Atualmente os caminhões com semirreboques para transporte de passageiros são bem raros de se ver. Mas no passado foram muito comuns em vários países europeus, em Cuba com o famoso “camello” e até no Brasil com o “papa-fila”. Esses dois últimos em breve terão um artigo próprio. Eles foram muito versáteis no que diz respeito à utilização dos veículos em outras aplicações, por exemplo. Mas havia o problema da falta de comunicação entre o motorista e os passageiros. Pensando na solução desse problema, há 90 anos foi construído um veículo em que o conjunto era a carroceria de ônibus acoplado a um cavalo mecânico sem cabine, pois o motorista estava no comando do semirreboque. Essa invenção foi criada em 1932, sendo um projeto por George W. Yost e construção da americana Heisers. Chamado de Ford Tri-Coach, ele era baseado em um caminhão Ford com um semirreboque de passageiros onde o motorista ficava no próprio semirreboque, detalhe que diferenciava o Tri-Coach de todos os outros caminhões para transporte de passageiros que existiam.
A ideia de Yost foi retirar a cabine dos caminhões Ford, deixando somente a parte do capô, e no lugar da cabine foi adicionada uma quinta roda para engatar o semirreboque. Como a quinta roda estava bem à frente e consequentemente o semirreboque também, a posição do motorista não ficou muito diferente do original. No semirreboque foi adicionado todo o painel e todos os instrumentos de direção como direção e câmbio. Mas o detalhe que pesava contra esse projeto era que o “semicavalo” deveria estar permanentemente conectado, pois desengatar a quinta roda implicada em desmontar todo o sistema de transmissão que passava por ali, já que o comando ficava na parte de cima. E outra, sem o semirreboque, o cavalo não tinha como ser utilizado.
Mas então qual seriam as vantagens desse veículo em comparação com um ônibus tradicional ou o semirrboque com cavalo mecânico normal? Primeiramente, a transferência da mecânica do Ford para cima diminuiu a altura do semirreboque, tornando-se mais fácil entrar no Tri-Coach do que em um ônibus convencional da época, que ainda não existiam veículos com piso rebaixado. Além disso, também reduziu a rotação da carroceria nas curvas melhorando a realização de manobras. E somado a isso, alegou-se um ganho econômico, visto que os Fords eram veículos baratos de aquisição e operação.
Inicialmente o Tri-Coach tinha um motor a gasolina de 4 cilindros, pois achava-se que seria suficiente, visto que o conjunto todo pesava apenas 3,5 toneladas. Mas em 1934 começou a ser fabricado com motor V8 a gasolina. A capacidade de transporte era de 46 pessoas, sendo 26 sentadas e 20 em pé.
O Tri-Coach não foi somente um protótipo, estima-se que doze unidades circularam durante a década de 1930 em Washington. Infelizmente tiveram vida curta, pois a partir de 1937 começaram a ser retirados de operação. Nesse ano houve uma alteração no código rodoviário americano proibindo o transporte de passageiros em semirreboques e em 1940, por fim, encerraram definitivamente os trabalhos.
Isso não significa que a ideia americana foi completamente esquecida. Em 1945 foi criado na Austrália um ônibus chamado Dyson Landliner Bus, muito parecido com o Tri-Coach de George W. Yost. No Landliner o motorista também ficava no mesmo espaço dos passageiros, que já lembrava muito um ônibus convencional, mas o controle era realizado com um “carro” direcional com quatro rodas que ficava sob a parte frontal do ônibus. Esse veículo responsável pela tração tinha dois motores V8 Ford, o mesmo utilizado no Tri-Coach. Infelizmente esse modelo teve uma história muito mais curta, pois apesar de bonito, foi um fracasso e acabou não sendo utilizado de forma regular. No futuro também trarei um artigo somente sobre o Landliner.
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