Roberto Dias Alvares‏Z-Colunas

HISTÓRIA DA ESTRADA – O CHEVROLET BRASIL

Imagem reprodução / Internet

Era o ano de cinquenta e seis.
região norte do Paraná.
História ocorrida por sua vez.
Quem me contou estava lá.

Joaquim tinha um caminhão lindo.
Chevrolet Brasil bem novo.
Puxava a colheita e no domingo.
Para o futebol levava o povo.

Naquela fazenda de café.
os colonos trabalhavam de sol a sol.
Domingo cedo na igreja, momento de fé.
À tarde animado jogo de futebol.

Aquele domingo festivo.
Jogariam torneio na fazenda vizinha.
Para torná-lo mais competitivo.
além do troféu, um prêmio tinha.

O time que fosse vencedor.
ganharia prêmio em dinheiro e um boi.
Enfrentariam tarde de calor.
Time na carroceria, o Chevrolet se foi.

Na viagem que fariam de ida.
encarariam uma Serra verdejante.
Era uma íngreme subida.
O time ia cantando radiante.

Joaquim com todo cuidado.
Conduzia seu Chevrolet.
De pessoas ia carregado.
Durante a semana, a carga era café.

Venceu a subida do morro.
e logo passou a porteira.
Fazenda do Francisco Chamorro.
era uma propriedade de primeira.

Na carroceria do caminhão.
um jovem e bom jogador.
Atendia pelo nome de João.
Também era grande trabalhador.

Do time não era artilheiro.
mas desempenhava bem a função.
Ali atrás jogando de zagueiro.
Nada passava pelo Joao.

Aprendera dirigir carro e caminhão.
sem ninguém tê-lo ensinado.
Homem honesto o João.
Mudar de vida era sonho acalentado.

Jogadores de outros locais.
ali na fazenda se faziam presentes.
Uma festa bonita demais.
Das redondezas havia muita gente.

Debaixo de uma paineira.
o Chevrolet Brasil estacionado.
iniciaria a partida primeira
daquele torneio disputado.

Os jogos foram sendo disputados.
e Joaquim tomando uma cachaça.
Os vários torcedores animados.
Bonita festa daquela humana massa.

O time do João tinha avançado.
ganhando os jogos que disputavam.
Nos intervalos um refresco era tomado.
e novamente no campo jogavam.

Maria era uma jovem bonita.
que de todos chamava a atenção.
Sapato de laço, vestido de chita.
Também ficou encantado o João.

Maria olhava para o campo.
e João viu-a a beira do gramado.
Ela começou torcer pelo time de branco.
João em campo fez esforço redobrado.

Era a partida final.
O time do João na disputa.
Zero a zero pois afinal.
dos dois times havia muita luta.

Faltava só um minuto.
e João desarmou o adversário.
Em campo impunha-se absoluto.
Era jogador extraordinário.

RECOMENDADO  Motorista de carreta preso em flagrante sob efeito de álcool tem justa causa mantida pela Justiça

Corria com longas passadas.
deixando adversários para trás.
Os torcedores, do campo nas beiradas.
olhavam impressionados aquele rapaz.

Rolou a bola para o ponteiro.
que driblou e foi na linha de fundo.
Fez um cruzamento certeiro.
Por um instante pareceu parar o mundo.

Mesmo não sendo muito alto.
João pulou com dois beques e o goleiro.
Parecia voar com aquele salto.
O cabeceio foi preciso e certeiro.

Quando seus pés tocaram o solo.
a bola morria no fundo do gol.
A torcida carregou-o no colo.
Sobre os ombros o levou.

Levando o troféu de vencedor.
ao passar perto de Maria.
ao colegas pediu como favor.
Ao lado da moça ele ficaria.

Após conversar com ela.
parecia encaminhado o romance.
João conquistara aquela menina bela.
Foi sem dúvida, seu mais bonito lance.

Subiram novamente no Chevrolet.
e voltariam para a fazenda.
No outro dia, na lavoura de café.
Trabalhariam para tirar a sua renda.

Quando Joaquim assumiu o volante.
ninguém o percebeu embriagado.
entrara na cabine vacilante.
O Chevrolet Brasil partiu ovacionado.

