E é aí que os preços mudam muito. Caminhões fabricados há muitos anos aos montes, como os modelos FNM, que reinavam nas estradas brasileiras nas nos anos 1960 e 1970, tem preços muito diferentes se for “velho” ou “antigo”. Os preços do modelo D-11.000, líder de mercado nos anos 1960, por exemplo, varia de R$ 35 mil a R$ 250 mil, dependendo a originalidade e do nível de restauração, se ele receber.
Outro campeão de preço é um Volkswagen 22.160, equipado com motor a álcool, que nunca foi usado. Diferente de um caminhão restaurado, que passa por um trabalho de reconstrução de cada sistema, um veículo sem uso nunca teve um parafuso trocado, mantendo todos os detalhes exatamente como no dia que saiu de fábrica.
Esse caminhão, fabricado em 1987, está em Campinas, e rodou somente 135 quilômetros depois que saiu da fábrica. O caminhão é equipado com o motor Chrysler 318 V8. Além de ser usado no 22-160, após a Volkswagen comprar a Chrysler/Dodge, esse motor também equipou os modelos VW 11-160 e 12-160. E também equipava o Dodge Dart.
Voltado para operações em usinas de cana, os caminhões eram usados até o “osso”, praticamente sem parar de trabalhar até o final da vida útil. Por isso, um modelo nesse grau de conservação é extremamente raro, e está sendo vendido por impressionantes R$ 370 mil.
Geralmente, a resposta para essa pergunta, financeiramente, é NÃO. Em muitas restaurações, principalmente de veículos mais raros, o custo acaba ultrapassando muito o valor de mercado do veículo, o que inviabiliza a venda com retorno financeiro.
O que vale a pena em uma restauração é resgatar um pedaço da história do setor de transportes, muitas vezes devolvendo a vida para um caminhão que iria ser destruído se não achasse alguém que se interessasse por ele.
Apesar da reforma melhorar o aspecto geral do veículo, com um custo bem menor que o de uma restauração completa, muitas vezes não são usadas peças originais para o modelo, além do trabalho poder não ser o ideal para quem procura um modelo para colecionar.
Por isso, em alguns casos, manter o veículo original, mesmo com as marcas do tempo, como pintura desgastada e amassados, pode ser mais valioso do que perder a originalidade com uma reforma mal feita.
O preço de um caminhão antigo, ou mesmo de um carro antigo, é determinado pela procura que o veículo tem. Quanto mais procurado o modelo, maior é o preço. Porém, de uns anos para cá, com o aumento da procura por veículos antigos, surgiram no mercado os “antigoportunistas”, pessoas que compram modelos antigos, muitas vezes em estado não tão bom, maquiam o veículo para parecer melhor do que realmente está e vendem por preços exorbitantes, o que fez o mercado de antigos valorizar muito, de uma forma não natural.
Isso acontece muito com os automóveis. Alguns modelos, até com menos de 30 anos e, portanto, não considerados antigos, tem preços superiores aos de quando eram novos, alguns acima dos R$ 100 mil. Geralmente, esses anúncios chamativos são feitos nas redes sociais, usando jargões conhecidos, como “veículo para pessoas exigentes”, ou “para coleção”. Por isso é bom sempre ficar esperto com os anúncios e analisar bem o veículo antes de comprar.
Geralmente é melhor procurar empresas de confiança para fechar o negócio, que tenham tradição nesse tipo de venda.
Um dos caminhões brasileiros mais procurados atualmente é o FNM D-7300, fabricado no ano de 1949, importados da Itália e baseados no Isotta Fraschini D-80. Esse caminhão é considerado extinto, pois somente 200 unidades foram produzidas. Se um fosse encontrado, em qualquer estado de conservação, poderia fácil chegar ao milhão de reais ou mais.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
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