Despedida do Scania L-111 aconteceu há quarenta anos

A Scania chegou ao Brasil oficialmente em 1957, enviando veículos desmontados da Suécia, onde eram finalizados pela Vemag, em São Paulo. O início da história da montadora no Brasil foi feito com o caminhões L, que começaram a ser produzidos totalmente aqui um ano depois da chegada da marca ao país, com 35% de nacionalização.

Apesar disso, a montadora já enviava caminhões ao Brasil antes disso. Em 1948, a empresa Siemol Sociedade Importadora de Equipamentos para Motores Ltda. importou o primeiro ônibus Scania ao Brasil. O primeiro caminhão chegou em 1949. Era um modelo L 65, produzido em 1949, que chegou ao Brasil em 12 de dezembro daquele ano.

Em 1951, a Vemag, que depois passou a ser parceira da Scania na montagem dos caminhões, já importava caminhões da Suécia. Como a Vemag era importadora oficial da Studebaker, fabricante norte-americana de carros, os caminhões s ônibus Scania eram adquiridos nas concessionárias da marca espalhadas pelo Brasil, durante a década de 1950.

Entre os anos de 1957 e 1981, a Scania produziu no Brasil os icônicos modelos L, em versões L-71, L-75, L-76, L-110 e L-111, além das versões LK de cabine cara-chata. Os modelos bicudos ficaram famosos pelo apelido de “Jacaré”, e ainda rodam aos milhares por todos os cantos do Brasil.

Os primeiros motores produzidos pela marca no Brasil eram os D10, com dez litros de cilindrada, 6 cilindros em linha e potência de 167 cavalos, que equipavam os modelos L 75 e o ônibus B 75. A produção dos motores no Brasil começou em 1959.

Já a partir de 1971, os caminhões da marca deixaram a nomenclatura L-76 e passaram a ser chamados de L-110, mudando, principalmente, no sistema de freios. O número se refere à litragem do motor (11), e à série (0). Esse padrão de nomenclatura se manteve até 2006, com os modelos 124 e 164.

Mas foi no finalzinho de 1975 que entrou em produção o caminhão tema deste texto. Equipado com motor DS11, com 11 litros, 296 cavalos de potência e 1.100 Nm de torque, o Scania 111 tinha caixa de câmbio GR 860, com dez marchas, todas sincronizadas, eixo traseiro com relação 4,71:1 e usava pneus 11.00×22.

Com PBTC de 40 toneladas, o caminhão poderia transportar até 26 toneladas de carga, dependendo da configuração, e, mesmo totalmente carregado, apresentava um ótima média de consumo.

Além da versão cavalo-mecânico (L-110), havia ainda as versões LS, na versão 6×2, e LT, na versão 6×4. Além desses modelos, havia a variante com um S no final do nome, que significava que o modelo tinha motor turbinado, como o L-111 S.

O 111 chegou ao Brasil apenas um ano depois da apresentação na Europa, que ocorreu em 1974. Foi o 111 o caminhão que marcou os 20 mil caminhões Scania produzidos no Brasil, em versão L-111 4×2, que saiu de fábrica em 1976.

Nesse momento, já estava em desenvolvimento na Europa a nova linha de caminhões T, da série 2, batizados de 112 e 142. São os primeiros modelos Scania modulares, onde todos as versões tem peças intercambiáveis, e podem ser produzidos de acordo com as necessidades de cada cliente.

Em 1980, a fábrica da Scania em São Bernardo do Campo vê pela primeira vez o protótipo dos novos caminhões, já desenvolvido no Brasil.

Com a chegada iminente da nova série de caminhões, foi no dia 1º de abril de 1981 que o último Scania L-111 deixou a linha de montagem da empresa. Os modelos LK foram substituídos em novembro de 81, com a chegada da nova linha R.

O lançamento oficial da nova série T aconteceu no dia 13 de abril, e, a partir de 22 de maio, os novos modelos começam a ganhar as estradas.

Entre a década de 1950 e 1981, mais de 115 mil Scania do modelo L foram vendidas em todo o mundo.

Apesar dos 40 anos longe das linhas de montagem, o Scania L ainda é figura comum nas estradas do Brasil, ostentando a cor laranja, o longo capô, a cabine arredondada e os faróis com os famosos cílios.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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