HISTÓRIA DE NATAL 2022

Nivaldo era carreteiro antigo.
Naquela empresa a tantos anos.
O dono da transportadora, seu amigo.
Para o carreteiro tinha bons planos.

Nivaldo sempre mostrou competência.
Estava com o patrão desde o princípio.
Dirigia caminhão de qualquer potência.
Mercedes trezentos e vinte e um no início.

Dirigiu Fiat, Scania e Volvo.
DAF, MAN, Volkswagen, os mais atuais.
Transportou eletrônicos, frutas, grãos e ovo.
Nivaldo não era mais um jovem rapaz.

Os filhos já crescidos, um deles casado.
Os netos gostavam de estar com a avó.
O velho carreteiro estava cansado.
Sua esposa não queria mais ficar tão só.

O patrão de Nivaldo, senhor Carlos Heinz.
Ouviu o carreteiro dizer que iria parar.
O empresário, por toda dedicação deu parabéns.
Disse que por anos de trabalho o iria recompensar.

Senhor Carlos disse o que lhe daria.
Bônus seria grande soma de dinheiro.
Com a esposa, viajar na aposentadoria.
Fazer turismo pelo território brasileiro.

Eis que senhor Carlos sofreu enfarte.
Chamaram ambulância, foi socorrido.
Coração foi afetado em grande parte.
Cuidados não evitou que tivesse morrido.

Quem assumiu empresa de transportes.
Foi o filho de senhor Carlos, o falecido.
Rapaz mimado, empáfia das mais fortes.
Iria reestruturar a empresa, tinha resolvido.

Nivaldo conversou com o rapaz.
Dizendo o que prometera seu pai.
O empresário achou o valor demais.
Disse: “daqui dinheiro não sai”.

Nivaldo reiterou que ele prometeu.
Quando decidiu parar de dirigir caminhão.
Por anos ao volante e a empresa cresceu.
O pai do rapaz reconheceu sua dedicação.

Aquele jovem e arrogante empresário
Disse que honraria o compromisso.
Mas o velho carreteiro não era mais páreo.
E propôs um desafio para provar isso.

Nivaldo achou aquilo estranho.
Anos de trabalho e passar por avaliação.
Já enfrentara desafios sem tamanho.
Não iria recuar diante dessa missão.

Teria de buscar uma retroescavadeira.
Era um grande e valioso implemento.
Deveria ser entregue em uma pedreira.
Lá tinham urgência desse equipamento.

Era fim de ano próximo do Natal.
Por resultados de eleições havia revolta.
Nivaldo levaria o trator até longínquo local.
Bloqueios poderiam atrasar sua volta.

Cumprira seu papel de cidadão.
Votou e para ele isso era caso encerrado.
Ao volante, precisava ganhar seu pão.
Bônus completaria dinheiro de aposentado.

Caminhão Mercedes Benz, virou cavalo.
Com terceiro eixo, modelo quinze dezesseis.
Nivaldo sabia bem como guia-lo.
Alguns carretos com ele, o carreteiro fez.

Buscaria o implemento na concessionária.
E somente depois levaria para a pedreira.
Para Nivaldo não era cansativa luta diária.
Estava ensolarada aquela quarta feira.

Tinha prazo para chegar no outro dia.
Na ida não teve tantos obstáculos.
No retorno, situação se complicaria.
Fez Nivaldo endireitar os óculos.

Manifestantes fizeram bloqueio.
Não deixariam nenhum caminhão passar.
Ele acelerou e passou pelo meio.
Manifestantes, pedras começaram a jogar.

Deixou aquele bloqueio para trás.
Mas quantos outros haveria.
Não poderia ter atraso nenhum mais.
Dentro do prazo estipulado chegaria.

Ficou sabendo de outros bloqueios.
Não poderia atravessar todos na marra.
Caminhoneiros usados para fins alheios.
Aquela era uma situação bizarra.

Ao chegar em mais um trecho interditado.
Sua carreta foi impedida de seguir viagem.
Respeitava o movimento mas tinha de ver seu lado.
Não participar daquilo também era ato de coragem.

Conversou com as lideranças.
Precisava passar com urgência.
Nivaldo tinha índole das mais mansas.
Entretanto estava perdendo a paciência.

Disse que respeitava os protestos.
Contudo, para ele, havia muito em jogo.
Manifestantes faziam ameaçadores gestos.
Pneus impedindo a passagem, puseram fogo.

Diante de resposta negativa.
Ainda recebeu deles ameaça.
Nivaldo não tomaria atitude passiva.
Pessoas ali, prontas para arruaça.

Avançou sobre os manifestantes.
Em direção aos pneus em chamas.
Foi seguido por outros viajantes.
Ele enfrentava o maior dos dramas.

Acabou causando uma confusão.
Outros motoristas passaram também.
Nivaldo foi seguido até por caminhão.
Ia a frente com seu Mercedes Benz.

Chegou até aquela pedreira.
Antes do final do dia combinado.
Ligar para o patrão, atitude primeira.
Avisou que no horário tinha chegado.

O rapaz que era seu patrão.
Demonstrava na voz contrariedade.
Teria de pagar a Nivaldo a gratificação.
Prevaleceu enfim a honra e a honestidade.

Ao chegar a empresa de transporte.
Foi até o escritório do seu patrão.
O empresário sabia que não fora sorte.
Nivaldo continuava o melhor na profissão.

Um homem sabe bem o que quer.
Mais ainda sendo dos mais corretos.
Nivaldo ficaria mais com sua mulher.
Também seria avô para seus netos.

Provou que era bom no que fazia.
Contudo, chegou a hora de parar.
Com a família, mais tempo passaria.
Curtir os netos e à esposa namorar.

O Natal de dois mil e vinte e dois para Nivaldo.
Foi o mais especial dos que havia tido.
Feliz e rodeado pela família, o saldo.
Para esposa amorosa seria melhor marido.

Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

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