Jovem abandona faculdade para se tornar caminhoneira nos Estados Unidos

Apesar das dificuldades, a vida na estrada ainda encanta muita gente, que larga tudo para viver ao volante. Kiara Areli, de apenas 22 anos, agora não vê outro caminho a não ser a profissão na estrada.

A jovem vive em Chicago, no estado norte-americano de Illinois, e viu o pai trabalhando como caminhoneiro desde que tinha doze anos. Tios e outros familiares também vivem na estrada.

Inicialmente, ela pretendia estudar e viver longe dos caminhões, mas, depois de começar a trabalhar na Amazon, acabou entrando no programa Amazon Career Choice, que capacita os funcionários da empresa em outras áreas.

Como o programa também contempla a profissão de motorista, decidiu tentar a sorte.

“Depois de ver a condução de caminhões listada como parte do programa, imediatamente senti que era um sinal para seguir em frente, especialmente porque dirigir caminhões era bastante familiar para mim. Recebi uma bolsa do programa e frequentei uma escola de caminhoneiros”, contou a caminhoneira, que hoje trabalha com um caminhão Kenworth.

Em 30 dias de aulas, com duração total de 160 horas, entre treinamentos teóricos e práticos, obteve com sucesso a Carteira de Motorista Profissional (CDL), que permite que dirija por todo o país.

A escolha de largar a faculdade veio junto com as aulas para caminhão. Com isso, a jovem evitou se endividar, já que a faculdade era privada, e pode ter mais liberdade para trabalhar.

“Eu tinha 20 anos quando entrei na Amazon e trabalhei lá por dois anos antes de sair. Agora ganho quase US$ 60 mil por ano, mesmo sem ter um diploma universitário”, destacou Kiara.

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Ela trabalha para uma pequena empresa de transporte que atua com carretas baú e basculantes. A empresa precisava de motoristas, e ela se candidatou, conseguindo um emprego mesmo sem ter experiência.

“Entrei em contato e expliquei que era nova e não tinha experiência. A empresa me ligou de volta para uma entrevista e eles foram super compreensivos. Mais tarde, eles me treinaram em situações mais reais, como dar ré em uma carreta, trocar as marchas e assim por diante. Aí comecei a trabalhar lá”, contou.

Ela dirige cerca de 500 quilômetros por dia, e faz várias entregas por dia, começando sua rotina às 6h da manhã.

Além de um salário atrativo, bem maior do que o que recebia no armazém da Amazon, a jovem conta que a profissão na estrada permite conhecer muitos lugares e pessoas, e não há rotina, já que todo dia de trabalho é bastante diferente do outro.

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“O que também adoro na condução de caminhões é a independência que isso permite. Posso tomar decisões sozinha e me sinto no controle enquanto dirijo. Como caminhoneira, tenho a liberdade de parar sempre que preciso, seja para comer ou para ir ao banheiro”.

“Antes de me tornar motorista de caminhão, eu estava em uma situação difícil e não tinha ideia do que queria fazer da minha vida. Dirigir um caminhão realmente me tirou disso. Honestamente, não me arrependo de não ter continuado a faculdade – agora sinto que tenho um propósito porque também estou inspirando outras pessoas a considerarem essa carreira de motorista de caminhão”.

“Para qualquer um que esteja pensando em dirigir caminhões, especialmente mulheres, eu digo: vá em frente. Não há problema em ficar com medo ou em dúvida, mas vale a pena dar esse salto”.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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