HISTÓRIA DA ESTRADA – O CARONEIRO

Imagem reprodução / Internet

Irineu era homem honesto, correto.
Bem-quisto na sua pequena cidade.
Conhecido pelo caráter digno e reto.
Boa aparência, tinha alguma vaidade.

Trabalhava vendendo seguros.
Vida corrida, verdadeira maratona.
Sem carro, tinha dinheiro a juros.
Preferia se deslocar pedindo carona.

Por ser bastante conhecido.
Sempre um amigo parava.
A um sinal seu, atendiam seu pedido.
Até outra cidade alguém o levava.

Fazia lá seus negócios, suas vendas.
De carona, se deslocava a outro lugar.
Renovações de seguros, eram suas rendas.
Com novos seguros continuava a lucrar.

No final de semana ia a missa dominical.
Com a esposa de braços dados.
Dois lindos filhos, um belo casal.
Pelos habitantes do lugar, eram admirados.

Irineu levava sua vida numa boa.
Naquela pequena cidade, vivia bem.
Tratado como uma descente pessoa.
Objetivos de vida, não iam muito além.

Uma segunda feira, lá estava o Irineu.
À espera de uma carona no mesmo lugar.
Naquele dia, algo diferente aconteceu.
Um imenso caminhão até ele veio parar.

Caminhão bonito e bem arrumado.
Cabine leito e pintura brilhante.
Rodas de alumínio, trucado.
O bruto era um verdadeiro gigante.

Irineu subiu a bordo do caminhão.
Naquela noite não retornou ao lar.
Não deu notícias, nenhuma explicação.
Mulher e filhos tinham com que se preocupar.

Isso nunca acontecera anteriormente.
Irineu sempre vinha do trabalho para casa.
A sua esposa não tinha nada em mente.
“Para o jantar, meu marido nunca se atrasa”.

Passado o outro dia sem nenhuma notícia.
Os familiares tomaram a decisão.
Informaram desaparecimento à polícia.
No mesmo instante começou a investigação.

Alguém viu ele entrar em um caminhão.
Mas ninguém anotou o número da placa.
Policiais buscavam pistas com toda atenção.
Contudo, a principal pista era muito fraca.

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Irineu certamente fora sequestrado.
Essa fofoca correu por toda a cidade.
Um caminhoneiro mal-intencionado.
Levara-o contra sua vontade.

Após uma semana desaparecido.
Já o consideravam-no homem morto.
Sofrimento da família incontido.
Amigos iam oferecer algum conforto.

Eis que quinze dias depois, à noite.
Irineu entrou em casa, aparência abatida.
Parecia espancado por vigoroso açoite.
A família o saudou com alegria incontida.

Com aparência cansada, fez relato.
Pegou carona em um Mercedes Benz.
Caminhão era bonito de fato.
Mas o caminhoneiro o fizera refém.

Após todo esse tempo preso.
Do lugar onde esteve cativo.
Nas garras daquele homem, indefeso.
Achou que não sairia de lá vivo.

Conseguiu fugir do cativeiro.
Voltou para casa são e salvo.
Pensou na família o tempo inteiro.
Da maldade humana foi alvo.

No aconchego do lar, cercado de carinho.
Tirou uns dias de férias, para descansar.
Após o almoço, dormia no sofá um pouquinho.
A esposa não cessava de o paparicar.

Uma tarde, bem depois do almoço.
Na praça da cidade uma confusão.
Irineu corria da esposa, um alvoroço.
A mulher o xingava, falava palavrão.

A mulher, de raiva tinha o rosto vermelho.
Irineu temia apanhar da esposa.
Ele parecia um assustado coelho.
Ela, uma faminta e raivosa raposa.

A polícia chegou para esclarecimentos.
A mulher então desatou a falar.
Descobrir segredos, as mulheres têm talentos.
Conseguiu abrir o seu celular.

Enquanto Irineu dormia após o almoço.
Coisa que para ele se tornou normal.
Estava indefeso o pobre moço.
A esposa liberou a senha com sua digital.

Encontrou um nome nos contatos.
E a imagem de uma linda menina.
Ao ler as mensagens, entendeu os fatos.
Viu que era uma caminhoneira na cabina.

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Pelos vídeos que fez seu marido.
Viu que o sequestro foi de fachada.
Pela beleza da moça, Irineu perdido.
Ela também por ele ficou enamorada.

Havia outros vídeos feitos pelo marido.
Mostrando a estrada e a bela caminhoneira.
Quando Irineu acordou sendo agredido.
Não entendeu por que era tratado daquela maneira.

Quando viu o celular na mão da companheira.
E ela mostrou o vídeo que ele havia gravado.
Ele ao lado de tão bela caminhoneira.
“Então foi por essa mulher que foi sequestrado”?

Quinze dias com a caminhoneira.
Foram de um amor intenso vivido.
Irineu, ficou sem eira nem beira.
Foi atingido pela flecha do Cupido.

Ainda tentou se explicar para sua mulher.
Mas, explicar o que não tinha explicação.
Ela disse: “Apanhar, isso que você quer”?
“Vou dar a você o que quer então”.

A esposa de Irineu, possessa.
Mostrou diversos vídeos à polícia.
Irineu pregou em todos uma peça.
O fato, na cidade virou notícia.
Para os habitantes, situação medonha.
Jamais ocorreu algo parecido na verdade.
Irineu, humilhado, passou tanta vergonha.
Acabou mudando até de cidade.

Da esposa conseguiu o perdão.
Mulher perdoa, mas não esquece.
Dedicou-se mais ao trabalho e à religião.
Pelo que fez, ainda hoje padece.

Para a esposa é bom marido.
Continua sendo homem ordeiro.
Dos amigos ganhou um apelido.
É chamado de “caroneiro”.

Autor: Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

Um comentário em “HISTÓRIA DA ESTRADA – O CARONEIRO

  1. Espero que gostem dessa divertida história

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