HISTÓRIA DA ESTRADA – O CHEVROLET BRASIL

Imagem reprodução / Internet

Era o ano de cinquenta e seis.
região norte do Paraná.
História ocorrida por sua vez.
Quem me contou estava lá.

Joaquim tinha um caminhão lindo.
Chevrolet Brasil bem novo.
Puxava a colheita e no domingo.
Para o futebol levava o povo.

Naquela fazenda de café.
os colonos trabalhavam de sol a sol.
Domingo cedo na igreja, momento de fé.
À tarde animado jogo de futebol.

Aquele domingo festivo.
Jogariam torneio na fazenda vizinha.
Para torná-lo mais competitivo.
além do troféu, um prêmio tinha.

O time que fosse vencedor.
ganharia prêmio em dinheiro e um boi.
Enfrentariam tarde de calor.
Time na carroceria, o Chevrolet se foi.

Na viagem que fariam de ida.
encarariam uma Serra verdejante.
Era uma íngreme subida.
O time ia cantando radiante.

Joaquim com todo cuidado.
Conduzia seu Chevrolet.
De pessoas ia carregado.
Durante a semana, a carga era café.

Venceu a subida do morro.
e logo passou a porteira.
Fazenda do Francisco Chamorro.
era uma propriedade de primeira.

Na carroceria do caminhão.
um jovem e bom jogador.
Atendia pelo nome de João.
Também era grande trabalhador.

Do time não era artilheiro.
mas desempenhava bem a função.
Ali atrás jogando de zagueiro.
Nada passava pelo Joao.

Aprendera dirigir carro e caminhão.
sem ninguém tê-lo ensinado.
Homem honesto o João.
Mudar de vida era sonho acalentado.

Jogadores de outros locais.
ali na fazenda se faziam presentes.
Uma festa bonita demais.
Das redondezas havia muita gente.

Debaixo de uma paineira.
o Chevrolet Brasil estacionado.
iniciaria a partida primeira
daquele torneio disputado.

Os jogos foram sendo disputados.
e Joaquim tomando uma cachaça.
Os vários torcedores animados.
Bonita festa daquela humana massa.

O time do João tinha avançado.
ganhando os jogos que disputavam.
Nos intervalos um refresco era tomado.
e novamente no campo jogavam.

Maria era uma jovem bonita.
que de todos chamava a atenção.
Sapato de laço, vestido de chita.
Também ficou encantado o João.

Maria olhava para o campo.
e João viu-a a beira do gramado.
Ela começou torcer pelo time de branco.
João em campo fez esforço redobrado.

Era a partida final.
O time do João na disputa.
Zero a zero pois afinal.
dos dois times havia muita luta.

Faltava só um minuto.
e João desarmou o adversário.
Em campo impunha-se absoluto.
Era jogador extraordinário.

Corria com longas passadas.
deixando adversários para trás.
Os torcedores, do campo nas beiradas.
olhavam impressionados aquele rapaz.

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Rolou a bola para o ponteiro.
que driblou e foi na linha de fundo.
Fez um cruzamento certeiro.
Por um instante pareceu parar o mundo.

Mesmo não sendo muito alto.
João pulou com dois beques e o goleiro.
Parecia voar com aquele salto.
O cabeceio foi preciso e certeiro.

Quando seus pés tocaram o solo.
a bola morria no fundo do gol.
A torcida carregou-o no colo.
Sobre os ombros o levou.

Levando o troféu de vencedor.
ao passar perto de Maria.
ao colegas pediu como favor.
Ao lado da moça ele ficaria.

Após conversar com ela.
parecia encaminhado o romance.
João conquistara aquela menina bela.
Foi sem dúvida, seu mais bonito lance.

Subiram novamente no Chevrolet.
e voltariam para a fazenda.
No outro dia, na lavoura de café.
Trabalhariam para tirar a sua renda.

Quando Joaquim assumiu o volante.
ninguém o percebeu embriagado.
entrara na cabine vacilante.
O Chevrolet Brasil partiu ovacionado.

Na direção cego pela bebedeira.
João achou meio estranho.
Joaquim não dirigia daquela maneira.
Fazendo ziguezague sem tamanho.

