Logo após o gravíssimo acidente, que espalhou uma nuvem de radiação por toda a Europa, havia a necessidade da contenção emergencial da radiação, para evitar que danos ainda maiores ocorressem e mais pessoas morressem.
Entre as centenas de trabalhadores envolvidos no serviço, algumas dezenas precisaram operar caminhões especiais em locais muito próximos ao reator, no transporte de materiais contaminados e concreto para isolamento do reator.
Para desenvolvimento do caminhão especial, a principal mudança ocorreu na cabine. A cabine original do modelo não tinha proteção nenhuma contra radiação, e os níveis próximos à usina eram altíssimos, podendo matar uma pessoa em pouco tempo.
O setor de engenharia da KrAZ desenvolveu uma cabine em aço, com 3mm de espessura, revestida com placas de chumbo e vidro especial, uma espécie de cápsula, para o motorista trabalhar dentro, recebendo o mínimo possível de radiação.
Após a montagem, todas as cápsulas eram testadas quanto à penetração de radiação, e podiam receber ainda mais chumbo para reforço. Com isso, o peso total de cada cabine era superior às 3 toneladas, exigindo que o chassi, suspensão e pneus do lado esquerdo do caminhão fossem reforçados.
Com a cabine quase hermeticamente fechada, havia um problema sério a respeito da entrada de ar para o motorista. Isso foi resolvido rapidamente com a instalação de um poderoso filtro de ar FWUA-100N, que suporta muito bem os efeitos da radiação.
A construção do primeiro protótipo, testado por apenas 26 quilômetros, ficou pronto em 10 de julho de 1986. Até o dia 27 de julho, 18 caminhões especiais foram criados. Eles receberam a codificação KrAZ-256B1-030, e foram enviados de trem para Chernobyl em caráter emergencial.
Um momento extremamente delicado, a dedicação dos funcionários da KrAZ para montagem dos veículos especiais, trabalhando por até 24 horas sem descanso, foi homenageada com condecorações anos mais tarde.
Os caminhões foram operados praticamente sem descanso, por uma série de caminhoneiros corajosos e dedicados, até o final da construção do sarcófago, que isolou o reator, reduzindo a emissão de radiação para o ar.
A história dos caminhões após a finalização das obras, assim como muita coisa à respeito do desastre de Chernobyl, permanecem ocultos devido às restrições impostas pelo regime socialista soviético.
Especula-se que os veículos usados, máquinas, caminhões, robôs e muitos outras coisas foram enterrados na região de Burakowka, próximo ao local da usina. Apesar disso, há quem diga que foram enviados novamente para a fábrica. Mas não há como saber exatamente.
Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
Privacidade e cookies: Esse site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, acesse nossa página de política de privacidade
Leia mais