Caminhoneiros da Ásia que trabalham na Europa chegam a ficar por mais de um ano sem sair da cabine

A Europa é o sonho de vida para pessoas de todo o mundo, que buscam melhores condições de vida. Mas, em alguns casos, os sacrifícios são extremos. Uma reportagem do jornal francês Le Monde mostra que algumas transportadoras do leste europeu estão usando mão-de-obra da Ásia, com baixos salários e mantendo os caminhoneiros presos aos caminhões por mais de um ano.
Durante um final de semana na Holanda, uma equipe de reportagem esteve em um estacionamento, e encontrou caminhoneiros do Quirguistão e do Tajiquistão, trabalhando em condições desumanas para uma grande empresa da Lituânia.
Os motoristas estão na estrada há seis meses de forma ininterrupta, tendo as folgas semanais dentro da cabine. O salário é de 70 Euros por dia (R$ 400), sem nenhum outro valor, como pagamento de alimentação ou outros custos.
A associação Road Transport Due Diligence destaca que o setor de transportes na Europa vem se deteriorando há mais de 20 anos, com condições cada vez piores para os motoristas. E os motoristas estrangeiros sofrem ainda mais com esses problemas.
Os motoristas podem voltar para casa, em seus países de origem, por exemplo, mas as despesas precisam ser pagas por eles. Ou seja, acabam desistindo da ideia, por conta dos custos altíssimos de uma viagem do tipo.
Pouco antes de a equipe de reportagem chegar ao estacionamento, a equipe da Road Transport Due Diligence encontrou outro motorista estrangeiro, das Filipinas, que também trabalha para uma grande transportadora. O caso dele era pior ainda. Estava vivendo na cabine do caminhão há três anos, sem voltar para casa ou férias.
Para esses motoristas, apesar das enormes dificuldades, a Europa ainda é um bom lugar para trabalhar, com salários até três vezes mais altos do que aqueles pagos em seus países de origem. Com isso, conseguem viver e ainda mandar uma parte dos ganhos para as famílias, que ficam na terra natal.
Mas é um problema social muito grave, que praticamente não tem controle por parte das autoridades. Além do desrespeito a todas as regras trabalhistas da Europa, esse tipo de trabalho ainda cria um problema para os próprios caminhoneiros europeus, puxando os salários para baixo.
