Com diversas respostas, o resultado mostrou que a maioria dos caminhoneiros é insatisfeita com o salário pago. Para 80,8% dos caminhoneiros que responderam, os baixos salários influenciam na saída dos caminhoneiros da profissão. Outro ponto que recebeu muitas críticas também foi a falta de estrutura nas estradas, com locais adequados para o caminhoneiro parar, descansar, usar banheiros e se alimentar.
A maioria dos motoristas que responderam ao questionário tem idade entre 25 e 40 anos, 57,8%, com motoristas mais velhos, entre 41 e 55 anos, representando 24,8% do total de respostas dadas.
Outro ponto citado por muitos dos motoristas é que falta às empresas programas de treinamento para aqueles que não tem experiência, e também o fato de das transportadoras recusarem candidatos de outras regiões.
Entre as respostas, alguns citam que se disponibilizam a realizar mudança de endereço, principalmente para as regiões Sul e Sudeste, que tem concentrado a maioria das vagas disponíveis, mas que seus currículos são recusados mesmo assim.
Os salários, como problema mais citado, levou a outra resposta em conjunto, o tempo longe de casa. Os motoristas acham que o salário pago é pequeno levando em consideração o tempo que se passa na estrada, sem poder ficar em casa.
Outros motoristas citam que o conjunto de problemas citados na pesquisa está inviabilizando a profissão, que além de salários baixos, destacou as questões de:
A falta de motoristas no Brasil começou novamente, de acordo com estudo realizado pelo Setcesp (Sindicato das empresas de transporte do estado de São Paulo). O sindicato realizou um levantamento de diversos dados, mostrando que o número de motoristas obtendo as carteiras de motoristas profissionais, das categorias C, D e E vem caindo, enquanto a idade média dos motoristas vem subindo.
Esse problema já é crítico em outros países e também chegou a ficar grave no Brasil antes de 2011, quando a falta de motoristas era estimada em 50 mil ou mais.
Devido às sucessivas crises econômicas enfrentadas pelo país, o número de vagas foi reduzido, e a conta se estabilizou por certo período, com a curva começando a se inverter novamente, para a falta de caminhoneiro, nos últimos anos.
O sindicato também destacou que cerca de 81% das empresas do estado de São Paulo já sofrem com o problema, e mais de 34% já estão passando por uma grande rotatividade de profissionais, que acabam ficando pouco tempo trabalhando e mudam de empresa e até de profissão.
Para 38% das empresas, algum veículo ou parte da frota está parada, sem motoristas suficientes para manter todos os caminhões rodando.
Além disso, o Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), que é vinculado ao Setcesp, mapeou mais de 500 vagas para motoristas de caminhões, carretas e outros, apenas no estado de São Paulo.
Se nada for feito para estabilizar esses números, o problema pode piorar muito nos próximos anos, ou até meses, dependendo da força da retomada econômica pós pandemia.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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