Atualmente, praticamente todos os caminhões produzidos no país têm tanques de combustível com capacidade superior aos 200 litros, garantindo autonomia para viagens por um país continental como o Brasil.
No início de dezembro, o Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Chapecó – SITRAN, criou uma petição pública, para pedir ao Senado Federal que rejeite o veto presidencial quando o texto for analisado em plenário.
“Requeremos ao Senhor Presidente do Congresso Nacional, Senador Rodrigo Pacheco, que inclua em pauta a análise do veto presidencial ao PL 1.949/2021, solicitando que seja proposta votação para rejeição do veto, esperando que, ao final, os dignos membros do Congresso, em maioria absoluta, acolham o presente manifesto e afastem o veto imposto pelo Sr. Presidente da República, pois o mesmo contraria o interesse público, produtivo, econômico e previdenciário, atentando contra o equilíbrio das finanças públicas (já fragilizado) e à ordem econômica do país”, destaca a entidade.
A Sitran também listou uma série de motivos pelos quais decidiu organizar o manifesto, que interferem diretamente no setor de transportes e acabam impactando a vida de todos os brasileiros.
Atualmente, a petição já tem centenas de assinaturas, e pode ser acessada pelo link https://www.change.org/p/manifesto-do-transporte-rodoviario-de-cargas-pela-rejeição-do-veto-presidencial-no-pl-1-94.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto que excluía do pagamento de adicional de periculosidade a motoristas de veículos com tanques de combustível com capacidade superior aos 200 litros. O veto foi publicado no Diário Oficial da União do dia 03 de novembro.
Aprovado em votação final na Comissão de Infraestrutura (CI) em setembro, o PL 1.949/2021, da Câmara dos Deputados, tinha como objetivo deixar claro na legislação que a quantidade de inflamável nos tanques de combustível originais ou suplementares do veículo (para consumo próprio) não poderia ser considerada atividade ou operação perigosa que implique riscos ao trabalhador, a ponto de constituir direito ao adicional de periculosidade.
Na justificativa para o veto, o governo alegou que o projeto fere a legislação trabalhista.
“A proposição legislativa contraria o interesse público, pois estabeleceria, em lei, hipóteses de descaracterização de periculosidade das atividades e operações sem indicar, de maneira objetiva, critérios e parâmetros para as quantidades de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos que possam ser transportadas de forma a garantir a proteção e a segurança dos trabalhadores do setor de transporte de cargas e de passageiros, em desacordo ao disposto na legislação trabalhista”.
Uma norma do Ministério do Trabalho exclui do pagamento de periculosidade o transporte de até 200 litros de combustível líquido e 135 quilos para inflamáveis gasosos liquefeitos. Mas de acordo com o relator do projeto na CI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a legislação está desatualizada, o que gera ações na Justiça.
“Os caminhões aumentaram muito em capacidade de carga e tração, bem como em autonomia, avanços que, obviamente, demandaram um aumento da capacidade dos seus tanques de óleo diesel, bem como, por vezes, a instalação de tanques suplementares, para ampliação dessa autonomia. Ao mesmo tempo, houve um grande avanço na segurança veicular dos caminhões”.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT – Decreto-Lei 5.452, de 1943) considera atividades ou operações perigosas as que impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos ou energia elétrica em geral, entre outros fatores. Também se enquadram na categoria de periculosidade os trabalhadores usam motocicleta. O trabalhador recebe como adicional de periculosidade um percentual de 30% sobre o salário.
O veto deverá ser analisado em breve em sessão do Congresso Nacional.
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