Em cima da carroceria o João.
conversando com o Joaquim.
Pediu que parasse o caminhão.
Causaria acidente dirigindo assim.

Joaquim negou-se a parar.
falando com voz embargada.
João, aos amigos resolveu avisar
tinham de obrigá-lo a fazer parada.

Como O caminhoneiro negou-se a parar.
foi tomada difícil decisão.
Do volante, tinham que ao Joaquim tirar.
Mais uma vez encarregaram o João.

Mas a situação ficou complicada.
pois a Serra começavam a descer.
Não poderiam fazer nada.
Para que desse tudo certo, torcer.

Mas o motorista tocado pela bebida.
errou ao fazer a redução.
O bruto embalou na descida.
Joaquim perdeu controle do caminhão.

O rapaz percebeu o desespero.
e que estavam todos em risco.
Da carroceria para cabine saltou ligeiro.
João foi rápido como um corisco.

Empurrou Joaquim para o lado.
e assumiu o volante do Chevrolet.
Pela Serra descia descontrolado.
Tentar pará-lo João tinha fé.

Joaquim balbuciava sonolento.
palavras incompreensíveis.
João ao trecho estava atento.
Enfrentaria curvas terríveis.

A marcha conseguiu engatar.
no bruto dando uma segurada.
Reduziria mais para segurar.
Era difícil dirigir naquela estrada.

O motor de seis cilindros.
urrava a cada redução.
De quarta para terceira reduzindo.
da velocidade houve diminuição.

Havia uma curva fechada.
contornando a encosta.
João tentando mantê-lo na estrada.
Procurar segurá-lo era a proposta.

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Contornou aquela curva perigosa.
No cascalho solto a derrapagem.
Endireitou o bruto de maneira corajosa.
Erro ali não havia margem.

Apesar da noite escura.
alguns que estavam na carroceria.
jogavam-se para fora àquela altura.
achando que de acidente não escaparia.

Com arrojo, coragem e sangue frio.
João conseguiu descer o morro.
Local plano segurou perto de um rio.
Ao longe colegas gritavam por socorro.

Um dos que pularam do caminhão.
Acabou tendo na perna fratura.
Levá-lo ao hospital, única solução.
Iriam ao Chevrolet aquela altura.

João permaneceu na direção.
Joaquim parecia desmaiado.
Puseram-no dentro do caminhão.
e para a cidade foi levado.

Teve a perna engessada.
por determinação do doutor.
Teria de ficar imobilizada.
Talvez sentisse um pouco de dor.

Quando voltaram para fazenda.
a segunda-feira ia raiando.
Pelo que passaram parecia lenda.
Para o trabalho se encaminhando.

Joaquim refeito da bebedeira.
despertou e olhou assustado.
Confuso, falando besteira.
estava bastante atrapalhado.

João deixou-o no caminhão.
Tomou rápido café com leite, bolo de fubá.
No domingo no futebol fora campeão.
Para o trabalho tinha de ir já.

Apesar do cansaço.
João trabalhou com alegria.
No jogo fizera um golaço
e ainda conhecera Maria.

Depois de muitos anos
da história o encerramento.
João e Maria fizeram planos
a começar pelo casamento.

João guardara dinheiro
e foi morar na cidade com Maria.
a bordo de um bonito estradeiro.
O Chevrolet Brasil ele dirigia.

Comprara o caminhão
e foi trabalhar na cidade.
Comprou casa e ganhou o pão.
Ao lado de Maria só felicidade.

Cinco décadas se passaram.
João já está aposentado.
O casal, três filhos criaram.
Vivia a vida sossegado.

Tinha um carro de passeio.
mas nunca abriu mão.
fazendo frete chegando relho.
no seu antigo caminhão.

Fazendo carretos e mudanças.
João trabalha com muita alegria.
Ao volante envolto em lembranças.
dos tempos que conheceu sua Maria.

Autor: Roberto Dias Alvares

Roberto Dias Alvares

Casado com uma mulher linda. Pai de filha abençoada. Santista ainda. Escritor e poeta da estrada.

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