Essa pressão por mais entregas aliada a redução na oferta de caminhoneiros, já que muitos milhares tem deixado de trabalhar no transporte desde 2019, estão fazendo com que os salários para quem trabalha com caminhões suba consideravelmente.
A falta de caminhões para realizar entregas fez os fretes subirem cerca de 30% no e-commerce, e, apesar disso ser ruim para os consumidores, tem aumentado os salários dos caminhoneiros na mesma faixa percentual.
No inicio da pandemia, em abril, quase 90 mil caminhoneiros foram demitidos nos Estados Unidos, devido à queda imediata na demanda. A partir de maio, a demanda por transporte rodoviário começou a subir gradativamente, e, em agosto, atingiu um nível recorde para o mês, passando os volumes de antes da pandemia.
Apesar disso, existe certo receio de uma nova onda de surtos do coronavírus, que pode impactar novamente o setor de transportes.
Mesmo com o aumento da demanda e dos salários, muitos motoristas de caminhão que abandonaram a profissão em 2019 ou antes não irão voltar para o setor. Muitos já se aposentaram. A idade média dos caminhoneiros nos EUA passa dos 50 anos, e cada vez mais caminhoneiros tem se aposentado todos os anos. Outra explicação é que muitos preferem trabalhar perto de casa, em entregas regionais, como alimentos e materiais de construção.
Algumas entidades dos Estados Unidos estão elaborando relatórios para medir o aumento do salário dos caminhoneiros, em uma indústria de transporte que movimenta mais de US$ 800 bilhões por ano.
Apesar disso, a falta de caminhoneiros pode causar problemas sérios para a economia norte-americana, já que falta de produtos e de entregas pode fazer os preços dispararem. Desde 2018, algumas empresas já anunciaram que tiveram que aumentar os preços de seus produtos devido ao encarecimento dos fretes.
O salário médio anual de um motorista de caminhão nos Estados Unidos é de US$ 59.158 (quase US$ 5 mil por mês). Apesar disso, para os padrões do país, os salários são baixos, devido às dificuldades da profissão, tempo longe de casa , excesso de exigências e outros.
A empresa Sysco Corporation, que trabalha com distribuição de alimentos, tem os salários mais altos registrados para os motoristas de caminhão, com valor chegando aos US$ 87.204 por ano.
O melhor salário, na média, é pago para os motoristas do estado de Dakota do Norte, US$ 53.720 por ano.
Já no Brasil, a média salarial para motoristas de caminhão está em R$ 1.889,22 por mês (R$ 24.559,86 anualmente, contando com o 13º salário). As informações são baseadas em dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O problema da falta de motoristas está tão sério nos Estados Unidos, que estão sendo estudados e desenhados vários projetos para ampliar a oferta de mão de obra para o setor. Entre eles, a redução da idade mínima para os motoristas de carretas, reduzindo dos atuais 21 para 18 anos, o aumento de salários, que não tem surtido muito efeito, e até a importação de mão de obra de outros países.
Esse último tema está em acalorados debates no país, que cada vez mais fecha suas fronteiras para imigrantes estrangeiros. Não existe um modo fácil de conseguir cidadania americana para trabalhar no país, e, imigrando ilegalmente, existe o risco de deportação, além de não se conseguir obter os documentos necessários para poder trabalhar formalmente.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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