Empresas de transporte se preparam para o crescimento da falta de motoristas

As empresas de transporte da Europa e Ásia estão otimistas quanto ao crescimento da economia em 2021, após a queda causada pela pandemia do coronavírus em 2020. Apesar disso, o número de vagas abertas para caminhoneiros que não serão preenchidas deverá crescer significativamente neste ano.

Os dados foram publicados pela Organização Mundial do Transporte (IRU), que fez uma pesquisa com mais de 800 empresas da Europa e Ásia, e também do México.

De acordo com a pesquisa, 17% das vagas abertas em 2021 para motoristas não serão preenchidas na Europa. Esse número deve chegar a 18% no México, 20% na Turquia, 24% na Rússia e mais de 30% no Uzbequistão.

A falta de motoristas tem sido uma tendência mundial. Quanto mais as economias crescem, mais o transporte rodoviário é requerido, e com isso, mais motoristas são necessários. Apesar disso, há cada vez menos interesse na profissão.

A pesquisa da IRU também diz que a profissão não é atrativa ou cria barreiras para a entrada de jovens e mulheres no setor. De acordo com os números, menos de 2% dos motoristas de caminhão e ônibus do planeta são mulheres. Na Europa, com algumas políticas de incentivo, o número de mulheres trabalhando como motoristas de ônibus cresceu de 10% para 16% do total de motoristas.

“A falta de motoristas ameaça o funcionamento do transporte rodoviário, das cadeias de abastecimento, do comércio, da economia e, em última instância, do emprego e do bem-estar dos cidadãos. Este não é um assunto que pode esperar, é preciso agir agora”, disse o secretário-geral da IRU, Umberto de Pretto.

Já os números de motoristas com menos de 25 caiu em todo os lugares pesquisados, para menos de 5% na Europa e na Rússia, 6% no México e 7% na Turquia. Atualmente, a idade média dos motoristas das empresas analisadas na pesquisa fica em 50 anos.

Para a IRU, a idade mínima para dirigir um caminhão deveria ser reduzida, dos atuais 21 anos na maioria do países, para 18 anos. A entidade diz que isso cria uma lacuna entre o momento que o jovem deixa a escola e possa assumir o volante, fazendo com que eles sigam para outros setores.

A IRU destaca ainda que a idade de 18 anos para dirigir seria o ideal, com treinamentos podendo ser feitos a partir dos 17 anos.

Outro ponto é o aumento da segurança e da infraestrutura nos locais de parada e descanso para motoristas que operam em longas distâncias, o que encorajaria mais homens e mulheres a assumirem um caminhão.

“As soluções existem, mas se os governos não agirem agora para facilitar o acesso à profissão, melhorar as condições de trabalho e capacitar a força de trabalho, a escassez de motoristas continuará a atrapalhar e eventualmente danificar irreparavelmente as redes de mobilidade e cadeias de abastecimento vitais”, concluiu Umberto de Pretto.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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