Por que os caminhões americanos e europeus são tão diferentes?

Para nós entusiastas dos caminhões, a diferença entre os caminhões americanos e europeus é bastante claro. E não falamos somente de marcas, mas também das características que cada um possui e que os tornam tão diferentes entre si. Mas você sabe o por quê dessa diferença?

Primeiramente, cada país tem restrições diferentes quando se trata de veículos e as diferenças regionais criam necessidades diferentes. Modelos, peças, recursos ou até as marcas mudarão dependendo da sua localização. As restrições e os estilos de vida das regiões desempenham um papel importante na razão pela qual vemos diferentes modelos e marcas de caminhões. As diferenças entre os americanos e europeus ajuda-nos a entender porque é que as montadoras optam por atender determinados mercados com determinados modelos, como é o caso do Brasil em que os modelos derivados dos europeus predominam as estradas.

Scania 620S V8 6X4 vendido no Brasil

Como mencionado, as leis e exigências impostas pelos governos dizem muito sobre o estilo dos caminhões. Um deles é sobre o tamanho. Na Europa, o tamanho dos caminhões não pode exceder 61 pés (18,6 metros) de comprimento, enquanto os caminhões americanos podem ir até 70 pés (21,3 metros) com dois reboques por vez. Os caminhões “cara chata” eram populares na América do Norte até 1976, antes que as restrições de comprimento total fossem suspensas. Depois de 1976, os caminhões com longos capôs se tornaram mais populares.

A mesma diferença se aplica à altura dos veículos, que o máximo na Europa é um pouco mais baixa do que na América do Norte. A razão para as diferenças de altura é que os camiões europeus têm restrições à entrada nas cidades ou estradas estreitas.

Outra diferença está relacionada ao projeto. Os europeus têm uma frente reta (cara chata) e um design com cabine sobre motor, conhecido como cabover. Os cabover possuem motor embaixo do motorista, o que limita o espaço interno e consequentemente o espaço que o motorista pode descansar nas paradas. Por outro lado, os caminhões americanos têm o motor externo na frente, o que cria um capô comprido e são conhecidos como “bicudos”.

Iveco S-Way movido a gás vendido no mercado europeu

Ambos têm suas vantagens e desvantagens. Os cabover são concebidos para estradas europeias que exigem mais manobrabilidade. Já as estradas americanas são mais largas e retas, criando as condições perfeitas para o design americano de caminhões. O outro fator que afeta o projeto é quanto os motoristas têm que dirigir ou podem dirigir. Os caminhoneiros americanos tendem a percorrer distâncias mais longas e a passar mais noites em seus caminhões.

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Mas além dos pontos já apresentados, a maior diferença entre americanos e europeus é como eles encaram o trabalho. Enquanto os caminhoneiros europeus tendem a ver a atividade de dirigir caminhões apenas como uma profissão, os americanos passam disso e dedicam suas vidas a isso como um estilo de vida. Por lá, os transportadores são, além de empresários, motoristas no próprio negócio e costumam passar mais de um mês na estrada viajando. Por isso, os fabricantes colocaram o conforto dos motoristas como uma de suas prioridades ao criarem os caminhões americanos.

Outra diferença entre americanos e europeus está na aerodinâmica. Na verdade, para as fabricantes esse é um fator que acaba sendo ainda mais importante que velocidade ou conforto, por exemplo. A busca pela redução de custos, sustentabilidade e eficiência sempre são buscados pelas marcas, que trabalham para otimizar o formato das peças e partes dos caminhões a fim de reduzir o arrasto aerodinâmico.

Peterbilt 589 vendido atualmente nos Estados Unidos

Os caminhões norte-americanos têm o capô comprido para aumentar a aerodinâmica, já que o limite de velocidade costuma ser maior que na Europa e as estradas são mais adequadas para aproveitar a aerodinâmica e reduzir o consumo de combustível. Os caminhões europeus têm a o design frontal, que não permite atingir metas de custo de combustível, mas as razões pelas quais os fabricantes europeus ainda escolhem o design cabover são as restrições de comprimento, o tempo que os motoristas trabalham, os tipos de estradas, as áreas densamente povoadas e o tráfego.

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Ainda falando sobre essa questão de bicudos e frontais, a segurança também acaba sendo um ponto a se considerar. Isso porque um caminhão bicudo evitaria que o motorista sofresse ferimentos graves em comparação com o frontal (não significa que os frontais são inseguros e foram projetados negligenciando essas questões). Isso pode ser justificado pelo comportamento dos motoristas de cada região, já que notícias apontam que acidentes mortais envolvendo caminhões ​​nos EUA é até oito vezes mais que na Europa.

E você, qual estilo você prefere: americano ou europeu? Nos dias atuais percebe-se que o Brasil se espelha muito no estilo europeu de projetar caminhões, até porque as marcas aqui presentes são originárias daquele continente. Mas se pararmos para pensar, o tamanho de nosso país e suas longas estradas, bem como o estilo de trabalhar passando dias e dias na estrada, estamos mais próximo dos americanos, não acha?

André Felipe Mudrei

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