Manobras fechadas com conjuntos “Romeu e Julieta” podem resultar em tombamento

O nome é curioso, e faz referência ao casal da peça escrita por William Shakespeare em 1590! Isso por dois motivos. Primeiro, o caminhão e o implemento formam um casal, e segundo, porque, em década mais antigas, o caminhão mais usado nesse tipo de engate era o FNM, também chamado de Alfa Romeo.
Mesmo não sendo mais tão comum, o conjunto ainda é usado no transporte de cargas vivas, especialmente boiadeiros, transporte de leite, e também para o transporte de cana-de-açúcar e madeira.
Uma das particularidades desse tipo de transporte é o alto risco de tombamento em manobras muito fechadas, especialmente realizadas em áreas confinadas. É o caso comum nas propriedades leiteiras, onde o conjunto acaba sendo manobrado em espaços apertados, podendo resultar em acidente.
De acordo com o Engenheiro Rubem Penteado de Melo, esse implemento tem dois tipos de comportamentos muito distintos, de acordo com o posicionamento do eixo dianteiro. Para exemplificar:
A Julieta é como uma mesa. Quando está com os pneus alinhados, é como se tivesse quatro pernas, já que todos os pneus estão mantendo a estabilidade do conjunto. Quando a curva feita é muito fechada, ela continua sendo uma mesa retangular, mas apoiada apenas sobre três pernas.
Nesse caso, com a velocidade e qualquer mínima alteração do Centro de Gravidade do veículo, há o tombamento do implemento, como mostrado no vídeo acima.
Então é preciso ter cuidado redobrado ao realizar manobras com esse tipo de conjunto, minimizando o risco de acidentes e graves prejuízos.

