Quase metade das caminhoneiras afirma que já sofreu algum tipo de ataque e nas transportadoras esse número chega a 56,3%.
“Prefiro ter fama de brava do que dar brecha para confusão”, desabafa uma das caminhoneiras entrevistadas.
De acordo com 70% das entrevistadas, é necessário evitar o uso de certos tipos de roupas, sapatos e maquiagem, e quase metade, 42%, diz que evitam sorrisos e comportamentos simpáticos.
As operadoras logísticas também sofrem constantes questionamentos sobre sua capacidade de lidar com caminhoneiros. Além disso, mais da metade afirma ter ouvido comentários desrespeitosos durante o expediente.
“É um ramo que tem apresentado crescimento na presença do público feminino, mas os embarcadores sempre dão preferência para homens na hora de fechar o negócio”, constata uma proprietária de uma pequena transportadora, que não quis ser identificada.
Apesar de todas as dificuldades, as mulheres também demonstram paixão pelo trabalho que escolheram.
“Meu pai era caminhoneiro e eu sonhava em poder ter liberdade e viajar pelo país”, conta outra motorista.
Essa é a realidade para um terço das caminhoneiras que apontaram a liberdade para viajar como uma das principais motivações para abraçar a profissão. Cerca de metade delas afirma que adoram a profissão e, do lado das operadoras de transporte, 75% afirmam ter um grande apreço pelo que fazem.
A FreteBras vem conduzindo uma série de iniciativas para buscar ampliar a diversidade no setor e incentivar a igualdade de gênero.
“Metade dos nossos colaboradores são mulheres e metade dos nossos líderes também. Desenvolvemos o talento feminino dentro de casa e, por isso, nos sentimos instigados a realizar este estudo para entender mais a fundo a situação da indústria na qual estamos inseridos. Foi uma satisfação descobrir que, apesar dos desafios, as mulheres estão motivadas a seguir carreira na área”, explica Bruno Hacad, Diretor de Operações da empresa.
A pesquisa foi realizada por meio de um levantamento de hipóteses feito durante o mês de fevereiro com mulheres caminhoneiras e operadoras de logística/ Posteriormente, estas hipóteses foram testadas através de um questionário on-line aplicado durante o início do mês de março.
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do (CNT) em 2019 com 1006 motoristas informou que 99,5% dos entrevistados eram homens. Considerando que o Brasil tem cerca de 2 milhões de motoristas em atividade, a projeção é de que existam por volta de 10 mil mulheres na profissão.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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