Na direção cego pela bebedeira.
João achou meio estranho.
Joaquim não dirigia daquela maneira.
Fazendo ziguezague sem tamanho.

Em cima da carroceria o João.
conversando com o Joaquim.
Pediu que parasse o caminhão.
Causaria acidente dirigindo assim.

Joaquim negou-se a parar.
falando com voz embargada.
João, aos amigos resolveu avisar
tinham de obrigá-lo a fazer parada.

Como O caminhoneiro negou-se a parar.
foi tomada difícil decisão.
Do volante, tinham que ao Joaquim tirar.
Mais uma vez encarregaram o João.

Mas a situação ficou complicada.
pois a Serra começavam a descer.
Não poderiam fazer nada.
Para que desse tudo certo, torcer.

Mas o motorista tocado pela bebida.
errou ao fazer a redução.
O bruto embalou na descida.
Joaquim perdeu controle do caminhão.

O rapaz percebeu o desespero.
e que estavam todos em risco.
Da carroceria para cabine saltou ligeiro.
João foi rápido como um corisco.

Empurrou Joaquim para o lado.
e assumiu o volante do Chevrolet.
Pela Serra descia descontrolado.
Tentar pará-lo João tinha fé.

Joaquim balbuciava sonolento.
palavras incompreensíveis.
João ao trecho estava atento.
Enfrentaria curvas terríveis.

A marcha conseguiu engatar.
no bruto dando uma segurada.
Reduziria mais para segurar.
Era difícil dirigir naquela estrada.

O motor de seis cilindros.
urrava a cada redução.
De quarta para terceira reduzindo.
da velocidade houve diminuição.

Havia uma curva fechada.
contornando a encosta.
João tentando mantê-lo na estrada.
Procurar segurá-lo era a proposta.

RECOMENDADO  Motorista de ônibus que fazia manutenção do veículo receberá adicional por acúmulo de funções

Contornou aquela curva perigosa.
No cascalho solto a derrapagem.
Endireitou o bruto de maneira corajosa.
Erro ali não havia margem.

Apesar da noite escura.
alguns que estavam na carroceria.
jogavam-se para fora àquela altura.
achando que de acidente não escaparia.

Com arrojo, coragem e sangue frio.
João conseguiu descer o morro.
Local plano segurou perto de um rio.
Ao longe colegas gritavam por socorro.

Um dos que pularam do caminhão.
Acabou tendo na perna fratura.
Levá-lo ao hospital, única solução.
Iriam ao Chevrolet aquela altura.

João permaneceu na direção.
Joaquim parecia desmaiado.
Puseram-no dentro do caminhão.
e para a cidade foi levado.

Teve a perna engessada.
por determinação do doutor.
Teria de ficar imobilizada.
Talvez sentisse um pouco de dor.

Quando voltaram para fazenda.
a segunda-feira ia raiando.
Pelo que passaram parecia lenda.
Para o trabalho se encaminhando.

Joaquim refeito da bebedeira.
despertou e olhou assustado.
Confuso, falando besteira.
estava bastante atrapalhado.

João deixou-o no caminhão.
Tomou rápido café com leite, bolo de fubá.
No domingo no futebol fora campeão.
Para o trabalho tinha de ir já.

Apesar do cansaço.
João trabalhou com alegria.
No jogo fizera um golaço
e ainda conhecera Maria.

Depois de muitos anos
da história o encerramento.
João e Maria fizeram planos
a começar pelo casamento.

João guardara dinheiro
e foi morar na cidade com Maria.
a bordo de um bonito estradeiro.
O Chevrolet Brasil ele dirigia.

Comprara o caminhão
e foi trabalhar na cidade.
Comprou casa e ganhou o pão.
Ao lado de Maria só felicidade.

Cinco décadas se passaram.
João já está aposentado.
O casal, três filhos criaram.
Vivia a vida sossegado.

Tinha um carro de passeio.
mas nunca abriu mão.
fazendo frete chegando relho.
no seu antigo caminhão.

Fazendo carretos e mudanças.
João trabalha com muita alegria.
Ao volante envolto em lembranças.
dos tempos que conheceu sua Maria.

Autor: Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.