Estados Unidos fornecem três tipos de vistos de trabalho para caminhoneiros

Com o problema crescente da falta de profissionais para o setor de transportes nos Estados Unidos, diversas empresas e entidades já solicitam ao governo daquele país algumas formas de facilitar a entrada de imigrantes, para assumirem a direção de caminhões em rotas interestaduais, segmento que mais enfrenta escassez de mão de obra.

Para as empresas, conseguir caminhoneiros estrangeiros com maior facilidade seria a forma mais rápida de aliviar os efeitos do problema, e colocar as suas frotas plenamente na estrada, evitando manter caminhões parados por falta de empregados.

A medida também aliviaria problemas graves que vem ocorrendo na cadeia logística do país, com fretes cada vez mais caros e produtos que acabam demorando mais do que deveria para ser entregues.

E para os imigrantes que fossem aceitos no país, a oportunidade poderia ser uma grande mudança no estilo de vida, com ganhos estimados em mais de US$ 50 mil por ano, podendo chegar aos US$ 110 mil em algumas empresas.

Só que o processo de imigrar para o país e obter o visto que permite tirar a carteira de motorista profissional é lento e muito caro. Tanto para o imigrante quanto para a empresa interessada em contratá-lo.

O tempo médio para se obter esse documento chega aos dois anos, e pode custar mais de US$ 20 mil para cada uma das partes, devido aos longos e burocráticos processos envolvidos.

Apesar do custo e dificuldade, o país já oferece três tipos de vistos para caminhoneiros, que também são usados por outros tipos de trabalhadores que pretendem morar nos Estados Unidos.

Os vistos H-2B, EB-3 e E-2 podem ser obtidos por trabalhadores nos Estados Unidos, geralmente em áreas que enfrentam alguma escassez de mão de obra, como é o caso do setor de transportes.

Visto H-2B

Empresas de transporte dos Estados Unidos podem contratar caminhoneiros estrangeiros por meio do visto H-2B. Esse tipo de visto foi criado para ajudar as empresas a reduzir a escassez de mão de obra onde os trabalhadores norte-americanos não estão dispostos e não são capazes de realizar trabalho não agrícola.

Esse visto pode ser obtido por um prazo de doze meses, que pode ser prorrogado por até três anos, caso a empresa prove que a necessidade de mão de obra persiste.

Para que seja possível obter esse visto, a empresa precisa ser certificada pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, mostrando que não consegue realizar a contratação de cidadãos do país.

O visto H-2B só pode preencher uma necessidade temporária, como uma ocorrência única, necessidade sazonal, necessidade de pico de cargas ou necessidade intermitente.

Depois de obter a aprovação da certificação de trabalho, o empregador dos EUA deve enviar uma petição aos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS).

Após a aprovação da petição, os caminhoneiros selecionados devem ir ao consulado dos EUA mais próximo para obter um visto no passaporte antes de poderem entrar nos EUA e começar a trabalhar.

EB-3 – Opção de Residente Permanente Baseado no Emprego

O visto EB-3 é muito semelhante ao H-2B, mas a grande diferença se dá pelo tempo de permanência nos EUA, que é indeterminada.

Ele permite que as empresas contratem caminhoneiros estrangeiros sem qualificações especiais, como faculdades, que poderão residir no país para sempre.

O visto EB-3 também exige uma certificação de trabalho do Departamento do Trabalho para a empresa, nos mesmos moldes do H-2B.

Como a falta de caminhoneiros no país é amplamente noticiada, não é difícil para as empresas provarem que não conseguem contratar norte-americanos.

Depois que a empresa é aprovada pelo Departamento do Trabalho, ela deve apresentar uma petição de Residente Permanente ao USCIS.

Se essa petição for aprovada, o caminhoneiro deve ir ao consulado dos EUA mais próximo para obter o visto de imigrante ou, se estiver nos EUA, solicitar o ajuste de status.

O EB-3 é um processo mais demorado e caro que o H2-B, mas tem a vantagem de resolver a falta de motoristas de forma mais permanente.

Depois de obter o visto, o caminhoneiro ainda precisará obter a carteira de motorista nos Estados Unidos, já que o país reconhece apenas as carteiras de habilitação profissionais do Canadá e México em seu território. Originários desses dois países, os caminhoneiros podem obter o visto e começar a trabalhar no dia seguinte.

Caso contrário, o processo de obtenção de uma carteira de motorista comercial provavelmente levará algumas semanas na maioria dos estados dos EUA.

Visto E-2 – Proprietário Operador

Caminhoneiros autônomos, conhecidos nos Estados Unidos como proprietários operadores, também podem obter um visto exclusivo para trabalho no país. Essa classe de visto é para interessados em investir nos EUA, vindo a contratar mão de obra local.

A base para esse visto de trabalho seria um tratado de investimento assinado entre os EUA e o país de origem do caminhoneiro.

Esse visto só é obtido se houver um investimento substancial e um plano de negócios muito sólido, criado para esse fim. Esse plano de negócios deverá envolver perspectivas de contratação de norte-americanos em poucos meses, e também projeções de lucros e futuros investimentos.

Atualmente há um grande número de pedidos desses vistos de investidores do mundo inteiro, o que tem gerado uma fila de cerca de um ano apara análise de cada caso.

Esse visto também é limitado para pessoas que tenham cidadania de países que tenham tratados comerciais com os Estados Unidos, como Itália, Alemanha, Argentina, Chile, França, Colômbia, Paraguai, Israel, Japão, entre outros, e o valor mínimo de investimento é de US$ 100 mil.

Nos mesmos moldes, existe o visto EB-5, com um investimento bem mais alto, de US$ 800 mil.

Apesar dessas possibilidades, ainda existe muita burocracia para os caminhoneiros interessados em trabalharem nos EUA, e os prazos são bastante longos, o que, na maioria das vezes, acaba desestimulando os possíveis candidatos.

Publicado por
Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

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