Somente a matemática pode salvar o caminhoneiro autônomo

Nos últimos anos, os custos para a realização das operações de fretes no Brasil dispararam. Além do valor dos combustíveis, que tem tido uma alta média na casa dos 40% por ano, sendo o principal custo para o transporte rodoviário de cargas, outros insumos também tiveram os valores aumentados significativamente.

Essas altas causam impacto negativo no faturamento de caminhoneiros autônomos e empresas, mas é para os autônomos que a corda estica mais. Para Bruno Hacad, Diretor de Operações da FreteBras, que conversou com o Blog do Caminhoneiro na tarde da última quinta-feira, 24 de março, só existe uma forma do caminhoneiro autônomo continuar resistindo no setor: Fazer contas.

“O caminhoneiro tem que começar a fazer conta. Precisa saber de fato quanto aquele frete custa para ele. Colocar custos como a depreciação do caminhão, até o tempo dele como custo”, disse Bruno.

Para Bruno, se o caminhoneiro autônomo trabalhar sem planejamento, dirigindo seu caminhão no limite dos custos, qualquer evento que ocorra fora do esperado, como uma manutenção emergencial, vai trazer prejuízo e dificultar a continuidade da operação a longo prazo.

O executivo também destaca que o caminhoneiro precisa calcular todos os custos do frete, de forma que possa ter um “colchão”, um valor guardado para poder investir, trocar de veículo e ter segurança futura.

“O caminhoneiro precisa ter um colchão. Guardar um dinheiro para poder crescer, comprar um segundo caminhão”, pontuou.

Outra dica do diretor é para o caminhoneiro operar no transporte com inteligência, buscando aumentar a rentabilidade dos fretes, por exemplo, com o transporte de cargas complemento, se a operação principal permitir.

“A gente vê aqui dentro [da FreteBras], caminhoneiros ganhando dinheiro, por exemplo, em cargas complemento. Tem motorista que torce o nariz para o complemento. Mas tem quem ganha dinheiro aí. Compra até novos caminhões assim. Como que alguns conseguem e outros não? Esse motorista faz conta, põe na ponta do lápis”, destacou.

Recusar fretes que não cobrem os custos também é uma forma melhorar os valores de todos os fretes. Bruno diz que as cargas estão lá e precisam ser transportadas, em caminhões, de uma forma ou outra. Se o valor ofertado for muito baixo, e se nenhum motorista aceitar aquele frete, o único jeito vai ser o dono da carga subir o valor ofertado.

“Os motoristas precisam fazer a parte deles. Precisam se unir, não aceitar valores baixos, e sempre fazer contas, se posicionando com as transportadoras. Na prática, as empresas precisam cumprir os contratos delas. Precisando cumprir os contratos, ela precisam carregar em caminhões. É a transportadora que não tem escapatória”, finalizou.

Calculadora FreteBras

A ferramenta, gratuita e on-line para todo o setor, permite ao caminhoneiro informar alguns poucos dados como valor do caminhão, quantidade de viagens que realiza por mês, quilometragem da viagem, entre outros, para devolver o custo total que terá para cada frete. Com este dado em mãos, o motorista soma o valor de sua diária, pedágios, além de sua margem de lucro desejada, e terá em mãos a informação mais correta de quanto deve cobrar pelo frete.

A Calculadora de Custos foi criada com base em informações obtidas por meio de entrevistas, diretamente com os caminhoneiros mais experientes, para entender os impactos de despesas como depreciação do veículo, desgaste de pneus, consumo de combustível, gastos com óleo lubrificante, documentação, seguro, impostos, entre outros.

O programa conta também com ações educativas, que são divulgadas nas redes sociais da empresa e através de mídias parceiras e estão em fase de testes também programas de descontos em redes de postos de gasolina. O primeiro piloto está sendo realizado com a rede Sim de Santa Catarina e, dependendo da adesão dos motoristas, poderá ser expandida para outras regiões.

“O programa CalculaFrete é algo que sonhávamos há muito tempo e ficamos extremamente felizes de lançar ele em um momento em que o caminhoneiro se vê extremamente impactado pelo aumento dos custos. Ainda estamos em piloto e todas as recomendações de melhoria são bem-vindas. Convidamos todos os motoristas a testarem a calculadora e assumirem as rédeas dos custos do trecho”, finaliza Hacad.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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