorava.

Vendo a jovem naquele desespero
Jorge atendeu ao pedido.
Nada entendeu o caminhoneiro,
mas o ritmo foi diminuído.

Entrou naquela curva fechada
e mesmo em baixa velocidade,
quase que saí da estrada,
causando acidente de alta gravidade.

Do buraco, Jorge passou a beira.
Cair no desfiladeiro um risco.
Ao contornar a curva traiçoeira,
o caminhoneiro ficou arisco.

Para a mulher em seu caminhão
perguntou o que fazia ali, perdida.
A resposta gelou seu coração.
“Só vim para salvar a sua vida”.

Diante de seus olhos desapareceu
e ele quase perdeu a direção.
Perguntava-se: “O que aconteceu”?
Seria ela um anjo ou assombração.

Em um posto de gasolina,
viram chegar homem esbaforido.
Desceu trêmulo da cabina.
Estava totalmente perdido.

Não conseguia pronunciar palavra
tamanho foi o susto que levou.
Pensaram que bebera pinga brava.
Copo de água com açúcar tomou.

Ao contar do acontecido.
Fora salvo por aparição.
Naquela curva teria morrido,
pois não seguraria o caminhão.

O dono daquele posto
ouvindo de Jorge o relato.
Nada se alterou em seu rosto.
Já ocorrera outras vezes de fato.

Dormiu aquela noite no lugar.
Partiu logo de madrugada.
Naquele dia teria de descarregar.
Quinhentos quilômetros de estrada.

Não se esqueceria daquela experiência.
Tinha certeza que tivera uma visão.
Se não podia ser explicado pela ciência.
Agradeceu por sua salvação.

Roberto Dias Alvares

Publicado por
Roberto Dias Alvares

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